Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Adenoma pleomórfico: o tumor benigno mais comum da parótida

Adenoma pleomórfico não é câncer: é um tumor benigno, que não se espalha para outras partes do corpo. Costuma aparecer como um caroço firme e sem dor na frente ou abaixo da orelha. O tratamento indicado na maioria das vezes é a cirurgia, porque ele não some sozinho, segue crescendo e, raramente, pode mudar de comportamento com o passar dos anos.

O que é o adenoma pleomórfico?

É um tumor que nasce das células da glândula salivar. A palavra "pleomórfico" quer dizer "de várias formas". No microscópio, ele mistura tipos diferentes de células e tecidos, por isso também é chamado de tumor misto benigno.

Ele aparece mais em adultos, principalmente na meia-idade, e é um pouco mais comum em mulheres. Mas pode surgir em qualquer idade, inclusive em jovens.

A causa exata não é conhecida. Não é uma doença contagiosa e não está ligada a algo que a pessoa tenha feito.

Quais são os sintomas do adenoma pleomórfico?

Na maioria das vezes, a pessoa só percebe um caroço. Ele costuma ser:

  • firme e arredondado;
  • móvel, que se mexe um pouco sob a pele;
  • indolor;
  • de crescimento lento, ao longo de meses ou anos.

Muitas pessoas convivem com o caroço por muito tempo antes de procurar o médico, justamente porque ele não incomoda.

Se aparecer no céu da boca, o sinal é uma elevação firme, recoberta por mucosa normal. Na glândula submandibular, é um caroço embaixo da mandíbula.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Por que operar um tumor benigno?

Essa é uma dúvida muito comum, e a resposta tem três partes.

  1. Ele continua crescendo. O adenoma pleomórfico não some e tende a aumentar. Tumores maiores exigem cirurgias maiores e ficam mais próximos do nervo facial.
  2. Ele pode virar câncer. Com os anos, uma pequena parte desses tumores se transforma em um câncer chamado carcinoma ex-adenoma pleomórfico. O risco aumenta quanto mais tempo o tumor fica sem tratamento.
  3. A cirurgia confirma o diagnóstico. A punção dá uma boa pista, mas é a análise do tumor inteiro que dá a resposta definitiva.

Por isso, na maioria dos casos, a retirada é a conduta recomendada. A decisão final considera a idade, a saúde geral e a vontade de cada pessoa.

Como é feito o diagnóstico?

O caminho segue a mesma lógica de qualquer nódulo na parótida:

  • Exame físico: o médico apalpa o caroço e avalia os movimentos do rosto.
  • Ultrassom: mostra um nódulo sólido, bem delimitado, com aspecto típico em muitos casos.
  • Punção aspirativa com agulha fina (PAAF): retira células para análise. Costuma identificar o adenoma pleomórfico com boa confiança.
  • Ressonância magnética: mostra o tamanho e a posição do tumor em relação ao nervo facial e ajuda a planejar a cirurgia.

E se eu decidir esperar?

A decisão de operar é sempre compartilhada entre o médico e o paciente. Algumas pessoas preferem adiar por motivos pessoais, de saúde ou de trabalho.

Nesse caso, o acompanhamento precisa ser próximo, com consultas e ultrassom periódicos. Vale saber, porém, que esperar muitos anos tem custos: o tumor cresce, a cirurgia tende a ficar maior e o risco de transformação em câncer aumenta com o tempo. Crescimento rápido, dor ou fraqueza no rosto são motivos para reavaliar sem demora.

Como é o tratamento do adenoma pleomórfico?

O tratamento é a retirada cirúrgica. Na parótida, a cirurgia se chama parotidectomia, que pode ser parcial ou total, conforme o tamanho e a posição do tumor.

Um ponto técnico faz muita diferença: o adenoma pleomórfico tem uma cápsula fina e, às vezes, pequenas projeções que saem dela. Por isso, ele não deve ser apenas "descascado". O cirurgião retira o tumor junto com uma margem de tecido normal da glândula ao redor. Isso reduz bastante a chance de o tumor voltar.

Durante a cirurgia, o nervo facial é identificado e preservado. Em muitos serviços, usa-se a monitorização do nervo, um aparelho que ajuda o cirurgião a localizá-lo. Os passos da cirurgia estão em parotidectomia: como é a cirurgia da parótida.

O que esperar depois da cirurgia?

Em geral, a internação é curta e as atividades leves são retomadas em algumas semanas. O prazo varia conforme o caso e o tamanho da cirurgia. Os efeitos mais comuns são:

  • dormência na orelha e na pele ao redor da cicatriz;
  • inchaço local nos primeiros dias;
  • em algumas pessoas, fraqueza temporária em parte do rosto.

A fraqueza, quando acontece, na maioria das vezes é passageira. Os detalhes estão em recuperação da cirurgia da parótida e o nervo facial.

Depois da cirurgia, o acompanhamento com consultas e exames de imagem ajuda a identificar cedo uma eventual volta do tumor.

Quando procurar um médico?

Procure o cirurgião de cabeça e pescoço se você notar:

  • caroço na frente ou embaixo da orelha que não some;
  • caroço embaixo da mandíbula ou elevação firme no céu da boca;
  • nódulo já conhecido que começou a crescer mais rápido;
  • dor, fraqueza no rosto ou dormência junto com o caroço;
  • caroço que voltou no local de uma cirurgia antiga.

Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O adenoma pleomórfico é um tumor benigno, o mais comum da parótida.
  • Costuma ser um caroço firme, que não dói e cresce devagar.
  • Mesmo benigno, em geral é retirado, porque cresce e pode virar câncer com os anos.
  • A cirurgia retira o tumor com margem e preserva o nervo facial.
  • O acompanhamento depois da cirurgia ajuda a detectar uma eventual volta.

Perguntas frequentes

Adenoma pleomórfico é câncer?

Não. É um tumor benigno, que não se espalha para outras partes do corpo. O cuidado vem do fato de que, se ficar muitos anos sem tratamento, uma pequena parte desses tumores pode se transformar em câncer.

Por que o adenoma pleomórfico tem esse nome?

Pleomórfico quer dizer 'de várias formas'. No microscópio, o tumor mistura tipos diferentes de células e de tecido. Por isso ele também é chamado de tumor misto benigno.

O adenoma pleomórfico pode voltar depois da cirurgia?

Pode, mas é pouco comum quando o tumor é retirado com uma margem de tecido normal ao redor. A volta é mais frequente quando o tumor é aberto ou retirado de forma incompleta. Por isso a técnica cirúrgica faz diferença.

Dá para tratar o adenoma pleomórfico sem cirurgia?

Não existe remédio ou tratamento que faça esse tumor desaparecer. Em pessoas com risco cirúrgico muito alto, o médico pode discutir acompanhamento, mas, para a maioria, a retirada é a conduta recomendada.

O adenoma pleomórfico só aparece na parótida?

É mais comum na parótida, mas também pode surgir na glândula submandibular e nas glândulas salivares menores, como as do céu da boca. Nesses locais, a investigação e o tratamento seguem a mesma lógica.

Fontes

  1. American Cancer Society — What Is Salivary Gland Cancer?
  2. American Cancer Society — Surgery for Salivary Gland Cancer
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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