Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Pele do rosto e pescoço

Cirurgia de câncer de pele no rosto: como é e a reconstrução

A cirurgia de câncer de pele no rosto é planejada para duas coisas ao mesmo tempo: tirar todo o tumor e preservar ao máximo a forma e a função do rosto. Lesões pequenas costumam ser um procedimento curto. Em áreas como nariz, pálpebra e lábio, o fechamento da ferida pede mais planejamento.

A cirurgia é o tratamento mais usado para o câncer de pele no rosto. Nariz, pálpebras, lábios e orelhas são estruturas pequenas, e cada milímetro de tecido saudável preservado faz diferença.

Como é feita a cirurgia de câncer de pele no rosto?

O passo a passo costuma ser este:

  1. Planejamento: o médico examina a lesão, confirma o diagnóstico pela biópsia e desenha a área a ser retirada.
  2. Anestesia: na maioria dos casos, local. Cirurgias maiores podem usar sedação ou anestesia geral.
  3. Retirada do tumor: a lesão é removida com uma margem de pele saudável. O tamanho da margem depende do tipo de câncer.
  4. Controle das margens: em alguns casos, as bordas são examinadas durante a cirurgia.
  5. Reconstrução: a ferida é fechada da forma mais adequada para o local.
  6. Análise final: o material vai para o exame anatomopatológico, que confirma o tipo e se as margens estão livres.

Como o médico sabe que tirou todo o tumor?

Existem três formas principais de checar as margens:

Método Como funciona Quando costuma ser usado
Exame convencional O material é analisado no laboratório após a cirurgia A maioria dos casos
Exame de congelação Uma análise rápida das bordas é feita durante a cirurgia, antes de fechar Tumores em áreas delicadas ou com limites pouco claros
Cirurgia micrográfica de Mohs O tumor é retirado em camadas finas, e cada camada é examinada na hora Tumores que voltaram, subtipos infiltrativos ou áreas como nariz e pálpebras

Se o laudo final mostrar margem comprometida, o médico pode indicar uma nova retirada ou radioterapia.

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Quais são as formas de reconstrução?

A escolha depende do tamanho da ferida, do local e da pele de cada pessoa. As opções mais comuns são:

  • Fechamento direto: as bordas são aproximadas com pontos. A cicatriz fica, sempre que possível, nas linhas naturais do rosto.
  • Retalho local: um pedaço de pele vizinha é deslocado para cobrir a ferida, mantendo sua circulação. É muito usado no nariz, nas bochechas, nas pálpebras e nos lábios.
  • Enxerto de pele: uma camada fina de pele é tirada de outro lugar, como atrás da orelha ou do pescoço, e colocada sobre a ferida.
  • Cicatrização por segunda intenção: em algumas áreas côncavas, a ferida pode fechar sozinha com curativos.
  • Reconstrução em etapas: em feridas grandes, a reconstrução é feita em duas ou mais cirurgias.

Nas lesões de nariz e lábio, a reconstrução tenta preservar a respiração, a abertura da boca e o contorno do rosto. Veja detalhes sobre câncer de pele no nariz e nos lábios. Casos mais extensos podem exigir técnicas descritas no guia de reconstrução de cabeça e pescoço.

Quando é preciso operar os gânglios do pescoço?

Na maioria dos cânceres de pele do rosto, não é preciso. O carcinoma basocelular quase nunca chega aos gânglios.

A avaliação dos gânglios entra em situações como:

  • carcinoma espinocelular de alto risco, sobretudo em orelha, lábio e têmpora;
  • melanoma com espessura que indica biópsia do linfonodo sentinela (o primeiro gânglio que recebe a linfa do tumor);
  • gânglios aumentados no exame ou em exames de imagem.

Nesses casos, a cirurgia pode incluir a parotidectomia (retirada de parte da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha) e o esvaziamento cervical (retirada dos gânglios do pescoço). Esse é um dos momentos em que o cirurgião de cabeça e pescoço costuma estar à frente do tratamento. Entenda o esvaziamento cervical.

Como é a recuperação?

Em cirurgias com anestesia local, a pessoa costuma ir para casa no mesmo dia. Cirurgias maiores podem exigir internação curta.

O que costuma acontecer:

  • inchaço e roxo na região nos primeiros dias, mais evidentes perto dos olhos;
  • incômodo leve, controlado com analgésicos orientados pelo médico;
  • curativo que precisa ser mantido e trocado conforme a orientação;
  • retirada dos pontos em geral entre 5 e 10 dias, prazo que varia com o local e o tipo de fechamento;
  • retalhos que ficam mais inchados no início e se acomodam aos poucos; o tempo varia, em geral de semanas a meses.

Recomendações frequentes:

  • dormir com a cabeça mais elevada nos primeiros dias;
  • evitar esforço físico e abaixar a cabeça por um período;
  • não fumar, porque o cigarro prejudica a circulação de retalhos e enxertos;
  • proteger a cicatriz do sol por vários meses.

A cicatriz leva meses para amadurecer. No início, é normal que fique rosada, mais alta ou endurecida. Com o tempo, tende a clarear e amolecer.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se tiver no rosto ou no pescoço:

  • ferida ou casca que não sara em cerca de 4 semanas;
  • lesão que cresce, sangra ou muda;
  • diagnóstico de câncer de pele em área delicada, como nariz, pálpebra, lábio ou orelha;
  • tumor que voltou depois de um tratamento;
  • caroço novo no pescoço ou na frente da orelha.

Depois da cirurgia, procure o médico antes do retorno se houver febre, vermelhidão que aumenta, pus, sangramento que não para ou escurecimento do retalho.

O dermatologista costuma diagnosticar e tratar as lesões pequenas. Tumores maiores, que voltaram, que exigem reconstrução com retalhos ou que envolvem gânglios costumam ser conduzidos pelo cirurgião de cabeça e pescoço, às vezes junto com cirurgião plástico, radioterapeuta e oncologista. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A cirurgia retira o tumor com margem de pele saudável e envia tudo para análise.
  • Na maioria das vezes, é feita com anestesia local.
  • A ferida pode ser fechada com pontos, retalhos ou enxertos.
  • Gânglios só são operados em situações específicas.
  • A cicatriz amadurece ao longo de meses e deve ser protegida do sol.

Perguntas frequentes

A cirurgia de câncer de pele no rosto é feita com anestesia geral?

Na maioria dos casos, não. Lesões pequenas e médias são operadas com anestesia local, às vezes com sedação leve. A anestesia geral fica para cirurgias maiores, com reconstruções complexas ou retirada de gânglios.

O que é retalho na cirurgia de pele?

Retalho é um pedaço de pele vizinha que é deslocado para cobrir a ferida, mantendo sua própria circulação de sangue. Ele costuma ter cor e textura parecidas com a área tratada. Existem vários desenhos de retalho, escolhidos conforme o local e o tamanho da ferida.

Qual a diferença entre retalho e enxerto?

O retalho continua ligado ao corpo e leva sua própria irrigação. O enxerto é uma camada de pele retirada de outro lugar, como atrás da orelha ou do pescoço, e colada na ferida. Cada um tem indicações diferentes.

E se o laudo mostrar margem comprometida?

Margem comprometida quer dizer que havia células do tumor na borda retirada. Em geral, o médico indica ampliar a retirada ou, em alguns casos, radioterapia. A decisão depende do tipo de tumor e do local.

A reconstrução pode ser feita em mais de uma cirurgia?

Sim. Em feridas grandes, como no nariz, alguns retalhos são feitos em etapas, com algumas semanas entre elas. Isso permite que o tecido se adapte e ganhe circulação antes da próxima fase.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
  3. Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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