Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Guia completo · Cistos e tumores do pescoço

Tumor no pescoço: paraganglioma, schwannoma e lipoma

Ouvir a palavra "tumor" assusta, mas um tumor no pescoço nem sempre é câncer. Além de ínguas e nódulos de tireoide, a região pode ter tumores menos conhecidos, que nascem de vasos, nervos ou gordura. A maioria deles é benigna e cresce devagar, o que dá tempo para investigar e planejar o tratamento com calma.

O que é um tumor no pescoço?

Na linguagem médica, tumor é qualquer aumento de volume causado pelo crescimento de células. Ele pode ser benigno, quando cresce sem invadir outros tecidos e sem se espalhar, ou maligno, quando pode invadir e se espalhar.

O pescoço tem muitas estruturas em pouco espaço: vasos, nervos, gordura, músculos, glândulas e linfonodos. Cada uma pode dar origem a um tipo diferente de tumor. As causas mais comuns de caroço estão em nódulo no pescoço: o que pode ser e no guia de caroço no pescoço.

Quais são os tipos mais raros de tumor no pescoço?

Este guia trata dos tumores menos frequentes:

Tumor De onde nasce Comportamento mais comum
Paraganglioma Pequenos grupos de células junto a vasos e nervos Geralmente benigno e lento; parte é hereditária
Schwannoma Capa que envolve um nervo Benigno e lento
Lipoma Células de gordura Benigno, macio e superficial
Linfangioma Vasos linfáticos Benigno, mais comum em crianças

O que é o paraganglioma?

Os paragânglios são pequenos grupos de células espalhados junto a vasos e nervos. Eles ajudam o corpo a perceber mudanças no oxigênio do sangue. Quando essas células crescem demais, formam o paraganglioma.

No pescoço, os locais mais comuns são:

  • corpo carotídeo, na bifurcação da artéria carótida, na lateral do pescoço;
  • nervo vago, um nervo importante para a voz e para a deglutição;
  • região jugular, perto do ouvido.

A maioria é benigna e cresce devagar, ao longo de anos. Uma pequena parte pode se espalhar. Uma parcela dos casos está ligada a alterações genéticas herdadas, e por isso a avaliação genética pode ser indicada, inclusive para a família.

Na prática, isso significa que quem recebe o diagnóstico de paraganglioma pode ser encaminhado para aconselhamento genético. O teste ajuda a entender se há risco de outros tumores no próprio corpo e se parentes próximos devem ser examinados. Um resultado positivo não quer dizer que a família terá tumores, mas orienta um acompanhamento mais atento.

Raramente, os paragangliomas do pescoço produzem hormônios parecidos com a adrenalina. Quando isso acontece, podem causar pressão alta, palpitações e suor excessivo. Saiba mais em tumor do corpo carotídeo (paraganglioma).

O que é o schwannoma?

O schwannoma é um tumor benigno que nasce das células de Schwann, que formam a capa protetora dos nervos. No pescoço, ele pode surgir no nervo vago, na cadeia simpática (nervos que controlam funções automáticas, como o tamanho da pupila) ou nos nervos que vão para o braço.

Ele cresce devagar e raramente se torna maligno. Às vezes, apertar o caroço causa choque ou formigamento no trajeto do nervo. Leia schwannoma no pescoço: tumor de nervo.

O que são o lipoma e os outros tumores benignos?

O lipoma é um acúmulo de gordura envolto por uma cápsula fina. É macio, móvel, não dói e fica logo abaixo da pele. É um dos tumores benignos mais comuns do corpo. Veja lipoma no pescoço: o que é e quando retirar.

Outros tumores e lesões que entram nesse grupo:

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quais são os sintomas de um tumor no pescoço?

A maioria desses tumores causa apenas um caroço que não dói e cresce devagar. Alguns sinais ajudam a suspeitar do tipo:

  • Paraganglioma: caroço na lateral que pulsa e que se move de um lado para o outro, mas pouco para cima e para baixo.
  • Schwannoma: caroço firme, às vezes com choque ou formigamento ao ser apertado.
  • Lipoma: caroço macio, que desliza sob a pele.

Quando o tumor comprime ou nasce de um nervo, podem aparecer:

  • rouquidão ou dificuldade para engolir;
  • pálpebra caída e pupila menor de um lado, a chamada síndrome de Horner;
  • língua desviando para um lado;
  • zumbido pulsátil no ouvido, nos tumores perto da região jugular.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pelo exame físico e pela história. Depois, os exames de imagem têm papel central:

  • Ultrassom com doppler: mostra o tumor e o fluxo de sangue dentro dele.
  • Tomografia ou ressonância: mostram a posição exata e a relação com vasos e nervos.
  • Angiotomografia ou angiorressonância: detalham as artérias, importantes no paraganglioma.
  • Exames de medicina nuclear: usados em casos selecionados de paraganglioma, para procurar outros tumores.

No paraganglioma, em geral não se faz punção, por causa do risco de sangramento. Os exames de imagem costumam bastar para o diagnóstico. Também podem ser pedidos exames de sangue ou urina para ver se o tumor produz hormônios.

No schwannoma, a punção pode ser dolorosa e nem sempre ajuda. No lipoma, o ultrassom geralmente basta.

Em adultos, um caroço firme na lateral do pescoço também pode ser um linfonodo com metástase de um tumor ainda não encontrado. Entenda em metástase no pescoço sem tumor aparente.

Como é o tratamento?

O tratamento é individual e leva em conta o tipo, o tamanho, o crescimento, os sintomas, a idade e o risco para os nervos.

Observação

Muitos desses tumores crescem muito devagar. Em tumores pequenos, sem sintomas, ou em pessoas com risco cirúrgico alto, uma opção é acompanhar com exames de imagem periódicos. Se o tumor crescer ou causar sintomas, o plano é revisto.

Cirurgia

A cirurgia retira o tumor e confirma o diagnóstico. O passo a passo geral é:

  1. A cirurgia é feita com anestesia geral.
  2. O corte é feito na lateral do pescoço, em uma dobra natural da pele.
  3. O cirurgião identifica e protege os vasos e nervos ao redor.
  4. O tumor é separado e retirado. No schwannoma, sempre que possível, usa-se uma técnica que tenta preservar parte das fibras do nervo.
  5. O material vai para análise no laboratório.

No paraganglioma, a equipe pode incluir um cirurgião vascular. Em alguns casos, faz-se antes a embolização, um procedimento que fecha parte dos vasos do tumor para reduzir o sangramento.

A retirada de um lipoma costuma ser mais simples, muitas vezes com anestesia local.

Radioterapia

A radioterapia é uma alternativa para controlar o crescimento de paragangliomas quando a cirurgia traz risco alto para nervos e vasos.

Quais são os riscos?

Os riscos dependem do tumor e da proximidade com estruturas importantes. Nos tumores ligados a nervos e vasos, podem ocorrer:

  • rouquidão e engasgos, se o nervo vago for afetado;
  • alteração no movimento da língua;
  • pálpebra caída e pupila menor de um lado;
  • fraqueza no ombro ou no braço;
  • sangramento e, raramente, complicações nas artérias do pescoço.

Algumas dessas alterações são temporárias; outras podem ser definitivas, e por isso a decisão entre observar e operar é tão cuidadosa. Na retirada do lipoma, os riscos são baixos: sangramento, infecção, acúmulo de líquido e cicatriz.

Como é a recuperação e o acompanhamento?

Após a retirada de um lipoma, a volta à rotina costuma levar poucos dias. Após cirurgias de paraganglioma ou schwannoma, a internação pode durar alguns dias. Se houver alteração na voz ou na deglutição, a fonoaudiologia ajuda na reabilitação.

Nos primeiros dias em casa, alguns cuidados ajudam:

  • manter o curativo limpo e seco, conforme a orientação da equipe;
  • evitar carregar peso e fazer esforço até a liberação médica;
  • avisar a equipe se surgir inchaço que cresce rápido, febre, falta de ar ou engasgos novos.

O acompanhamento com exames de imagem pode durar anos, principalmente nos paragangliomas. Quando há alteração genética, familiares próximos podem ser orientados a fazer exames.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

  • caroço no pescoço que não diminui em 2 a 3 semanas;
  • caroço que pulsa ou que cresce ao longo dos meses;
  • rouquidão, dificuldade para engolir ou engasgos novos;
  • pálpebra caída ou pupila de tamanhos diferentes;
  • zumbido pulsátil no ouvido;
  • casos de paraganglioma na família.

O especialista indicado para investigar e tratar tumores do pescoço é o cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço. Conforme o caso, a equipe pode incluir cirurgia vascular, radioterapia, genética e fonoaudiologia. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • Tumor no pescoço não é sinônimo de câncer, e muitos são benignos.
  • O paraganglioma nasce junto aos vasos; parte dos casos é hereditária.
  • O schwannoma nasce da capa de um nervo e cresce devagar.
  • O lipoma é macio, superficial e costuma ter retirada simples.
  • Observação, cirurgia e radioterapia são opções, escolhidas caso a caso.

Perguntas frequentes

Tumor no pescoço é sempre câncer?

Não. Tumor significa crescimento anormal de tecido, e muitos tumores do pescoço são benignos, como o lipoma, o schwannoma e a maioria dos paragangliomas. Só os exames definem o tipo.

Paraganglioma é hereditário?

Uma parte dos casos está ligada a alterações genéticas herdadas. Por isso, a avaliação genética pode ser indicada, e familiares próximos podem precisar de exames.

Por que não se faz punção quando há suspeita de paraganglioma?

Porque é um tumor com muitos vasos sanguíneos, e a punção pode causar sangramento sem acrescentar muito ao diagnóstico. Os exames de imagem costumam ser suficientes para identificá-lo.

Schwannoma no pescoço precisa ser operado?

Nem sempre. Como é benigno e cresce devagar, pode ser acompanhado com exames. A cirurgia é considerada quando ele cresce, causa sintomas ou há dúvida no diagnóstico, sempre pesando o risco para o nervo.

Lipoma pode virar câncer?

É muito raro. Existe um tumor maligno de gordura, o lipossarcoma, mas ele é outra doença e não costuma nascer de um lipoma comum. Lipoma que cresce rápido, é endurecido ou muito grande deve ser avaliado.

Tumor no pescoço pode causar rouquidão?

Pode, quando comprime ou nasce de um nervo ligado à voz, como o nervo vago. Rouquidão que dura mais de 3 semanas sempre merece avaliação.

Tumor benigno no pescoço pode voltar depois da cirurgia?

É incomum quando a retirada é completa. Alguns tumores, como paragangliomas hereditários, podem surgir em outros locais, por isso o acompanhamento é mais longo.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  2. National Cancer Institute (NCI)
  3. Manual MSD — versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

Precisa de uma avaliação?

Agende uma consulta com a Dra. Marina Leonardo, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo. Quando indicado, o ultrassom da tireoide é feito na própria consulta.

  • Sem encaminhamento
  • Ultrassom na consulta
  • Convênios e particular
  • Consolação, SP
Endereço
R. Bela Cintra, 217 – Cj 704
Consolação, São Paulo – SP · perto da Av. Paulista
Telefone
(11) 96743-0783
Registro
CRM-SP 212154 · RQE 124374
Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Como chegar
Ver no Google Maps e avaliações