Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Cistos e tumores do pescoço

Tumor do corpo carotídeo (paraganglioma): o que é

O tumor do corpo carotídeo nasce em uma estrutura minúscula que mede o oxigênio do sangue, bem onde a artéria carótida se divide. É um tipo de paraganglioma, na maioria das vezes benigno, que cresce devagar como um caroço indolor abaixo do ângulo da mandíbula. Os exames de imagem costumam bastar para o diagnóstico, sem biópsia de rotina.

O que é o corpo carotídeo?

A artéria carótida leva sangue do coração para a cabeça. No meio do pescoço, ela se divide em dois ramos. Nesse ponto de divisão fica o corpo carotídeo, uma estrutura do tamanho de um grão de arroz.

A função dele é medir o oxigênio do sangue. Quando o oxigênio cai, ele avisa o cérebro para aumentar a respiração. Ele faz parte de um grupo de estruturas chamadas paragânglios.

Quando essas células crescem de forma anormal, formam um paraganglioma. No pescoço, o local mais comum é justamente o corpo carotídeo.

Quais são os sintomas do tumor do corpo carotídeo?

Muitas vezes, o sinal percebido é apenas um caroço na lateral do pescoço, abaixo do ângulo da mandíbula. Algumas características chamam atenção:

  • cresce devagar, ao longo de anos;
  • costuma ser indolor;
  • move-se de um lado para o outro, mas quase não se move para cima e para baixo;
  • às vezes pulsa, por estar colado à artéria.

Tumores grandes podem comprimir nervos próximos e causar:

  • rouquidão;
  • dificuldade para engolir;
  • desvio da língua;
  • queda da pálpebra de um lado.

Uma parte das pessoas descobre o tumor por acaso, em um exame de imagem feito por outro motivo. Um caroço indolor no pescoço tem muitas outras causas, a maioria mais comum. Veja em caroço no pescoço que não dói.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Por que ele aparece?

As causas conhecidas se dividem em três grupos:

  • Genéticas: alterações em alguns genes, principalmente os da família SDH, aumentam o risco. Nesses casos, é mais comum ter tumores nos dois lados ou em outros lugares.
  • Falta crônica de oxigênio: mais casos em quem vive em grandes altitudes ou tem doenças que baixam o oxigênio por anos.
  • Sem causa identificada: boa parte dos casos.

Por causa do componente genético, as diretrizes atuais recomendam oferecer teste genético a todas as pessoas com paraganglioma. Se houver alteração, os familiares podem ser avaliados.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente por imagem:

  • ultrassom com doppler, que mostra um tumor com muitos vasos entre os ramos da carótida;
  • angiotomografia ou angiorressonância, que mostram o tamanho e a relação com a artéria;
  • em alguns casos, exames de medicina nuclear para procurar outros paragangliomas.

Os exames também ajudam a diferenciar de outro tumor raro da mesma região, o schwannoma do pescoço, que nasce de um nervo.

Diferente da maioria dos caroços do pescoço, não se faz biópsia por agulha de rotina. O tumor tem muitos vasos e fica colado à carótida, o que traz risco de sangramento.

O médico também pode pedir exames de sangue ou urina para medir substâncias parecidas com a adrenalina. Paragangliomas do pescoço raramente as produzem, mas é importante saber antes de qualquer tratamento.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento é individual e costuma ser decidido por uma equipe que inclui cirurgião de cabeça e pescoço, cirurgião vascular, radiologista intervencionista e radioterapeuta. As opções são:

Cirurgia

É o tratamento mais usado em pessoas com boa saúde e tumores que podem ser retirados com segurança. Tumores menores costumam ter cirurgia mais simples. Nos maiores, que envolvem a carótida, a operação é mais complexa.

Em casos selecionados, pouco antes da cirurgia, pode ser feita uma embolização: um procedimento por cateter que fecha parte dos vasos do tumor, para reduzir o sangramento. Nem todo caso precisa.

Radioterapia

É uma alternativa para pessoas mais velhas, com risco cirúrgico alto ou tumores muito extensos. O objetivo é parar o crescimento, e o tumor costuma continuar visível nos exames.

Observação

Em pessoas mais velhas, com tumores pequenos e sem sintomas, acompanhar com exames periódicos pode ser uma opção razoável, já que o crescimento costuma ser lento.

Quais são os riscos da cirurgia?

É importante conversar sobre eles com franqueza. Os principais riscos são:

  • lesão de nervos próximos, que pode causar rouquidão, dificuldade para engolir ou alteração na língua, temporária ou permanente;
  • sangramento;
  • lesão da artéria carótida, que pode exigir reparo;
  • AVC, raro, mas possível em cirurgias maiores.

O risco aumenta com o tamanho do tumor. Por isso, quando a cirurgia é indicada, costuma-se preferir não adiar demais em pessoas jovens.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você tiver:

  • caroço na lateral do pescoço, abaixo do ângulo da mandíbula, que não some;
  • caroço que pulsa ou cresce lentamente ao longo de meses;
  • rouquidão, dificuldade para engolir ou desvio da língua junto com o caroço;
  • familiar com diagnóstico de paraganglioma ou feocromocitoma (tumor parecido, na glândula suprarrenal).

O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista indicado para a avaliação inicial e para coordenar a equipe. Veja mais no guia sobre tumores do pescoço. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O tumor do corpo carotídeo é um paraganglioma raro, geralmente benigno.
  • Ele nasce ao lado da carótida e cresce devagar.
  • O diagnóstico é feito por imagem, sem biópsia de rotina.
  • O teste genético deve ser oferecido a todas as pessoas com paraganglioma.
  • Cirurgia, radioterapia ou observação são escolhidas por uma equipe multidisciplinar.

Perguntas frequentes

Tumor do corpo carotídeo é câncer?

Na grande maioria das vezes, é benigno. Uma minoria pode se espalhar para linfonodos ou outros órgãos. Como não há como prever isso só pela aparência, o acompanhamento a longo prazo é recomendado.

Por que não se faz biópsia no tumor do corpo carotídeo?

Porque é um tumor com muitos vasos sanguíneos, colado à artéria carótida. A biópsia traz risco de sangramento e costuma acrescentar pouco. Os exames de imagem geralmente bastam para o diagnóstico.

O tumor do corpo carotídeo é hereditário?

Em uma parte dos casos, sim. Por isso, as diretrizes atuais recomendam oferecer teste genético a todas as pessoas com paraganglioma, e avaliar os familiares quando uma alteração é encontrada.

Morar em cidade alta aumenta o risco?

Estudos mostram mais casos em pessoas que vivem em grandes altitudes, onde há menos oxigênio no ar. Doenças que baixam o oxigênio do sangue por muito tempo também estão associadas.

Fontes

  1. National Cancer Institute (NCI)
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. Manual MSD — versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

Precisa de uma avaliação?

Agende uma consulta com a Dra. Marina Leonardo, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo. Quando indicado, o ultrassom da tireoide é feito na própria consulta.

  • Sem encaminhamento
  • Ultrassom na consulta
  • Convênios e particular
  • Consolação, SP
Endereço
R. Bela Cintra, 217 – Cj 704
Consolação, São Paulo – SP · perto da Av. Paulista
Telefone
(11) 96743-0783
Registro
CRM-SP 212154 · RQE 124374
Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Como chegar
Ver no Google Maps e avaliações