Pele do rosto e pescoço
Cirurgia de câncer de pele no rosto: como é e a reconstrução
A cirurgia de câncer de pele no rosto é planejada para duas coisas ao mesmo tempo: tirar todo o tumor e preservar ao máximo a forma e a função do rosto. Lesões pequenas costumam ser um procedimento curto. Em áreas como nariz, pálpebra e lábio, o fechamento da ferida pede mais planejamento.
A cirurgia é o tratamento mais usado para o câncer de pele no rosto. Nariz, pálpebras, lábios e orelhas são estruturas pequenas, e cada milímetro de tecido saudável preservado faz diferença.
Como é feita a cirurgia de câncer de pele no rosto?
O passo a passo costuma ser este:
- Planejamento: o médico examina a lesão, confirma o diagnóstico pela biópsia e desenha a área a ser retirada.
- Anestesia: na maioria dos casos, local. Cirurgias maiores podem usar sedação ou anestesia geral.
- Retirada do tumor: a lesão é removida com uma margem de pele saudável. O tamanho da margem depende do tipo de câncer.
- Controle das margens: em alguns casos, as bordas são examinadas durante a cirurgia.
- Reconstrução: a ferida é fechada da forma mais adequada para o local.
- Análise final: o material vai para o exame anatomopatológico, que confirma o tipo e se as margens estão livres.
Como o médico sabe que tirou todo o tumor?
Existem três formas principais de checar as margens:
| Método | Como funciona | Quando costuma ser usado |
|---|---|---|
| Exame convencional | O material é analisado no laboratório após a cirurgia | A maioria dos casos |
| Exame de congelação | Uma análise rápida das bordas é feita durante a cirurgia, antes de fechar | Tumores em áreas delicadas ou com limites pouco claros |
| Cirurgia micrográfica de Mohs | O tumor é retirado em camadas finas, e cada camada é examinada na hora | Tumores que voltaram, subtipos infiltrativos ou áreas como nariz e pálpebras |
Se o laudo final mostrar margem comprometida, o médico pode indicar uma nova retirada ou radioterapia.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Quais são as formas de reconstrução?
A escolha depende do tamanho da ferida, do local e da pele de cada pessoa. As opções mais comuns são:
- Fechamento direto: as bordas são aproximadas com pontos. A cicatriz fica, sempre que possível, nas linhas naturais do rosto.
- Retalho local: um pedaço de pele vizinha é deslocado para cobrir a ferida, mantendo sua circulação. É muito usado no nariz, nas bochechas, nas pálpebras e nos lábios.
- Enxerto de pele: uma camada fina de pele é tirada de outro lugar, como atrás da orelha ou do pescoço, e colocada sobre a ferida.
- Cicatrização por segunda intenção: em algumas áreas côncavas, a ferida pode fechar sozinha com curativos.
- Reconstrução em etapas: em feridas grandes, a reconstrução é feita em duas ou mais cirurgias.
Nas lesões de nariz e lábio, a reconstrução tenta preservar a respiração, a abertura da boca e o contorno do rosto. Veja detalhes sobre câncer de pele no nariz e nos lábios. Casos mais extensos podem exigir técnicas descritas no guia de reconstrução de cabeça e pescoço.
Quando é preciso operar os gânglios do pescoço?
Na maioria dos cânceres de pele do rosto, não é preciso. O carcinoma basocelular quase nunca chega aos gânglios.
A avaliação dos gânglios entra em situações como:
- carcinoma espinocelular de alto risco, sobretudo em orelha, lábio e têmpora;
- melanoma com espessura que indica biópsia do linfonodo sentinela (o primeiro gânglio que recebe a linfa do tumor);
- gânglios aumentados no exame ou em exames de imagem.
Nesses casos, a cirurgia pode incluir a parotidectomia (retirada de parte da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha) e o esvaziamento cervical (retirada dos gânglios do pescoço). Esse é um dos momentos em que o cirurgião de cabeça e pescoço costuma estar à frente do tratamento. Entenda o esvaziamento cervical.
Como é a recuperação?
Em cirurgias com anestesia local, a pessoa costuma ir para casa no mesmo dia. Cirurgias maiores podem exigir internação curta.
O que costuma acontecer:
- inchaço e roxo na região nos primeiros dias, mais evidentes perto dos olhos;
- incômodo leve, controlado com analgésicos orientados pelo médico;
- curativo que precisa ser mantido e trocado conforme a orientação;
- retirada dos pontos em geral entre 5 e 10 dias, prazo que varia com o local e o tipo de fechamento;
- retalhos que ficam mais inchados no início e se acomodam aos poucos; o tempo varia, em geral de semanas a meses.
Recomendações frequentes:
- dormir com a cabeça mais elevada nos primeiros dias;
- evitar esforço físico e abaixar a cabeça por um período;
- não fumar, porque o cigarro prejudica a circulação de retalhos e enxertos;
- proteger a cicatriz do sol por vários meses.
A cicatriz leva meses para amadurecer. No início, é normal que fique rosada, mais alta ou endurecida. Com o tempo, tende a clarear e amolecer.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se tiver no rosto ou no pescoço:
- ferida ou casca que não sara em cerca de 4 semanas;
- lesão que cresce, sangra ou muda;
- diagnóstico de câncer de pele em área delicada, como nariz, pálpebra, lábio ou orelha;
- tumor que voltou depois de um tratamento;
- caroço novo no pescoço ou na frente da orelha.
Depois da cirurgia, procure o médico antes do retorno se houver febre, vermelhidão que aumenta, pus, sangramento que não para ou escurecimento do retalho.
O dermatologista costuma diagnosticar e tratar as lesões pequenas. Tumores maiores, que voltaram, que exigem reconstrução com retalhos ou que envolvem gânglios costumam ser conduzidos pelo cirurgião de cabeça e pescoço, às vezes junto com cirurgião plástico, radioterapeuta e oncologista. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- A cirurgia retira o tumor com margem de pele saudável e envia tudo para análise.
- Na maioria das vezes, é feita com anestesia local.
- A ferida pode ser fechada com pontos, retalhos ou enxertos.
- Gânglios só são operados em situações específicas.
- A cicatriz amadurece ao longo de meses e deve ser protegida do sol.
Perguntas frequentes
A cirurgia de câncer de pele no rosto é feita com anestesia geral?
Na maioria dos casos, não. Lesões pequenas e médias são operadas com anestesia local, às vezes com sedação leve. A anestesia geral fica para cirurgias maiores, com reconstruções complexas ou retirada de gânglios.
O que é retalho na cirurgia de pele?
Retalho é um pedaço de pele vizinha que é deslocado para cobrir a ferida, mantendo sua própria circulação de sangue. Ele costuma ter cor e textura parecidas com a área tratada. Existem vários desenhos de retalho, escolhidos conforme o local e o tamanho da ferida.
Qual a diferença entre retalho e enxerto?
O retalho continua ligado ao corpo e leva sua própria irrigação. O enxerto é uma camada de pele retirada de outro lugar, como atrás da orelha ou do pescoço, e colada na ferida. Cada um tem indicações diferentes.
E se o laudo mostrar margem comprometida?
Margem comprometida quer dizer que havia células do tumor na borda retirada. Em geral, o médico indica ampliar a retirada ou, em alguns casos, radioterapia. A decisão depende do tipo de tumor e do local.
A reconstrução pode ser feita em mais de uma cirurgia?
Sim. Em feridas grandes, como no nariz, alguns retalhos são feitos em etapas, com algumas semanas entre elas. Isso permite que o tecido se adapte e ganhe circulação antes da próxima fase.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
- Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.