Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Pele do rosto e pescoço

Carcinoma basocelular: o câncer de pele mais comum

O carcinoma basocelular é um câncer de pele de crescimento lento, que raramente sai do lugar onde nasceu. No rosto, muita gente o confunde com uma espinha ou um machucado teimoso. Mesmo sendo pouco agressivo, precisa ser tratado: sem cirurgia, ele avança sobre nariz, pálpebra ou orelha.

O nome vem das células basais, que ficam na camada mais profunda da epiderme (a parte de fora da pele). Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, ele é o câncer de pele mais frequente no Brasil.

Como é o carcinoma basocelular no rosto?

A forma mais típica é uma pápula (uma bolinha pequena e elevada) rosada ou cor de pele, com aspecto perolado ou brilhante. Muitas vezes dá para ver vasinhos finos na superfície.

Com o tempo, o centro pode afundar, abrir e formar uma casquinha. Essa casca cai, sangra fácil e volta. É comum a pessoa achar que é uma espinha ou um machucado que "não quer sarar".

Existem outras apresentações:

  • Nodular: a bolinha brilhante clássica, a mais comum no rosto.
  • Superficial: mancha avermelhada e levemente descamativa, mais comum no tronco.
  • Pigmentado: tem pontos escuros, e pode ser confundido com pinta ou melanoma.
  • Esclerodermiforme: parece uma cicatriz esbranquiçada e endurecida, sem bordas claras. É um subtipo mais infiltrativo, que se estende além do que se vê.

Os locais mais atingidos são nariz, bochechas, testa, pálpebras, região perto das orelhas e lábio de cima. Veja também os sinais gerais de câncer de pele no rosto.

O que causa o carcinoma basocelular?

A principal causa é a exposição ao sol acumulada ao longo da vida, sobretudo as queimaduras de sol na infância e na juventude. Por isso ele aparece mais depois dos 40 anos.

Aumentam o risco:

  • pele, olhos e cabelos claros;
  • trabalho ou lazer ao ar livre sem proteção;
  • bronzeamento artificial;
  • radioterapia antiga na região;
  • imunidade baixa, como em pessoas transplantadas;
  • ter tido um carcinoma basocelular antes.

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Carcinoma basocelular é perigoso?

Ele raramente se espalha para gânglios ou órgãos distantes. Nesse ponto, é bem diferente do melanoma e do carcinoma espinocelular.

O risco está no crescimento local. Sem tratamento, o tumor avança devagar, em profundidade e para os lados. No rosto, isso pode atingir cartilagem do nariz, pálpebra, canal do ouvido e até osso. Quanto maior a lesão, maior a cirurgia e a reconstrução necessárias.

Por isso, a mensagem é equilibrada: não é motivo para pânico, mas também não é para deixar para depois.

Como é feito o diagnóstico?

O médico examina a lesão, muitas vezes com dermatoscopia, uma lente com luz que mostra detalhes da pele. Se houver suspeita, faz uma biópsia com anestesia local.

A biópsia pode retirar um pedacinho ou a lesão inteira. O exame no microscópio confirma o diagnóstico e mostra o subtipo. O subtipo ajuda a escolher o tratamento.

Na maioria das vezes, não é preciso fazer exames de imagem. Eles ficam para tumores grandes ou profundos, quando o médico quer ver até onde a lesão chega antes de operar.

Quais são os tratamentos para carcinoma basocelular?

A escolha depende do tamanho, do subtipo, do local e da saúde de cada pessoa.

Tratamento Como funciona Quando costuma ser usado
Cirurgia com margem Retira o tumor com uma faixa de pele saudável ao redor É o tratamento mais usado no rosto
Cirurgia micrográfica de Mohs Retira o tumor em camadas e examina cada uma na hora, até as bordas ficarem livres Tumores em áreas delicadas, subtipos infiltrativos ou que voltaram
Curetagem e eletrocoagulação Raspa a lesão e cauteriza a base Lesões pequenas e superficiais, fora de áreas críticas
Crioterapia Congela a lesão com nitrogênio líquido Lesões superficiais selecionadas
Cremes e terapia fotodinâmica Tratam a pele por fora, com remédio ou com luz Carcinoma basocelular superficial, em casos escolhidos pelo dermatologista
Radioterapia Usa radiação para destruir o tumor Quem não pode operar ou como complemento após a cirurgia

Quando a retirada deixa uma ferida grande no nariz, na pálpebra ou no lábio, pode ser preciso fechar com retalhos ou enxertos de pele. Entenda como é a cirurgia de câncer de pele no rosto e a reconstrução.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se tiver no rosto ou no pescoço:

  • bolinha brilhante, rosada ou perolada que cresce aos poucos;
  • ferida ou casquinha que sangra, cai e volta no mesmo lugar;
  • lesão que não cicatriza em cerca de 4 semanas;
  • área parecida com cicatriz que surgiu sem machucado;
  • lesão já tratada que voltou a crescer.

O dermatologista costuma fazer o diagnóstico e tratar a maioria dos casos. O cirurgião de cabeça e pescoço entra com frequência em tumores grandes, profundos, que voltaram ou que exigem reconstrução com retalhos. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais comum e aparece muito no rosto.
  • Costuma ser uma bolinha brilhante ou uma ferida que não fecha.
  • Cresce devagar e quase nunca se espalha, mas invade os tecidos ao redor.
  • A cirurgia é o tratamento mais usado; há outras opções para lesões superficiais.
  • Quem já teve um deve fazer acompanhamento da pele.

Perguntas frequentes

Carcinoma basocelular é maligno?

Sim, é um câncer, ou seja, um tumor maligno. Mas é o de comportamento mais tranquilo entre os cânceres de pele. Ele cresce devagar e raramente se espalha para longe. O problema é que, sem tratamento, pode destruir a pele e as estruturas ao redor.

Carcinoma basocelular pode voltar depois de retirado?

Pode, principalmente quando a retirada não inclui toda a lesão ou quando o tumor é de um subtipo mais infiltrativo. Por isso o laudo avalia as margens, que são as bordas de pele retiradas junto com o tumor. Quem já teve um também tem mais chance de ter outro em outro lugar.

Carcinoma basocelular precisa de quimioterapia?

Na grande maioria dos casos, não. O tratamento costuma ser local, com cirurgia ou outras técnicas na própria pele. Remédios pelo corpo todo ficam reservados para situações raras e avançadas, decididas por uma equipe especializada.

Quanto tempo o carcinoma basocelular leva para crescer?

Geralmente meses a anos. Muitas pessoas convivem com a lesão por muito tempo achando que é uma espinha ou um machucado. Esse crescimento lento é uma vantagem para o tratamento, mas não é motivo para esperar.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
  3. American Cancer Society

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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