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Reconstrução de cabeça e pescoço: o que é e como funciona
Quando um tumor é retirado da boca, do rosto ou do pescoço, fica um espaço que precisa ser preenchido. A reconstrução de cabeça e pescoço cuida disso, muitas vezes na mesma cirurgia, usando tecidos da própria pessoa, como pele, músculo ou osso, ou próteses. A meta é que a pessoa consiga voltar a comer, falar e respirar da forma mais próxima possível do que era antes.
O que é a reconstrução de cabeça e pescoço?
A cabeça e o pescoço reúnem, em pouco espaço, estruturas que usamos o tempo todo: lábios, língua, dentes, mandíbula, céu da boca, garganta, nariz, olhos e orelhas. Quando um tumor é retirado dessa região, o espaço que fica pode prejudicar muito a vida diária.
A reconstrução serve para preencher esse espaço e recuperar o máximo possível de função e forma. Na maioria das vezes, ela é planejada junto com a retirada do tumor e feita na mesma cirurgia. Isso se chama reconstrução imediata.
Em outras situações, a reconstrução é feita depois, para corrigir sequelas de tratamentos anteriores. Um resumo do tema está em reconstrução após cirurgia de cabeça e pescoço.
Quando a reconstrução é necessária?
As situações mais comuns são:
- Câncer de boca e de língua: a retirada de parte da língua ou do assoalho da boca pode exigir reposição de tecido para falar e engolir. Veja câncer de língua e o guia de câncer de boca.
- Tumores da mandíbula e da maxila: a retirada de osso pede reconstrução para manter o contorno do rosto e a mastigação. Leia tumores da mandíbula e da maxila.
- Câncer de pele do rosto: tumores grandes no nariz, nas pálpebras, nos lábios ou nas orelhas. Veja cirurgia de câncer de pele no rosto e reconstrução.
- Tumores de garganta e laringe: parte da faringe pode precisar ser refeita após cirurgias extensas. Leia laringectomia.
- Tumores do nariz e dos seios da face: a retirada pode envolver o céu da boca ou a órbita. Veja câncer de nariz e seios da face.
- Outras causas: traumas, infecções graves e sequelas de radioterapia, como a osteorradionecrose (dano ao osso causado pela radiação).
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Quais são as opções de reconstrução?
Os cirurgiões costumam pensar em uma escada de opções, da mais simples à mais complexa. A escolha depende do tamanho da área, do tipo de tecido que falta e da saúde da pessoa.
| Opção | O que é | Quando costuma ser usada |
|---|---|---|
| Fechamento direto | Aproximar as bordas com pontos | Áreas pequenas |
| Cicatrização natural | Deixar a ferida fechar sozinha, com curativos | Algumas áreas pequenas da pele ou da boca |
| Enxerto | Pele ou mucosa retirada de outra região, sem vasos próprios | Áreas rasas |
| Retalho local | Tecido vizinho deslocado, com seus vasos | Defeitos pequenos e médios no rosto |
| Retalho regional | Músculo e pele do peito ou do pescoço, girados até a área | Defeitos médios ou pessoas sem condição para cirurgias longas |
| Retalho microcirúrgico | Tecido de outra parte do corpo, com artéria e veia religadas ao microscópio | Defeitos grandes, complexos ou com osso |
Retalhos microcirúrgicos
Nos retalhos microcirúrgicos, também chamados de retalhos livres, o tecido é retirado junto com sua artéria e sua veia. Depois, esses vasos são costurados em vasos do pescoço, com ajuda de um microscópio. As áreas doadoras mais usadas são:
- antebraço: pele fina e maleável, útil para a língua e a boca;
- coxa: pele e gordura em maior quantidade, para defeitos grandes;
- fíbula, o osso fino da perna: para reconstruir a mandíbula.
Próteses
Nem toda reconstrução é feita com tecido. Para falhas no céu da boca, pode ser usado um obturador, uma prótese removível que fecha a comunicação entre a boca e o nariz. Para orelha, nariz ou região dos olhos, existem próteses faciais feitas sob medida. Implantes dentários ajudam a devolver a mastigação. Essa parte envolve o cirurgião bucomaxilofacial e o dentista especializado em próteses da face.
Como é feito o planejamento?
O planejamento começa com os exames usados para avaliar o tumor, como tomografia e ressonância. Eles mostram quanto tecido e quanto osso precisarão ser retirados.
Quando a área doadora é a perna, costuma ser feito um exame dos vasos das pernas, para confirmar que a circulação permite retirar a fíbula com segurança. Em alguns centros, a reconstrução da mandíbula é planejada em computador, com modelos em 3D e guias que orientam os cortes.
O tratamento é feito em equipe. Ela costuma reunir o cirurgião de cabeça e pescoço, o cirurgião plástico, o cirurgião bucomaxilofacial, o anestesista, a fonoaudiologia, a fisioterapia, a nutrição e a enfermagem. Quando há câncer, também participam a oncologia clínica e a radioterapia.
Como é a cirurgia, passo a passo?
Nas reconstruções maiores, com retalho microcirúrgico, o roteiro costuma ser:
- A cirurgia é feita com anestesia geral.
- O tumor é retirado com margem de segurança, muitas vezes junto com os linfonodos do pescoço.
- O cirurgião prepara uma artéria e uma veia do pescoço para receber o retalho.
- Ao mesmo tempo ou em seguida, o retalho é retirado da área doadora.
- O retalho é levado até a área a ser reconstruída e moldado no formato necessário.
- A artéria e a veia do retalho são costuradas aos vasos do pescoço, com microscópio.
- A área doadora é fechada com pontos ou coberta com um enxerto de pele.
- Muitas vezes, é feita uma traqueostomia temporária e colocada uma sonda para alimentação.
Essas cirurgias costumam levar várias horas. Reconstruções mais simples, com enxertos ou retalhos locais, levam bem menos tempo.
Quais são os riscos?
A reconstrução de cabeça e pescoço é uma cirurgia de grande porte, e os riscos devem ser conversados com calma antes. Os principais são:
- Problema de circulação no retalho: um coágulo na artéria ou na veia pode comprometer o retalho. Por isso, ele é vigiado de perto nos primeiros dias. Às vezes, é preciso voltar ao centro cirúrgico para corrigir a ligação dos vasos.
- Perda do retalho: incomum, mas possível; nesse caso, outra forma de reconstrução é planejada.
- Problemas na área doadora: cicatriz, dormência, fraqueza ou demora na cicatrização do enxerto.
- Fístula: vazamento de saliva pela pele do pescoço, que costuma fechar com cuidados.
- Infecção e sangramento.
- Complicações gerais de cirurgias longas: pneumonia e trombose nas pernas, que a equipe previne com cuidados específicos.
A cicatrização pode ser mais lenta em quem já fez radioterapia na região, em fumantes e em pessoas com diabetes ou desnutrição. Parar de fumar e cuidar da alimentação antes da cirurgia ajudam.
Como é a recuperação e o acompanhamento?
Nos primeiros dias, a equipe vigia o retalho com frequência, observando cor, temperatura e, às vezes, o fluxo de sangue com um aparelho de doppler. A pessoa pode passar um período na UTI (unidade de terapia intensiva).
A alimentação costuma ser feita por sonda no início. Depois, a fonoaudiologia ajuda a recuperar a deglutição e a fala. A fisioterapia trabalha a respiração, os movimentos do ombro e, quando a fíbula é usada, a marcha. A internação dura de dias a algumas semanas, conforme o tamanho da cirurgia.
Mudanças na aparência e na forma de falar ou comer mexem com a autoestima. É comum sentir insegurança nos primeiros meses. O apoio psicológico, a conversa com a equipe e, quando disponível, o contato com grupos de pacientes ajudam nessa adaptação. O inchaço do rosto e do pescoço diminui aos poucos, e o aspecto final da reconstrução costuma ficar mais claro após alguns meses.
Quando há câncer, a radioterapia pode vir algumas semanas depois. A reabilitação dental, com próteses ou implantes, costuma ser planejada mais adiante. O acompanhamento inclui consultas regulares para vigiar o tumor e cuidar dos efeitos do tratamento.
Quando procurar um médico?
Antes da cirurgia, vale levar as dúvidas para a consulta: qual tipo de reconstrução está previsto, de onde virá o tecido e como será a reabilitação.
Depois da cirurgia, avise a equipe o quanto antes se notar:
- mudança de cor do retalho, que fica arroxeado, muito pálido ou frio;
- inchaço que aumenta rápido no pescoço ou no rosto;
- febre, vermelhidão ou pus na ferida;
- saída de saliva pela pele;
- falta de ar ou dificuldade para respirar.
A reconstrução de cabeça e pescoço é conduzida pelo cirurgião ou pela cirurgiã de cabeça e pescoço, muitas vezes junto com o cirurgião plástico e o cirurgião bucomaxilofacial. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- A reconstrução repara a área de onde um tumor ou uma lesão foi retirada.
- O foco é preservar fala, mastigação, deglutição, respiração e aparência.
- As opções vão de pontos simples a retalhos microcirúrgicos e próteses.
- Os primeiros dias exigem vigilância do retalho e reabilitação precoce.
- O trabalho é feito em equipe, do planejamento ao acompanhamento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura uma cirurgia com reconstrução por retalho?
Varia bastante. Quando envolve um retalho microcirúrgico, a cirurgia costuma levar várias horas, porque inclui a retirada do tumor, o preparo do retalho e a ligação dos vasos sanguíneos.
O retalho tem pelos ou cor diferente da pele do rosto?
Pode ter. A pele retirada do braço ou da coxa pode ter cor, textura e pelos diferentes. Com o tempo e, às vezes, com pequenos ajustes, o aspecto tende a ficar mais harmônico.
Depois da reconstrução da mandíbula dá para colocar implante dentário?
Em muitos casos, sim. Quando a mandíbula é reconstruída com osso, como o da fíbula, os implantes podem ser planejados depois da cicatrização, conforme o caso e o uso de radioterapia.
Tirar o osso da perna atrapalha para andar?
A fíbula é um osso fino que não sustenta a maior parte do peso do corpo. A maioria das pessoas volta a andar normalmente depois da recuperação, às vezes com apoio da fisioterapia.
A reconstrução atrapalha o tratamento do câncer?
O planejamento sempre prioriza a retirada completa do tumor. A reconstrução vem em seguida e, ao favorecer uma boa cicatrização, costuma permitir que a radioterapia comece no tempo previsto.
Reconstrução de cabeça e pescoço é cirurgia plástica?
É uma cirurgia reparadora, com foco em função e aparência. Ela pode ser feita pelo cirurgião de cabeça e pescoço, pelo cirurgião plástico ou pelos dois juntos, conforme a formação da equipe e o tipo de reconstrução.
Dá para fazer a reconstrução depois, em outra cirurgia?
Sim. Na maioria das vezes, ela é feita na mesma cirurgia da retirada do tumor, mas também pode ser feita depois, para corrigir sequelas ou após o fim da radioterapia.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
- Instituto Nacional de Câncer (INCA)
- American Cancer Society
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.