Pele do rosto e pescoço
Câncer de pele na orelha: sinais, riscos e tratamento
O câncer de pele na orelha costuma nascer na borda de cima, a parte que mais recebe sol, e muitas vezes é notado por outra pessoa ou pelo incômodo no travesseiro. Como a pele ali é fina e fica colada à cartilagem, vale investigar cedo qualquer casca ou ferida que não sara.
A orelha é uma área fácil de esquecer. A pessoa não vê a própria orelha no espelho e muitas vezes não passa protetor ali. Homens com cabelo curto e quem trabalha ao ar livre estão entre os mais atingidos.
Quais são os sinais de câncer de pele na orelha?
Os sinais mais comuns são:
- casca grossa e áspera que cai e volta;
- ferida na borda que sangra e não cicatriza;
- bolinha brilhante ou rosada que cresce aos poucos;
- caroço endurecido na pele da orelha;
- pinta escura nova ou que mudou;
- área que dói ao encostar no travesseiro.
Muitas dessas lesões começam como ceratose actínica, manchas ásperas causadas pelo sol. Elas não são câncer, mas podem evoluir. Saiba mais sobre a ceratose actínica.
Quais tipos de câncer de pele aparecem na orelha?
Os três tipos principais podem surgir na orelha:
| Tipo | Como costuma ser na orelha | Atenção especial |
|---|---|---|
| Carcinoma espinocelular | Lesão com casca grossa ou ferida na borda | Tem mais risco de voltar e de chegar aos gânglios quando está na orelha |
| Carcinoma basocelular | Bolinha brilhante, frequentemente atrás ou na frente da orelha | Cresce devagar, mas pode se infiltrar nas dobras |
| Melanoma | Pinta escura nova ou que muda | Menos comum, mais agressivo |
O carcinoma espinocelular merece atenção extra quando está na orelha. Essa localização está entre as de maior risco para esse tipo de tumor. Entenda o carcinoma espinocelular na pele.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Por que o câncer de pele na orelha pede atenção especial?
Há três motivos principais.
O primeiro é a anatomia. A pele da orelha é fina e fica colada à cartilagem, o esqueleto flexível que dá forma à orelha. O tumor pode chegar à cartilagem com mais facilidade do que em outras áreas.
O segundo são as dobras. A orelha tem curvas e reentrâncias. Tumores nessas áreas, ou perto do canal do ouvido, podem ser mais difíceis de delimitar.
O terceiro é a drenagem da linfa. A linfa da orelha vai para gânglios que ficam dentro da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha, e para o pescoço. Por isso, o médico sempre examina essas regiões.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Diagnóstico
O médico examina a orelha, a pele ao redor e o pescoço. Em seguida, faz uma biópsia com anestesia local, retirando um pedacinho ou a lesão inteira.
Em tumores maiores, profundos ou que voltaram, podem ser pedidos exames de imagem. Ultrassom, tomografia ou ressonância ajudam a ver se o tumor atinge a cartilagem, o canal do ouvido ou os gânglios.
Tratamento
O tratamento principal é a cirurgia. O objetivo é retirar todo o tumor com uma margem de tecido saudável.
Dependendo do tamanho e do local, a cirurgia pode ser:
- retirada simples, com fechamento por pontos, em lesões pequenas;
- ressecção em cunha, que retira um pequeno triângulo da borda da orelha e junta as partes; a orelha fica um pouco menor, mas com formato natural;
- retirada com retalho ou enxerto, quando a ferida é maior ou fica em uma dobra;
- retirada de parte maior da orelha, reservada para tumores extensos.
Em áreas difíceis, a cirurgia micrográfica de Mohs pode ser uma opção. Ela analisa as bordas em camadas, durante o procedimento.
Quando há gânglios comprometidos, o tratamento pode incluir a parotidectomia (retirada de parte da parótida) e o esvaziamento cervical (retirada dos gânglios do pescoço). A radioterapia pode complementar em casos selecionados. Veja como funciona a cirurgia de câncer de pele no rosto e a reconstrução.
Como proteger as orelhas do sol?
A prevenção é simples e costuma ser esquecida:
- passe protetor solar nas orelhas, inclusive atrás e na borda de cima;
- prefira chapéu de aba larga; boné deixa as orelhas expostas;
- reaplique o protetor ao longo do dia, principalmente ao ar livre;
- inclua as orelhas no autoexame da pele, com ajuda de um espelho ou de outra pessoa.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se você notar:
- ferida ou casca na orelha que não sara em cerca de 4 semanas;
- bolinha ou caroço que cresce na orelha;
- pinta nova ou que mudou;
- lesão que sangra com facilidade;
- caroço novo na frente da orelha ou no pescoço.
Em geral, o dermatologista faz a avaliação inicial e trata lesões pequenas. O cirurgião de cabeça e pescoço costuma conduzir tumores grandes, que voltaram, que atingem cartilagem ou canal do ouvido, ou que chegaram aos gânglios. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- A orelha é um local comum de câncer de pele porque recebe sol e fica sem proteção.
- Casca que volta, ferida que não fecha e bolinha que cresce são os sinais mais comuns.
- O carcinoma espinocelular na orelha merece atenção especial aos gânglios.
- A cirurgia é o tratamento principal e, na maioria dos casos, preserva a orelha.
- Protetor solar e chapéu de aba larga ajudam na prevenção.
Perguntas frequentes
Ferida na borda da orelha que não sara pode ser câncer?
Pode. A borda de cima da orelha é um dos lugares mais comuns de câncer de pele. Mas também existem outras causas, como a condrodermatite nodular, uma inflamação dolorosa causada por pressão, comum em quem dorme sempre do mesmo lado. Só o exame e, às vezes, a biópsia esclarecem.
O câncer de pele na orelha atinge a audição?
Nas lesões da parte de fora da orelha, geralmente não. A audição depende de estruturas mais internas. Tumores que entram no canal do ouvido ou são muito avançados podem afetar a audição, e esses casos pedem uma avaliação mais completa.
Vou perder a orelha na cirurgia?
Na maioria dos casos, não. Lesões pequenas são retiradas com uma parte pequena da orelha e ela é reconstruída com pontos ou retalhos. Retiradas maiores ficam para tumores extensos, e ainda assim existem opções de reconstrução.
Por que o médico examina o pescoço se o câncer é na orelha?
Porque a linfa da orelha drena para gânglios dentro da parótida, na frente da orelha, e no pescoço. Alguns tumores, principalmente o carcinoma espinocelular, podem se espalhar para esses gânglios. O exame do pescoço faz parte da avaliação completa.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
- Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.