Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Guia completo · Glândulas salivares

Parotidectomia: tumores da parótida, cirurgia e recuperação

A parotidectomia é indicada para a maioria dos caroços que surgem na parótida, a glândula de saliva que fica na frente e logo abaixo da orelha. Mesmo quando o tumor é benigno, ele tende a crescer com os anos, e retirá-lo menor costuma ser mais simples. O maior cuidado da operação é com o nervo facial, que atravessa a glândula e movimenta o rosto.

Um caroço na frente da orelha ou no ângulo da mandíbula costuma crescer devagar e não doer. Por isso muita gente convive com ele por anos antes de procurar ajuda. Entender o que ele pode ser e como é o tratamento ajuda a decidir com segurança.

O que é a parótida e quais tumores podem aparecer nela?

Temos três pares de glândulas salivares maiores: parótidas, submandibulares e sublinguais. A parótida é a maior delas. Fica sobre o ângulo da mandíbula e produz saliva que chega à boca por um canal na bochecha. Veja glândulas salivares: onde ficam.

O nervo facial atravessa a parótida e se divide em ramos que movem a testa, as pálpebras, o nariz, os lábios e o canto da boca. Ele separa a glândula em uma parte superficial, maior, e uma parte profunda.

Tipos de tumor

Tumor Como se comporta
Adenoma pleomórfico Benigno e o mais comum. Cresce devagar, mas pode voltar se não for retirado por completo e, após muitos anos, tem pequeno risco de se tornar maligno
Tumor de Warthin Benigno e o segundo mais comum. Mais frequente em fumantes e em pessoas acima dos 50 anos; pode aparecer nos dois lados. O risco de malignização é muito baixo
Outros tumores benignos Menos comuns, como o oncocitoma
Tumores malignos Menos frequentes. Incluem vários tipos de carcinoma de glândula salivar, com comportamentos diferentes
Metástases Câncer de pele do rosto, da orelha ou do couro cabeludo pode atingir as ínguas que ficam dentro da parótida

Saiba mais sobre os dois benignos mais comuns em adenoma pleomórfico e tumor de Warthin. Sobre os malignos, leia câncer de glândula salivar.

O que causa esses tumores?

Na maioria das vezes, não há uma causa identificável. Alguns fatores estão ligados a mais risco: radiação na cabeça e no pescoço, tabagismo, no caso do tumor de Warthin, e exposição solar intensa, no caso das metástases de câncer de pele. Veja também o guia de câncer de pele do rosto e pescoço.

Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

Sinais mais comuns

  • caroço na frente da orelha, embaixo do lóbulo ou no ângulo da mandíbula;
  • crescimento lento, ao longo de meses ou anos;
  • em geral, indolor e sem outras queixas.

Um caroço atrás ou embaixo da orelha também pode ser uma íngua ou outra lesão. Veja caroço atrás da orelha e nódulo na parótida: é câncer?.

Sinais de alerta

Alguns sinais aumentam a suspeita de tumor maligno e pedem avaliação rápida:

  • crescimento rápido em poucas semanas;
  • dor persistente no local;
  • fraqueza de parte do rosto, como dificuldade para fechar o olho ou assimetria do sorriso;
  • caroço endurecido e preso aos tecidos;
  • ferida na pele sobre o caroço;
  • ínguas no pescoço.

Exames

  1. Consulta: o médico examina o caroço, a boca, a pele do rosto e o pescoço, e testa os movimentos da face.
  2. Ultrassom: mostra se o caroço está dentro da glândula e ajuda a guiar a punção.
  3. Punção com agulha fina ou biópsia com agulha grossa: retira células ou um fragmento do tumor para análise. O laudo da punção de glândulas salivares usa o sistema de Milão, uma classificação padronizada que indica o risco de o tumor ser maligno.
  4. Ressonância magnética: é o exame de imagem mais usado para ver o tamanho, a relação com a parte profunda e sinais de agressividade.
  5. Tomografia ou PET-CT: em casos selecionados, principalmente quando há suspeita de câncer.

Evita-se fazer biópsia com corte na parótida antes da cirurgia, porque isso pode espalhar células do tumor.

Nem todo inchaço da parótida é tumor. Infecções, pedras no canal e inflamações também aumentam a glândula. Veja parótida inchada: causas e o guia de doenças das glândulas salivares.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quais são as opções de tratamento para tumores da parótida?

A cirurgia é o tratamento principal para a maioria dos tumores da parótida, benignos ou malignos.

Por que operar um tumor benigno?

O adenoma pleomórfico continua crescendo com o tempo. Quanto maior, mais trabalhosa fica a cirurgia e mais o tumor se aproxima dos ramos do nervo facial. Além disso, existe um pequeno risco de transformação maligna após muitos anos. Por isso, a retirada costuma ser recomendada ainda com o tumor menor.

Quando é possível acompanhar?

No tumor de Warthin, o risco de malignização é muito baixo. Em pessoas mais velhas, com outras doenças ou risco cirúrgico alto, e quando o diagnóstico está bem estabelecido, acompanhar com exames pode ser uma opção razoável.

Tipos de parotidectomia

Tipo O que é retirado Quando costuma ser usada
Parotidectomia superficial ou parcial O tumor com a parte da glândula acima do nervo facial Tumores benignos na parte superficial
Dissecção extracapsular O tumor com uma margem pequena de tecido ao redor Tumores benignos pequenos, bem delimitados, em casos selecionados
Parotidectomia total Toda a glândula, preservando o nervo facial Tumores da parte profunda ou malignos
Parotidectomia ampliada Glândula e estruturas vizinhas atingidas, às vezes com ramos do nervo Tumores malignos que invadem essas estruturas

Tratamentos complementares

Em tumores malignos, pode ser necessário retirar também os linfonodos do pescoço. Veja o guia de esvaziamento cervical. Radioterapia após a cirurgia é indicada em parte dos tumores malignos, conforme o tipo, o grau e as margens.

Como é a parotidectomia, passo a passo?

Veja mais detalhes em parotidectomia: como é a cirurgia da parótida.

  1. Anestesia geral: você dorme durante toda a cirurgia.
  2. Corte: começa na frente da orelha, contorna o lóbulo e desce para uma dobra do pescoço. Em alguns casos, pode ser usado um corte parecido com o de cirurgias de rejuvenescimento facial, que fica mais escondido atrás da orelha.
  3. Localização do nervo facial: o cirurgião encontra o tronco principal do nervo logo na saída do crânio e segue seus ramos. Em muitos serviços, um aparelho monitora o nervo durante a cirurgia.
  4. Retirada do tumor: o tumor é removido com uma margem de tecido saudável, sem romper sua cápsula, o que reduz a chance de ele voltar.
  5. Dreno: um tubo fino costuma ficar por 1 a 2 dias.
  6. Fechamento: pontos delicados na pele.

A duração varia conforme o caso, com o tamanho e a posição do tumor: em geral, fica entre 2 e 3 horas. A internação costuma ser de 1 a 2 dias, também conforme o caso.

Quais são os riscos e como é a recuperação?

Riscos

  • fraqueza temporária do rosto, principalmente no canto da boca, que costuma se recuperar em semanas a meses;
  • paralisia facial permanente, rara em tumores benignos, mais possível em tumores grandes, malignos ou em reoperações;
  • dormência no lóbulo da orelha e ao redor do corte, comum e que tende a diminuir;
  • síndrome de Frey, suor e vermelhidão na bochecha ao comer, que pode aparecer meses depois;
  • acúmulo de saliva ou líquido sob a pele, em geral tratado com punção e curativo compressivo;
  • pequena depressão no contorno do rosto, onde ficava a glândula;
  • sangramento, infecção ou retorno do tumor, pouco frequentes.

Recuperação

Nos primeiros dias, é comum ter inchaço, sensação de repuxar e dormência. A dor costuma ser leve a moderada, controlada com analgésicos simples. A alimentação é liberada logo, e alimentos macios ajudam nos primeiros dias.

A maioria das pessoas volta ao trabalho em cerca de 1 a 2 semanas e aos exercícios após liberação médica. Se houver fraqueza para fechar o olho, é importante usar colírio lubrificante e proteger o olho, conforme orientação. Exercícios faciais, com fisioterapeuta ou fonoaudiólogo, podem ajudar na recuperação dos movimentos. Leia recuperação da cirurgia da parótida e o nervo facial.

Acompanhamento

O resultado da análise do tumor sai em alguns dias a poucas semanas e define os próximos passos. No adenoma pleomórfico, o acompanhamento costuma durar anos, porque o tumor pode voltar muito tempo depois. Em tumores malignos, as consultas incluem exames de imagem regulares.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

  • um caroço na frente ou embaixo da orelha que persiste por mais de 2 a 3 semanas;
  • crescimento rápido de um caroço já conhecido;
  • dor persistente na região da parótida;
  • fraqueza em parte do rosto, dificuldade para fechar o olho ou assimetria do sorriso;
  • ínguas no pescoço junto com o caroço;
  • um caroço na parótida em quem já tratou câncer de pele no rosto ou no couro cabeludo.

O cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço é o especialista que avalia e trata os tumores da parótida. O otorrinolaringologista também atende queixas das glândulas salivares e pode encaminhar para cirurgia. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A maioria dos tumores da parótida é benigna; o adenoma pleomórfico é o mais comum.
  • Ultrassom, punção e ressonância fazem o diagnóstico antes da cirurgia.
  • A parotidectomia é o tratamento principal e preserva o nervo facial sempre que possível.
  • Fraqueza do rosto após a cirurgia costuma ser temporária; a permanente é rara.
  • Crescimento rápido, dor ou fraqueza facial pedem avaliação rápida.

Perguntas frequentes

Todo caroço na parótida é tumor?

Não. A parótida também pode inchar por infecção, pedra no canal da saliva, doenças inflamatórias ou ínguas dentro da glândula. Um caroço que persiste por mais de 2 a 3 semanas, porém, deve ser avaliado com exame de imagem.

Tumor benigno da parótida pode virar câncer?

O adenoma pleomórfico tem um pequeno risco de se transformar em câncer quando fica muitos anos sem tratamento. Esse é um dos motivos pelos quais a cirurgia costuma ser recomendada. No tumor de Warthin, o risco de malignização é muito baixo.

O rosto pode ficar torto depois da parotidectomia?

Fraqueza temporária em parte do rosto pode acontecer, principalmente no canto da boca, e costuma se recuperar em semanas a meses. Paralisia permanente é rara na cirurgia de tumores benignos. O risco maior está em tumores grandes, malignos ou em reoperações.

Por que suo na bochecha quando como depois da cirurgia?

Isso se chama síndrome de Frey. Ela acontece porque pequenas fibras de nervo que estimulavam a saliva passam a estimular as glândulas de suor da pele. Pode surgir meses depois e, quando incomoda, há tratamentos que aliviam.

A orelha fica dormente depois da parotidectomia?

É comum ficar com dormência no lóbulo da orelha e na pele ao redor do corte. Isso acontece porque um nervo da sensibilidade passa pela região. A dormência costuma diminuir ao longo de meses, mas pode permanecer em parte.

Posso fazer biópsia com corte na parótida para saber o que é?

Em geral, evita-se abrir a glândula só para biópsia, porque isso pode espalhar células do tumor e dificultar a cirurgia depois. O diagnóstico costuma ser feito com punção por agulha guiada por ultrassom e com ressonância.

Vou ficar com a boca seca sem uma das parótidas?

Na maioria dos casos, não. As outras glândulas salivares continuam produzindo saliva suficiente. A boca seca importante é mais comum quando há radioterapia na região.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  3. National Cancer Institute (NCI) — Salivary Gland Cancer
  4. American Cancer Society — Salivary Gland Cancer

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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