Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Pele do rosto e pescoço

Câncer de pele na orelha: sinais, riscos e tratamento

O câncer de pele na orelha costuma nascer na borda de cima, a parte que mais recebe sol, e muitas vezes é notado por outra pessoa ou pelo incômodo no travesseiro. Como a pele ali é fina e fica colada à cartilagem, vale investigar cedo qualquer casca ou ferida que não sara.

A orelha é uma área fácil de esquecer. A pessoa não vê a própria orelha no espelho e muitas vezes não passa protetor ali. Homens com cabelo curto e quem trabalha ao ar livre estão entre os mais atingidos.

Quais são os sinais de câncer de pele na orelha?

Os sinais mais comuns são:

  • casca grossa e áspera que cai e volta;
  • ferida na borda que sangra e não cicatriza;
  • bolinha brilhante ou rosada que cresce aos poucos;
  • caroço endurecido na pele da orelha;
  • pinta escura nova ou que mudou;
  • área que dói ao encostar no travesseiro.

Muitas dessas lesões começam como ceratose actínica, manchas ásperas causadas pelo sol. Elas não são câncer, mas podem evoluir. Saiba mais sobre a ceratose actínica.

Quais tipos de câncer de pele aparecem na orelha?

Os três tipos principais podem surgir na orelha:

Tipo Como costuma ser na orelha Atenção especial
Carcinoma espinocelular Lesão com casca grossa ou ferida na borda Tem mais risco de voltar e de chegar aos gânglios quando está na orelha
Carcinoma basocelular Bolinha brilhante, frequentemente atrás ou na frente da orelha Cresce devagar, mas pode se infiltrar nas dobras
Melanoma Pinta escura nova ou que muda Menos comum, mais agressivo

O carcinoma espinocelular merece atenção extra quando está na orelha. Essa localização está entre as de maior risco para esse tipo de tumor. Entenda o carcinoma espinocelular na pele.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Por que o câncer de pele na orelha pede atenção especial?

Há três motivos principais.

O primeiro é a anatomia. A pele da orelha é fina e fica colada à cartilagem, o esqueleto flexível que dá forma à orelha. O tumor pode chegar à cartilagem com mais facilidade do que em outras áreas.

O segundo são as dobras. A orelha tem curvas e reentrâncias. Tumores nessas áreas, ou perto do canal do ouvido, podem ser mais difíceis de delimitar.

O terceiro é a drenagem da linfa. A linfa da orelha vai para gânglios que ficam dentro da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha, e para o pescoço. Por isso, o médico sempre examina essas regiões.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

Diagnóstico

O médico examina a orelha, a pele ao redor e o pescoço. Em seguida, faz uma biópsia com anestesia local, retirando um pedacinho ou a lesão inteira.

Em tumores maiores, profundos ou que voltaram, podem ser pedidos exames de imagem. Ultrassom, tomografia ou ressonância ajudam a ver se o tumor atinge a cartilagem, o canal do ouvido ou os gânglios.

Tratamento

O tratamento principal é a cirurgia. O objetivo é retirar todo o tumor com uma margem de tecido saudável.

Dependendo do tamanho e do local, a cirurgia pode ser:

  • retirada simples, com fechamento por pontos, em lesões pequenas;
  • ressecção em cunha, que retira um pequeno triângulo da borda da orelha e junta as partes; a orelha fica um pouco menor, mas com formato natural;
  • retirada com retalho ou enxerto, quando a ferida é maior ou fica em uma dobra;
  • retirada de parte maior da orelha, reservada para tumores extensos.

Em áreas difíceis, a cirurgia micrográfica de Mohs pode ser uma opção. Ela analisa as bordas em camadas, durante o procedimento.

Quando há gânglios comprometidos, o tratamento pode incluir a parotidectomia (retirada de parte da parótida) e o esvaziamento cervical (retirada dos gânglios do pescoço). A radioterapia pode complementar em casos selecionados. Veja como funciona a cirurgia de câncer de pele no rosto e a reconstrução.

Como proteger as orelhas do sol?

A prevenção é simples e costuma ser esquecida:

  • passe protetor solar nas orelhas, inclusive atrás e na borda de cima;
  • prefira chapéu de aba larga; boné deixa as orelhas expostas;
  • reaplique o protetor ao longo do dia, principalmente ao ar livre;
  • inclua as orelhas no autoexame da pele, com ajuda de um espelho ou de outra pessoa.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

  • ferida ou casca na orelha que não sara em cerca de 4 semanas;
  • bolinha ou caroço que cresce na orelha;
  • pinta nova ou que mudou;
  • lesão que sangra com facilidade;
  • caroço novo na frente da orelha ou no pescoço.

Em geral, o dermatologista faz a avaliação inicial e trata lesões pequenas. O cirurgião de cabeça e pescoço costuma conduzir tumores grandes, que voltaram, que atingem cartilagem ou canal do ouvido, ou que chegaram aos gânglios. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A orelha é um local comum de câncer de pele porque recebe sol e fica sem proteção.
  • Casca que volta, ferida que não fecha e bolinha que cresce são os sinais mais comuns.
  • O carcinoma espinocelular na orelha merece atenção especial aos gânglios.
  • A cirurgia é o tratamento principal e, na maioria dos casos, preserva a orelha.
  • Protetor solar e chapéu de aba larga ajudam na prevenção.

Perguntas frequentes

Ferida na borda da orelha que não sara pode ser câncer?

Pode. A borda de cima da orelha é um dos lugares mais comuns de câncer de pele. Mas também existem outras causas, como a condrodermatite nodular, uma inflamação dolorosa causada por pressão, comum em quem dorme sempre do mesmo lado. Só o exame e, às vezes, a biópsia esclarecem.

O câncer de pele na orelha atinge a audição?

Nas lesões da parte de fora da orelha, geralmente não. A audição depende de estruturas mais internas. Tumores que entram no canal do ouvido ou são muito avançados podem afetar a audição, e esses casos pedem uma avaliação mais completa.

Vou perder a orelha na cirurgia?

Na maioria dos casos, não. Lesões pequenas são retiradas com uma parte pequena da orelha e ela é reconstruída com pontos ou retalhos. Retiradas maiores ficam para tumores extensos, e ainda assim existem opções de reconstrução.

Por que o médico examina o pescoço se o câncer é na orelha?

Porque a linfa da orelha drena para gânglios dentro da parótida, na frente da orelha, e no pescoço. Alguns tumores, principalmente o carcinoma espinocelular, podem se espalhar para esses gânglios. O exame do pescoço faz parte da avaliação completa.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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