Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Nódulo na parótida: é câncer?

Na maior parte dos casos, não: o nódulo na parótida costuma ser um tumor benigno, que cresce devagar e não se espalha. Ainda assim, uma parte menor é maligna, e só os exames conseguem separar um tipo do outro. Por isso, todo caroço novo na frente ou abaixo da orelha merece investigação, sem pânico e sem adiar.

O que é um nódulo na parótida?

A parótida é a maior glândula salivar. Fica na frente da orelha e desce até o ângulo da mandíbula. Um nódulo é um caroço, uma "bolinha", que cresce dentro dela.

Em geral, a pessoa percebe o nódulo ao lavar o rosto, fazer a barba ou pentear o cabelo. Ele costuma ser firme, se mexe um pouco sob a pele e cresce devagar, ao longo de meses ou anos.

Um detalhe importante: o nervo facial, que movimenta os músculos do rosto, passa por dentro da parótida. É por isso que o planejamento de qualquer tratamento nessa glândula é cuidadoso.

Nódulo na parótida é câncer?

Na maior parte dos casos, não. Segundo a American Cancer Society, a maioria dos tumores de glândula salivar é benigna, e a parótida é onde a maior parte deles aparece.

Os tipos mais comuns são:

Tipo O que é Características
Adenoma pleomórfico Tumor benigno mais comum Cresce devagar; em uma pequena parte dos casos, pode virar câncer com os anos se não for retirado
Tumor de Warthin Segundo benigno mais comum Mais comum em fumantes e acima dos 50 anos; pode ser dos dois lados
Linfonodo intraparotídeo Íngua dentro da glândula Pode reagir a infecções ou, mais raramente, a um câncer de pele
Cisto Bolsa com líquido Pode ter várias causas
Tumor maligno Câncer da glândula salivar Menos frequente; há vários tipos, de crescimento lento a rápido

Você pode conhecer cada um nos textos sobre adenoma pleomórfico e tumor de Warthin.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quais sinais deixam o médico mais atento?

Alguns sinais aumentam a suspeita de um tumor maligno:

  • crescimento rápido, em semanas;
  • dor constante no nódulo;
  • fraqueza em um lado do rosto, como dificuldade para fechar o olho ou entortar a boca;
  • nódulo duro e preso, que não se mexe;
  • dormência na pele do rosto;
  • ínguas no pescoço do mesmo lado;
  • ferida na pele sobre o nódulo.

Esses sinais não confirmam câncer, mas pedem investigação sem demora. Os tipos de câncer da glândula estão explicados em câncer de glândula salivar.

Como é feita a investigação?

A investigação costuma seguir uma sequência.

1. Consulta e exame físico

O médico apalpa o nódulo, avalia os movimentos do rosto, examina a boca e o pescoço. Também pergunta sobre cigarro e sobre câncer de pele já tratado no rosto ou no couro cabeludo.

2. Ultrassom

Mostra o tamanho, o formato e se o nódulo é sólido ou tem líquido. Também avalia os linfonodos do pescoço.

3. Punção aspirativa com agulha fina (PAAF)

Uma agulha bem fina, guiada pelo ultrassom, retira células do nódulo para análise no microscópio. Em alguns casos, usa-se uma agulha um pouco mais grossa, a biópsia por agulha grossa, para retirar um fragmento maior.

A retirada de um pedaço do nódulo com um corte aberto costuma ser evitada na parótida. O nódulo, quando indicado, é retirado inteiro na cirurgia.

4. Ressonância magnética

Mostra a posição do nódulo em relação ao nervo facial e ajuda a planejar a cirurgia. Em alguns casos, o médico pede tomografia.

Quando o nódulo na parótida precisa ser operado?

A cirurgia de retirada da parótida, total ou parcial, se chama parotidectomia. Ela costuma ser indicada quando:

  • a punção mostra adenoma pleomórfico;
  • a punção é suspeita ou mostra câncer;
  • o resultado é indeterminado e não dá para descartar malignidade;
  • o nódulo cresce, dói ou incomoda.

Em alguns casos, principalmente no tumor de Warthin confirmado, em pessoas mais velhas ou com risco cirúrgico alto, o acompanhamento com ultrassom pode ser uma opção.

E se o resultado da punção vier indeterminado?

Isso acontece com alguma frequência. Os tumores de glândula salivar são muito variados, e nem sempre a pequena amostra da punção é suficiente para dar um nome ao nódulo.

Um resultado indeterminado não quer dizer câncer. Quer dizer que as células não permitiram uma conclusão segura. Nesses casos, o médico pode repetir a punção, fazer uma biópsia com agulha mais grossa ou indicar a cirurgia, que retira o nódulo inteiro e permite a análise completa.

Como é a cirurgia, os cuidados com o nervo facial e os riscos reais estão explicados em parotidectomia: como é a cirurgia da parótida.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

  • caroço na frente, embaixo ou atrás da orelha que não some em 2 a 3 semanas;
  • caroço que cresce;
  • fraqueza ou paralisia em um lado do rosto;
  • dor persistente na região da orelha ou da mandíbula;
  • ínguas no pescoço junto com o caroço;
  • nódulo em quem já tratou câncer de pele do rosto ou do couro cabeludo.

O especialista indicado é o cirurgião de cabeça e pescoço. Ele conduz a investigação e, quando preciso, a cirurgia. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A maioria dos nódulos na parótida é benigna.
  • O adenoma pleomórfico é o tipo mais comum e costuma ser retirado.
  • Ultrassom, punção e ressonância esclarecem a maioria dos casos.
  • Crescimento rápido, dor e fraqueza no rosto pedem avaliação sem demora.
  • O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista indicado.

Perguntas frequentes

Nódulo na parótida que não dói é bom sinal?

A maioria dos nódulos benignos não dói, mas muitos cânceres iniciais também não doem. Por isso, a ausência de dor não serve para dizer se o nódulo é benigno ou maligno. Quem esclarece são os exames.

Nódulo benigno da parótida precisa ser operado?

Muitas vezes, sim. O adenoma pleomórfico, o tipo benigno mais comum, continua crescendo e, com os anos, pode raramente se transformar em câncer. Já o tumor de Warthin, em alguns casos, pode apenas ser acompanhado. A decisão é individual.

A punção da parótida é segura?

Sim. A punção com agulha fina é feita no consultório ou na clínica de imagem, costuma ser guiada por ultrassom e dura poucos minutos. O risco de lesão do nervo do rosto com a agulha fina é muito baixo.

Nódulo na parótida pode ser metástase?

Pode, embora seja menos comum. A parótida tem linfonodos que recebem a drenagem da pele do rosto, da orelha e do couro cabeludo. Por isso, quem já teve câncer de pele nessas regiões deve contar isso ao médico.

Nódulo na parótida some sozinho?

Um tumor verdadeiro não some sozinho. O que pode regredir é um linfonodo inflamado ou um inchaço por infecção. Se o caroço continua depois de 2 a 3 semanas, ele precisa ser investigado.

Fontes

  1. American Cancer Society — What Is Salivary Gland Cancer?
  2. National Cancer Institute — Salivary Gland Cancer Treatment (PDQ), versão para pacientes
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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