Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Recuperação da parotidectomia: dia a dia e o nervo facial

Depois da parotidectomia, a cirurgia da parótida, a maioria das pessoas passa pouco tempo no hospital e sente mais repuxamento e dormência do que dor forte. A recuperação da parotidectomia é gradual, e cada fase tem seus cuidados, da ferida ao olho. O ponto que mais preocupa, a força do rosto, em geral se normaliza quando há alguma fraqueza.

Como é a recuperação da parotidectomia dia a dia?

O ritmo varia de pessoa para pessoa e conforme o tamanho da cirurgia. A tabela mostra a sequência mais comum, mas os prazos variam conforme o caso e são definidos pela equipe.

Fase O que é comum
Dia da cirurgia Acordar com curativo, às vezes com um dreno fino; dor leve a moderada; líquidos assim que liberados
Primeiros dias Retirada do dreno, quando houver, e alta hospitalar
Primeira semana Inchaço e repuxamento na região; dormência na orelha; comida macia ajuda
Consulta de revisão Retirada dos pontos, quando não são absorvíveis; conversa sobre o resultado da análise
Primeiras semanas Volta gradual ao trabalho leve e à rotina, conforme a orientação médica
Semanas seguintes Liberação aos poucos de exercícios mais pesados
Meses seguintes A cicatriz clareia; a dormência diminui; se houve fraqueza no rosto, a força vai voltando

O resultado da análise do tumor costuma ser discutido na consulta de revisão. Se você ainda está entendendo como a cirurgia é feita, veja parotidectomia: como é a cirurgia da parótida.

Quais cuidados ter em casa?

As orientações mais comuns são:

  • manter o curativo limpo e seco, conforme a orientação da equipe;
  • dormir com a cabeceira um pouco elevada nos primeiros dias, para reduzir o inchaço;
  • evitar esforço físico, levantar peso e abaixar a cabeça nas primeiras semanas, pelo tempo que a equipe orientar;
  • preferir comidas macias nos primeiros dias, se mastigar incomodar;
  • usar apenas os remédios prescritos, sem anti-inflamatório por conta própria;
  • proteger a cicatriz do sol nos primeiros meses;
  • não fumar, porque o cigarro atrapalha a cicatrização.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

O que acontece com o nervo facial depois da parotidectomia?

O nervo facial passa por dentro da parótida e movimenta a testa, as pálpebras, as bochechas e a boca. Durante a cirurgia, ele é localizado e preservado sempre que possível. Mesmo assim, pode ficar "atordoado" por ter sido manipulado.

Fraqueza temporária

É a situação mais comum quando o nervo sente a cirurgia. Pode atingir o rosto todo daquele lado ou só uma parte, como o canto da boca. A pessoa pode notar:

  • sorriso torto para um lado;
  • dificuldade para fechar o olho por completo;
  • dificuldade para levantar a sobrancelha;
  • comida ou líquido escapando pelo canto da boca.

Quando o nervo foi apenas esticado ou manipulado, a força costuma voltar aos poucos, ao longo de semanas a alguns meses.

Fraqueza permanente

É bem menos comum quando o nervo é preservado. O risco é maior em tumores grandes ou profundos, em cirurgias repetidas e em cânceres que envolvem o nervo. Quando o nervo precisa ser retirado, existem técnicas de reconstrução e de reabilitação para devolver movimento e proteger o olho.

Como cuidar do olho se ele não fechar bem?

Se a pálpebra não fecha por completo, o olho pode ressecar. Os cuidados mais usados são:

  • colírio lubrificante durante o dia, conforme a prescrição;
  • pomada ou gel lubrificante à noite, quando indicado;
  • fechar a pálpebra com fita apropriada para dormir, se o médico orientar;
  • óculos para proteger do vento e da poeira.

Procure o médico se o olho ficar vermelho, dolorido ou com a visão embaçada. Em alguns casos, o oftalmologista também acompanha.

Fisioterapia ajuda na recuperação do rosto?

Pode ajudar. A fisioterapia ou fonoaudiologia voltada para o rosto ajuda a coordenar os movimentos enquanto o nervo se recupera. Os exercícios são orientados por profissional e feitos em casa.

Quais outros efeitos podem aparecer?

  • Dormência na orelha: muito comum. Afeta o lóbulo e a pele ao redor. Costuma diminuir ao longo de meses, mas pode ficar uma área pequena com menos sensibilidade.
  • Acúmulo de líquido ou saliva sob a pele: aparece como um inchaço mole. Pode precisar de drenagem com agulha e curativo compressivo.
  • Síndrome de Frey: meses depois, a pele da região pode suar ou ficar vermelha ao comer. Nem todos percebem, e há tratamento para quem se incomoda.
  • Leve afundamento na região: pode ficar onde estava a glândula, principalmente em cirurgias maiores.

Se o tumor retirado foi maligno, o plano pode incluir radioterapia depois da cirurgia. Isso está explicado em câncer de glândula salivar.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento sem esperar a consulta de revisão se tiver:

  • febre ou calafrios;
  • inchaço que cresce rápido ou fica endurecido e dolorido;
  • sangramento que não para com leve pressão;
  • saída de secreção, pus ou líquido claro pela ferida;
  • vermelhidão que se espalha pela pele;
  • olho vermelho, dolorido ou com visão embaçada;
  • fraqueza no rosto que aparece ou piora dias depois da cirurgia.

O acompanhamento é feito pelo cirurgião de cabeça e pescoço que realizou a cirurgia, com apoio de fisioterapeuta, fonoaudiólogo ou oftalmologista quando necessário. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • Na recuperação da parotidectomia, a volta às atividades leves leva algumas semanas e varia conforme o caso.
  • Dormência na orelha é comum e tende a diminuir com os meses.
  • A fraqueza no rosto, quando acontece, é na maioria das vezes temporária.
  • Se o olho não fecha bem, lubrificar e proteger é essencial.
  • Febre, inchaço que cresce ou secreção na ferida pedem avaliação rápida.

Perguntas frequentes

A parotidectomia dói muito?

A maioria das pessoas descreve dor leve a moderada, controlada com analgésicos comuns prescritos pelo médico. A sensação mais relatada é de repuxamento e dormência na região, mais do que dor forte.

Quando posso tomar banho depois da parotidectomia?

Em geral, o banho é liberado nos primeiros dias, conforme a orientação da equipe, com cuidado para não esfregar a ferida. Secar com toque suave e seguir as orientações sobre curativo evita problemas. Cada equipe tem sua rotina.

A dormência da orelha passa?

Costuma diminuir aos poucos, ao longo de meses. Em algumas pessoas, fica uma área pequena com menos sensibilidade no lóbulo, que em geral não atrapalha a vida. Cuidado com brincos pesados e com frio intenso na região.

Posso dirigir depois da parotidectomia?

Dirigir costuma ser liberado quando você consegue virar o pescoço com conforto e já não usa remédios que dão sono. Se o olho não fecha bem, o médico avalia antes de liberar. O prazo varia conforme o caso.

O rosto torto depois da cirurgia volta ao normal?

Na maioria das vezes, sim. Quando o nervo foi preservado, a fraqueza costuma ser temporária e a força retorna em semanas a meses. Em casos menos comuns, pode ficar alguma fraqueza permanente, e existem tratamentos para ajudar.

Fontes

  1. American Cancer Society — Surgery for Salivary Gland Cancer
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. Manual MSD — Versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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