Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Garganta, laringe e voz

Laringectomia: o que é e como fica a voz

A laringectomia é indicada quase sempre por câncer de laringe ou da parte baixa da garganta. Quando se retira só um pedaço do órgão, a pessoa costuma continuar falando com a própria voz, às vezes mais rouca. Quando a laringe sai inteira, a voz passa a vir de outra fonte, e a respiração muda de caminho, como você vai ver abaixo.

O que é a laringe e por que ela pode precisar ser retirada?

A laringe fica na frente do pescoço, no "gogó". Ela tem três funções: deixar o ar passar para os pulmões, produzir a voz com as cordas vocais e fechar a passagem do ar na hora de engolir.

A cirurgia é indicada principalmente para:

  • câncer de laringe em que a retirada é o caminho mais seguro;
  • câncer que voltou depois da radioterapia;
  • tumores da hipofaringe, a parte baixa da garganta, que invadem a laringe;
  • raramente, laringe que parou de funcionar e causa engasgos graves.

Muitos tumores iniciais são tratados sem retirar a laringe inteira. A Sociedade Americana do Câncer informa que a maioria dos cânceres de laringe em estágios I e II pode ser tratada sem a laringectomia total. Entenda as opções em câncer de laringe.

Qual a diferença entre laringectomia parcial e total?

Tipo O que é retirado Voz Respiração
Laringectomia parcial supraglótica A parte acima das cordas vocais Costuma ser mantida Pelo nariz e boca, após a recuperação
Hemilaringectomia Um lado da laringe, com uma corda vocal Mantida, geralmente mais rouca Pelo nariz e boca, após a recuperação
Laringectomia total A laringe inteira Precisa de um novo método Por uma abertura permanente no pescoço

Na parcial, pode ser necessária uma traqueostomia temporária, que é fechada depois. Também é comum precisar de um tempo de treino para engolir sem engasgar.

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Laringectomia total: como fica a respiração?

Na laringectomia total, a traqueia é ligada à pele da frente do pescoço. Essa abertura se chama traqueostoma e passa a ser o caminho do ar, de forma permanente.

Isso muda algumas coisas no dia a dia:

  • o ar não passa mais pelo nariz, que aquece, umedece e filtra o ar;
  • por isso, é comum ter mais secreção e tosse no começo;
  • o uso de filtros umidificadores (pequenos dispositivos colados sobre a abertura) ajuda a proteger os pulmões;
  • é preciso proteger a abertura da água no banho;
  • o olfato costuma diminuir, porque o ar não passa pelo nariz.

Uma vantagem: como o caminho do ar e o da comida ficam separados, a comida deixa de ter como descer para o pulmão pela garganta.

Essa abertura é diferente da traqueostomia comum, que usa uma cânula e pode ser temporária.

Como fica a voz depois da laringectomia total?

Sem a laringe, as cordas vocais deixam de existir. Mas a fala continua possível, porque língua, lábios e dentes seguem funcionando. O que muda é a fonte do som. Segundo o Manual MSD, existem três formas principais:

Prótese traqueoesofágica

O cirurgião faz uma pequena passagem entre a traqueia e o esôfago e coloca uma válvula, a prótese de voz. Ao tampar a abertura do pescoço com o dedo, ou com uma válvula automática, o ar dos pulmões passa para o esôfago e faz a mucosa vibrar. É uma das formas de reabilitação da voz e, segundo o Manual MSD, muitas vezes permite uma fala fluente.

A prótese precisa de limpeza diária e de troca periódica, feita pela equipe.

Voz esofágica

A pessoa aprende a "engolir" ar para o esôfago e soltá-lo de forma controlada, produzindo som. Não precisa de aparelho, mas exige bastante treino.

Laringe eletrônica

É um aparelho a bateria, encostado no pescoço ou com um tubinho na boca, que gera uma vibração. A pessoa articula as palavras normalmente. A voz tem um som mais "metálico", mas é fácil de aprender e útil logo após a cirurgia.

Muitas pessoas usam mais de um método. O fonoaudiólogo é peça central nessa reabilitação.

Como é a recuperação?

Cada caso é diferente, mas alguns pontos são comuns:

  • internação de alguns dias a algumas semanas;
  • alimentação por sonda no começo, até a cicatrização da garganta;
  • treino de cuidados com a abertura, filtros e secreções, para a pessoa e a família;
  • início da reabilitação da voz, com o fonoaudiólogo;
  • em muitos casos, radioterapia depois da cirurgia.

Quando o tumor é extenso, pode ser preciso reconstruir a garganta com tecidos de outras partes do corpo. Veja reconstrução após cirurgia de cabeça e pescoço.

Grupos de apoio de pessoas laringectomizadas ajudam muito na adaptação. O apoio emocional faz parte do tratamento.

Quando procurar um médico?

Se você já fez laringectomia, procure a equipe com urgência se tiver:

  • falta de ar ou abertura do pescoço entupida por secreção;
  • sangramento pela abertura;
  • tosse ao beber ou comer, que pode indicar vazamento da prótese;
  • febre, secreção com pus ou vermelhidão ao redor da abertura;
  • caroço novo no pescoço ou dor que não passa.

Se você ainda está decidindo o tratamento, leve suas dúvidas à consulta. A laringectomia é indicada e feita pelo cirurgião ou pela cirurgiã de cabeça e pescoço, ou pelo otorrinolaringologista com experiência em câncer, junto com radioterapeuta, oncologista e fonoaudiólogo. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • Laringectomia é a retirada de parte ou de toda a laringe.
  • Na parcial, a voz natural costuma ser mantida.
  • Na total, a respiração passa a ser por uma abertura permanente no pescoço.
  • Prótese de voz, voz esofágica e laringe eletrônica permitem voltar a falar.
  • O fonoaudiólogo e o acompanhamento regular são parte essencial da recuperação.

Perguntas frequentes

Quem faz laringectomia total consegue falar?

Na maioria dos casos, sim, com treino e acompanhamento. As opções são a prótese traqueoesofágica, a voz esofágica e a laringe eletrônica. O fonoaudiólogo acompanha esse aprendizado desde o começo.

A abertura no pescoço da laringectomia total fecha depois?

Não. Na laringectomia total, a traqueia é ligada de forma permanente à pele do pescoço, e essa abertura passa a ser o caminho do ar. Isso é diferente de uma traqueostomia comum, que pode ser temporária.

Quem fez laringectomia total pode tomar banho e nadar?

Pode tomar banho com cuidado para não entrar água na abertura, usando protetores próprios. Nadar e mergulhar exigem cuidados e equipamentos especiais, porque a água entraria direto nos pulmões. A equipe orienta cada caso.

Laringectomia muda o olfato e o paladar?

Depois da laringectomia total, o ar não passa mais pelo nariz, e o olfato costuma diminuir. Como parte do sabor depende do cheiro, o paladar também pode mudar. Existem exercícios, ensinados pelo fonoaudiólogo, que ajudam a puxar ar pelo nariz.

Fontes

  1. American Cancer Society — Surgery for laryngeal and hypopharyngeal cancers
  2. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) — Câncer de laringe
  3. American Cancer Society — Treatment options for laryngeal cancer by stage

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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