Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Glândulas salivares: onde ficam e o que pode dar errado

As glândulas salivares são as fábricas de saliva do corpo, e trabalham o dia todo, com mais força na hora de comer. São três pares principais, dos dois lados do rosto, além de centenas de glândulas pequenas na boca. Quando algo dá errado, na maioria das vezes é uma inflamação, uma pedrinha no canal ou um caroço benigno.

Onde ficam as glândulas salivares?

Temos três pares de glândulas salivares maiores, um de cada lado do rosto:

  • Parótidas: as maiores. Ficam na frente e um pouco abaixo da orelha, sobre o ângulo da mandíbula. O canal delas se abre na parte de dentro da bochecha, na altura do segundo molar de cima.
  • Submandibulares: ficam embaixo da mandíbula, na parte lateral do "queixo". O canal se abre no assoalho da boca, embaixo da língua, bem na frente, dos dois lados do "freio" da língua.
  • Sublinguais: as menores das três. Ficam embaixo da língua, no assoalho da boca.

Além delas, existem centenas de glândulas salivares menores nos lábios, nas bochechas, no céu da boca e na garganta. Elas são pequenas demais para serem sentidas, mas também podem inflamar ou formar nódulos.

Para que serve a saliva?

A saliva faz muito mais do que deixar a boca úmida. Ela:

  • ajuda a mastigar, formar o bolo de comida e engolir;
  • começa a digestão de alguns alimentos;
  • protege os dentes contra a cárie;
  • ajuda a combater germes na boca;
  • facilita a fala e o uso de prótese dentária;
  • dissolve os alimentos para que a língua perceba o sabor.

Quando falta saliva, a pessoa sente a boca seca, tem mais cárie e mais dificuldade para comer.

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Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

O que pode dar errado nas glândulas salivares?

Os problemas mais frequentes se dividem em quatro grupos.

Problema O que é Sinal típico
Infecção (sialoadenite) Inflamação da glândula por vírus ou bactéria Inchaço doloroso, às vezes com febre
Pedra no canal (cálculo) Uma "pedrinha" que entope a saída da saliva Inchaço e dor na hora de comer
Nódulo ou tumor Um caroço dentro da glândula Bolinha firme que cresce devagar
Boca seca Pouca produção de saliva Boca grudenta, sede, dificuldade para engolir

A caxumba é a infecção viral mais conhecida e atinge principalmente as parótidas. Já a infecção por bactéria costuma aparecer em pessoas desidratadas, idosas ou que acabaram de passar por uma cirurgia. Você pode entender a diferença entre elas no texto sobre parotidite, a inflamação da parótida.

A pedra na glândula é mais comum na submandibular. A saliva dela é mais grossa e o canal sobe contra a gravidade, o que favorece o acúmulo. O sintoma clássico é a glândula inchar quando a pessoa começa a comer. Veja mais em cálculo salivar: sintomas e tratamento.

Os nódulos aparecem mais na parótida, e a grande maioria dos que surgem ali é benigna. Mesmo assim, todo caroço novo nessa região precisa ser investigado.

Algumas doenças do corpo todo também atingem as glândulas salivares. Um exemplo é a síndrome de Sjögren, uma doença autoimune (quando a defesa do corpo ataca o próprio organismo) que seca a boca e os olhos.

Quais são os sintomas de problema nas glândulas salivares?

Os sinais mais comuns são:

  • inchaço na frente da orelha ou embaixo da mandíbula;
  • dor ou inchaço que piora ao comer;
  • gosto ruim ou pus saindo dentro da boca;
  • caroço que não some;
  • boca seca persistente;
  • vermelhidão e calor na pele sobre a glândula;
  • dificuldade para abrir a boca.

Um caroço nessa região nem sempre vem da glândula. Muitas vezes é um linfonodo, a popular "íngua". O médico diferencia um do outro pelo exame e pelo ultrassom. Se o seu caso é um caroço, o texto caroço no pescoço: o que pode ser ajuda a entender as possibilidades.

Como o médico investiga as glândulas salivares?

A avaliação começa com conversa e exame físico. O médico apalpa a glândula por fora e por dentro da boca e observa a saída da saliva pelo canal.

Depois, os exames mais usados são:

  • Ultrassom: costuma ser o primeiro. Mostra pedras, inflamação, cistos e nódulos.
  • Tomografia ou ressonância: ajudam a ver o tamanho e a posição exata de um nódulo ou de uma pedra.
  • Punção com agulha fina (PAAF): retira células de um nódulo para análise no microscópio.
  • Sialoendoscopia: exame com uma câmera bem fina que entra pelo canal da glândula. Serve para ver e, às vezes, tratar pedras e estreitamentos.
  • Exames de sangue: usados quando há suspeita de doença autoimune ou infecção.

Quem trata as doenças das glândulas salivares?

Depende do problema. A caxumba e as infecções simples costumam ser tratadas pelo pediatra ou pelo clínico geral. A boca seca por doença autoimune fica com o reumatologista, junto com o dentista.

Já os nódulos, as pedras que não saem sozinhas, as infecções que voltam e os casos que precisam de cirurgia são avaliados pelo cirurgião de cabeça e pescoço. O otorrinolaringologista também atende parte desses casos.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

  • caroço na frente da orelha, embaixo da mandíbula ou embaixo da língua;
  • inchaço ou caroço que dura mais de 2 a 3 semanas;
  • inchaço que volta sempre na hora das refeições;
  • febre com dor e pus dentro da boca;
  • fraqueza em um lado do rosto, como dificuldade para fechar o olho ou sorrir;
  • boca seca que atrapalha comer ou falar.

Procure atendimento no mesmo dia se houver febre alta, inchaço que cresce rápido ou dificuldade para engolir ou respirar. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • As glândulas salivares principais são a parótida, a submandibular e a sublingual.
  • Os problemas mais comuns são infecção, pedra no canal, nódulos e boca seca.
  • A maioria dos nódulos da parótida é benigna, mas todo caroço novo deve ser investigado.
  • O ultrassom costuma ser o primeiro exame.
  • Nódulos, pedras que não saem e infecções repetidas são avaliados pelo cirurgião de cabeça e pescoço.

Perguntas frequentes

Quantas glândulas salivares a gente tem?

São três pares de glândulas maiores: as parótidas, as submandibulares e as sublinguais. Além delas, existem centenas de glândulas salivares menores espalhadas pela boca, lábios, céu da boca e garganta, pequenas demais para serem vistas a olho nu.

Dá para viver sem uma glândula salivar?

Sim. Quando uma glândula precisa ser retirada, as outras continuam produzindo saliva. Na maioria das pessoas, a diferença na quantidade de saliva quase não é percebida no dia a dia.

Glândula salivar inchada é sempre infecção?

Não. O inchaço pode vir de infecção, de uma pedra que entope o canal, de doenças autoimunes ou de um nódulo. Por isso, inchaço que dura mais de 2 a 3 semanas ou que volta com frequência precisa ser examinado.

Beber pouca água afeta as glândulas salivares?

Pode afetar. Com o corpo desidratado, a saliva fica mais grossa e escorre menos pelos canais. Isso favorece infecções e a formação de pedras, principalmente em idosos e em pessoas que tomam remédios que secam a boca.

Ultrassom mostra problema na glândula salivar?

Mostra, e costuma ser o primeiro exame pedido. O ultrassom vê pedras, inflamação, cistos e nódulos sem radiação e sem agulha. Em alguns casos, o médico complementa com tomografia, ressonância ou punção.

Fontes

  1. American Cancer Society — Salivary Gland Cancer
  2. National Institute of Dental and Craniofacial Research (NIDCR) — Dry Mouth
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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