Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Cistos e tumores do pescoço

Reconstrução após cirurgia de cabeça e pescoço: como funciona

Depois que um tumor da boca, da garganta, do rosto ou da mandíbula é retirado, a reconstrução de cabeça e pescoço preenche o espaço que ficou. O foco principal é a função, sem deixar de lado a aparência. Na maioria das vezes, ela é feita na mesma cirurgia, com tecidos da própria pessoa.

Por que a reconstrução de cabeça e pescoço é necessária?

Tratar um tumor da cabeça e do pescoço muitas vezes exige retirar uma parte dos tecidos ao redor, com margem de segurança. Essa região concentra funções essenciais em pouco espaço: a língua, os dentes, a mandíbula, a laringe e a pele do rosto.

Sem reconstrução, a falta desses tecidos poderia atrapalhar:

  • a fala;
  • a deglutição (o ato de engolir);
  • a mastigação;
  • a respiração;
  • a proteção de estruturas como a artéria carótida;
  • a aparência do rosto e do pescoço.

Por isso, a reconstrução faz parte do planejamento desde a primeira consulta, e não é um "extra" no fim.

Quais são os tipos de reconstrução?

Os cirurgiões costumam pensar em uma escada, do mais simples ao mais complexo. Escolhe-se a opção que resolve cada caso com segurança.

Opção Como funciona Exemplo de uso
Fechamento direto Aproxima as bordas com pontos Feridas pequenas
Cicatrização natural A ferida fecha sozinha, com curativos Algumas áreas da boca e da pele
Enxerto Pele fina retirada de outra área e colocada sobre a ferida Pele do rosto e couro cabeludo
Retalho local Tecido vizinho deslocado, mantendo sua circulação Nariz, bochecha, lábio
Retalho regional Tecido de uma região próxima, como o peito, girado até o pescoço Pescoço, boca, casos de maior risco
Retalho microcirúrgico Tecido de outra parte do corpo, com seus vasos religados no pescoço Língua, mandíbula, garganta

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Como funciona a reconstrução com microcirurgia?

Na reconstrução microcirúrgica, também chamada de retalho livre, o cirurgião retira um bloco de tecido de outra região do corpo junto com a artéria e a veia que o alimentam. Depois, costura esses vasos a vasos do pescoço, com ajuda de microscópio.

As áreas doadoras mais usadas são:

  • antebraço: pele fina e maleável, útil para a língua e a boca;
  • coxa: pele e gordura em maior quantidade, útil para defeitos maiores;
  • fíbula (osso fino da perna): usada para reconstruir a mandíbula, inclusive com possibilidade de implantes dentários no futuro;
  • outras áreas, como costas e quadril, em casos específicos.

A retirada de parte da mandíbula por tumores está explicada em tumores da mandíbula e da maxila.

E no rosto?

No rosto, como após a retirada de câncer de pele, muitas vezes bastam retalhos locais ou enxertos. Veja em cirurgia de câncer de pele no rosto e reconstrução.

Como é a recuperação?

A recuperação depende do tamanho da cirurgia. Em reconstruções maiores, alguns pontos são comuns:

  • internação de vários dias, às vezes com passagem pela UTI no início;
  • monitoramento do retalho nas primeiras horas e dias, para confirmar que a circulação está boa;
  • traqueostomia temporária (um tubo no pescoço para respirar), em algumas cirurgias de boca e garganta, retirada depois;
  • sonda para alimentação por um período, até a pessoa engolir com segurança;
  • cuidados com a área doadora, como curativo na perna ou no braço.

O retorno às atividades é gradual, ao longo de semanas a meses. Em muitos casos, ainda haverá radioterapia depois.

Quais são os riscos?

Toda reconstrução tem riscos, e a equipe os discute antes. Os mais importantes são:

  • falha do retalho, quando a circulação não se mantém. É incomum em equipes experientes, e pode exigir nova cirurgia;
  • infecção ou acúmulo de líquido;
  • fístula, um vazamento de saliva pela ferida, em cirurgias de boca e garganta;
  • alterações na área doadora, como cicatriz, fraqueza ou dormência;
  • necessidade de ajustes cirúrgicos posteriores.

Qual o papel da reabilitação?

A cirurgia é só uma parte. A reabilitação ajuda a recuperar a função no dia a dia e envolve:

  • fonoaudiólogo: treina fala e deglutição;
  • dentista e protesista: cuidam dos dentes, das próteses e dos implantes, e fazem próteses especiais para a maxila;
  • fisioterapeuta: trabalha ombro, pescoço e a área doadora;
  • nutricionista: garante alimentação adequada em cada fase;
  • psicólogo: apoia a adaptação às mudanças.

Mais detalhes no guia sobre reconstrução de cabeça e pescoço.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você:

  • tem indicação de cirurgia de câncer de boca, garganta, rosto ou mandíbula e quer entender como será a reconstrução;
  • já operou e sente dificuldade persistente para engolir, falar ou mastigar;
  • tem vermelhidão, inchaço, febre ou saída de secreção na ferida ou na área doadora;
  • percebe mudança de cor ou temperatura no retalho nos primeiros dias, o que exige contato imediato com a equipe.

O cirurgião de cabeça e pescoço coordena o tratamento, muitas vezes junto com o cirurgião plástico. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A reconstrução de cabeça e pescoço repara áreas retiradas no tratamento de tumores.
  • As opções vão de pontos simples a tecidos levados por microcirurgia.
  • O objetivo é recuperar fala, deglutição, mastigação, respiração e aparência.
  • Na maioria das vezes, é feita na mesma cirurgia da retirada do tumor.
  • Fonoaudiologia, odontologia e fisioterapia são parte essencial da recuperação.

Perguntas frequentes

A reconstrução é feita na mesma cirurgia da retirada do tumor?

Na maioria das vezes, sim. Planejar a reconstrução junto com a retirada permite reparar a área no mesmo tempo cirúrgico. Em algumas situações, parte da reabilitação, como implantes dentários, é feita depois.

De onde vem o tecido usado na reconstrução?

Pode vir de uma área vizinha ou de outra parte do corpo, como o antebraço, a coxa, as costas ou a perna. A escolha depende do tipo de tecido que falta: pele, músculo, gordura ou osso.

A área de onde se tira o tecido fica com sequelas?

Fica uma cicatriz e, às vezes, alguma alteração temporária de força ou sensibilidade. As áreas doadoras são escolhidas justamente por fazerem pouca falta. A equipe explica o que esperar de cada uma.

Quem faz a reconstrução?

Pode ser o próprio cirurgião de cabeça e pescoço com formação em microcirurgia ou um cirurgião plástico que trabalha junto com ele. O importante é que a equipe tenha experiência nesse tipo de reconstrução.

Radioterapia atrapalha a reconstrução?

A radioterapia deixa os tecidos mais endurecidos e com menos circulação. Por isso a reconstrução é planejada considerando se haverá radioterapia, e tecidos trazidos de outra região costumam tolerá-la bem.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA)
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. National Cancer Institute (NCI)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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