Pele do rosto e pescoço
Câncer de pele no nariz e nos lábios: sinais e tratamento
O câncer de pele no nariz costuma parecer uma espinha ou um machucado que nunca sara de vez. No lábio, o aviso mais comum é o lábio de baixo sempre ressecado, esbranquiçado ou com uma fissura que não fecha. Nos dois lugares, tratar cedo ajuda a preservar a forma e a função.
Nariz e lábio de baixo ficam "de frente" para o sol. Por isso acumulam muita radiação ao longo da vida. Ao mesmo tempo, são áreas importantes para respirar, comer, falar e para a expressão do rosto. Isso torna o diagnóstico precoce ainda mais valioso.
Quais são os sinais de câncer de pele no nariz?
O tipo mais comum no nariz é o carcinoma basocelular. Ele costuma aparecer como:
- bolinha rosada ou perolada, brilhante, com vasinhos na superfície;
- casquinha que cai, sangra e se forma de novo;
- ferida que parece uma espinha que nunca sara;
- área endurecida, parecida com uma cicatriz, sem ter havido machucado.
O carcinoma espinocelular e o melanoma também podem surgir no nariz, embora sejam menos frequentes ali. Leia mais sobre o carcinoma basocelular.
As regiões perto da asa do nariz e do sulco entre o nariz e a bochecha merecem atenção. Tumores nessas dobras podem se estender mais do que parece por fora.
E nos lábios, como o câncer de pele aparece?
O lábio de baixo recebe muito mais sol do que o de cima. É nele que surge a maioria dos cânceres de lábio, principalmente o carcinoma espinocelular.
Antes do câncer, é comum aparecer a queilite actínica. É um dano de sol no lábio, que fica:
- ressecado e descamando o tempo todo;
- esbranquiçado ou com manchas;
- com o contorno entre o lábio e a pele apagado;
- com pequenas crostas ou fissuras que não fecham.
Na pele acima do lábio de cima, o tipo mais frequente é o carcinoma basocelular.
Fumar aumenta o risco de câncer no lábio. Se a lesão fica na parte de dentro, já é considerada boca. Para esse assunto, veja o texto sobre câncer de lábio.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Como é feito o diagnóstico?
O médico examina a lesão, muitas vezes com dermatoscopia (uma lente com luz). Se houver suspeita, faz uma biópsia com anestesia local.
No lábio, o exame inclui palpar o queixo e o pescoço. O carcinoma espinocelular de lábio pode se espalhar para os gânglios embaixo do queixo e da mandíbula. Em tumores maiores, exames de imagem ajudam a planejar o tratamento.
Como é o tratamento do câncer de pele no nariz e nos lábios?
O tratamento principal é a cirurgia, com retirada do tumor e de uma margem de tecido saudável. Nessas áreas, a cirurgia tem dois objetivos ao mesmo tempo: tirar todo o câncer e preservar a forma e a função.
No nariz, é comum usar a cirurgia micrográfica de Mohs. Ela retira o tumor em camadas e examina as bordas durante o procedimento. Isso ajuda a poupar tecido saudável. Outra opção é o exame de congelação, uma análise rápida das margens feita durante a cirurgia.
Depois da retirada, a ferida pode ser fechada de várias formas:
- pontos simples, em lesões pequenas;
- retalhos locais, que deslocam pele vizinha, da bochecha ou da testa, por exemplo;
- enxertos, que usam pele de outra parte do corpo;
- reconstrução em etapas, quando a área é grande.
No lábio, lesões pequenas podem ser retiradas em cunha, com um pequeno triângulo que depois é fechado. Lesões maiores exigem retalhos que reconstroem o lábio e preservam a abertura da boca.
Na queilite actínica, há tratamentos como cremes, crioterapia (congelamento), laser ou a retirada da camada superficial do lábio, chamada vermelhectomia. A escolha depende da extensão e é feita pelo médico.
A recuperação costuma ser tranquila. Nos primeiros dias, é comum ter inchaço, roxo e um curativo no local. No lábio, pode ser preciso preferir alimentos mais macios por alguns dias. O acompanhamento depois do tratamento inclui revisar a cicatriz, a pele do rosto e o pescoço, porque quem já teve um câncer de pele tem mais chance de ter outro.
Entenda as opções em detalhe em cirurgia de câncer de pele no rosto e reconstrução.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se notar:
- ferida ou casca no nariz que não sara em cerca de 4 semanas;
- bolinha brilhante que cresce no nariz ou perto do lábio;
- lábio de baixo sempre áspero, esbranquiçado ou com fissuras;
- lesão que sangra com facilidade;
- caroço novo embaixo do queixo ou no pescoço.
O dermatologista costuma fazer o diagnóstico inicial e tratar muitas das lesões pequenas. O cirurgião de cabeça e pescoço é frequentemente envolvido em tumores maiores, que voltaram, que precisam de reconstrução com retalhos ou que afetam o lábio e os gânglios do pescoço. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- O nariz é um dos locais mais comuns de câncer de pele, sobretudo do basocelular.
- No lábio de baixo, predomina o carcinoma espinocelular, muitas vezes após a queilite actínica.
- Casca que volta, bolinha brilhante e ferida que não fecha são sinais de alerta.
- A cirurgia busca tirar todo o tumor e preservar forma e função.
- Protetor labial com filtro e chapéu ajudam a prevenir.
Perguntas frequentes
Machucado no nariz que não sara é câncer?
Nem sempre. Pode ser uma irritação, uma espinha inflamada ou uma lesão de coçar. Mas o nariz é o lugar mais comum de carcinoma basocelular, que muitas vezes parece um machucado que abre e fecha. Se não sarar em cerca de 4 semanas, vale mostrar a um médico.
Lábio ressecado que descama pode ser câncer?
Lábio seco por frio ou vento costuma voltar ao normal com hidratação. Quando o lábio de baixo fica sempre áspero, esbranquiçado e com o contorno apagado, pode ser queilite actínica, um dano de sol que pode evoluir para câncer. Ela merece avaliação e tratamento.
O nariz fica deformado depois da cirurgia?
O objetivo da cirurgia é retirar todo o tumor e, ao mesmo tempo, preservar a forma e a respiração. Lesões pequenas costumam deixar cicatrizes discretas. Lesões maiores podem precisar de retalhos em mais de uma etapa. O resultado depende do tamanho e do local do tumor.
Câncer no lábio é de pele ou de boca?
Depende do ponto exato. A parte vermelha do lábio e a pele ao redor sofrem mais com o sol, como a pele do rosto. A parte de dentro do lábio já é boca, e lá o risco maior vem de cigarro e álcool. O médico avalia qual é o caso.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
- Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.