Pele do rosto e pescoço
Carcinoma espinocelular (CEC) na pele: o que é e como tratar
O carcinoma espinocelular (CEC) é um câncer de pele ligado ao sol acumulado, comum em orelhas, lábio de baixo e couro cabeludo. Muitas vezes nasce de uma manchinha áspera antiga que engrossa ou vira ferida. Por poder chegar aos gânglios, pede diagnóstico cedo, e a cirurgia costuma controlar a maioria dos casos iniciais.
O nome vem das células escamosas, que formam as camadas de cima da pele. Por isso ele também aparece como carcinoma epidermoide ou de células escamosas nos laudos.
Como é o carcinoma espinocelular na pele?
Ele costuma aparecer em lugares que pegam muito sol: orelhas, lábio de baixo, nariz, testa, couro cabeludo com calvície, dorso das mãos e antebraços.
Os sinais mais comuns são:
- lesão elevada e endurecida, com casca grossa e áspera;
- ferida que sangra, forma crosta e não cicatriza;
- caroço que cresce em poucas semanas ou meses;
- área que dói ou fica sensível ao toque.
Muitas vezes o CEC nasce sobre uma ceratose actínica, que são manchinhas ásperas de sol. Entenda o que é a ceratose actínica e por que ela é tratada.
Uma forma parecida, que cresce muito rápido e fica com uma cratera no centro, é o ceratoacantoma. Ele costuma ser tratado como um CEC até que o exame esclareça.
Quem tem mais risco de CEC?
O fator principal é o sol acumulado ao longo dos anos. Por isso o CEC é mais comum em pessoas mais velhas e em quem trabalhou ao ar livre. Ele também é mais frequente em homens.
Outros fatores de risco:
- pele e olhos claros;
- bronzeamento artificial;
- cicatrizes antigas de queimadura ou feridas crônicas;
- radioterapia antiga na região;
- imunidade baixa, como em transplantados de órgãos;
- tabagismo, sobretudo para lesões no lábio.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.O carcinoma espinocelular é perigoso?
É mais agressivo que o basocelular, mas a maioria dos casos é controlada com o tratamento local. O cuidado a mais vem do fato de que ele pode se espalhar.
Quando isso acontece, o caminho mais comum são os linfonodos (os gânglios, que filtram a linfa). No rosto e no couro cabeludo, eles ficam dentro da parótida, a glândula de saliva na frente da orelha, e no pescoço.
Alguns sinais aumentam o risco e mudam a conduta:
- tumor grande ou profundo;
- localização na orelha ou no lábio;
- invasão de nervos, vista no exame do microscópio;
- tumor que voltou depois de tratado;
- imunidade baixa.
Os tumores da orelha merecem atenção especial. Veja mais sobre câncer de pele na orelha.
Como é feito o diagnóstico?
O médico examina a pele e palpa (examina com os dedos) o pescoço e a região da parótida. Em seguida, faz uma biópsia com anestesia local para confirmar.
Em tumores de maior risco, podem ser pedidos exames de imagem, como ultrassom do pescoço, tomografia ou ressonância. Eles mostram se há gânglios alterados ou invasão em profundidade.
Como é o tratamento do carcinoma espinocelular?
O tratamento principal é a cirurgia. O tumor é retirado com uma margem de pele saudável ao redor. Em áreas delicadas ou tumores que voltaram, pode ser usada a cirurgia micrográfica de Mohs, que examina as bordas durante o procedimento.
Depois da retirada, a ferida pode ser fechada com pontos, com retalhos (pele vizinha deslocada) ou com enxerto de pele. Saiba mais sobre a cirurgia e a reconstrução no rosto.
Se houver gânglios comprometidos, o tratamento é ampliado. Pode incluir a retirada de parte da parótida (parotidectomia) e dos gânglios do pescoço, em uma cirurgia chamada esvaziamento cervical. A radioterapia pode complementar o tratamento em casos selecionados.
Lesões muito pequenas e superficiais, chamadas de CEC in situ, às vezes são tratadas com técnicas mais simples, a critério do dermatologista.
Depois do tratamento, o acompanhamento é parte do cuidado. Nas consultas de retorno, o médico examina a cicatriz, a pele do rosto e os gânglios do pescoço. A frequência das visitas depende do risco de cada caso. Nos primeiros anos, elas costumam ser mais próximas. Quem já teve um CEC também tem mais chance de ter outro câncer de pele, por isso a proteção solar continua sendo importante.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se notar:
- lesão áspera ou com casca grossa que cresce;
- ferida no rosto, na orelha ou no lábio que não fecha em cerca de 4 semanas;
- caroço de crescimento rápido na pele;
- lesão de pele que dói ou fica dormente;
- caroço novo na frente da orelha ou no pescoço, sobretudo se você já teve câncer de pele.
O dermatologista costuma fazer o diagnóstico inicial. Tumores grandes, que voltaram ou com suspeita de gânglios são, em geral, conduzidos pelo cirurgião de cabeça e pescoço, muitas vezes junto com dermatologista, radioterapeuta e oncologista. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- O carcinoma espinocelular é o segundo câncer de pele mais comum e está ligado ao sol.
- Aparece como lesão áspera, casca grossa ou ferida que não fecha.
- Pode chegar aos gânglios da parótida e do pescoço, por isso essas áreas são examinadas.
- A cirurgia é o tratamento principal; radioterapia pode complementar em alguns casos.
- Tratado cedo, na maioria das vezes é controlado.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre carcinoma espinocelular e basocelular?
Os dois são cânceres de pele não melanoma ligados ao sol. O basocelular é mais comum, cresce devagar e quase nunca se espalha. O espinocelular pode crescer mais rápido e tem mais chance de chegar aos gânglios, por isso pede um acompanhamento mais atento.
Carcinoma espinocelular dá metástase?
Pode dar, mas na maioria dos casos isso não acontece, principalmente quando o tumor é tratado cedo. Quando se espalha, o caminho mais comum são os gânglios próximos, que no rosto ficam na parótida e no pescoço. O médico avalia essas regiões na consulta e, se preciso, com exames de imagem.
CEC na pele é o mesmo que câncer de boca?
Não. O tipo de célula é parecido, e por isso o nome é o mesmo, mas são doenças de lugares diferentes. O CEC de pele está ligado principalmente ao sol. O câncer de boca está mais ligado a cigarro e álcool.
Precisa de radioterapia depois da cirurgia de CEC?
Nem sempre. A radioterapia pode ser indicada quando o tumor é grande, invade nervos, tem margens comprometidas ou atingiu gânglios. A decisão é individual e costuma ser tomada em conjunto com o radioterapeuta.
Ceratose actínica vira carcinoma espinocelular?
Uma parte pequena das ceratoses actínicas pode evoluir para CEC ao longo do tempo. Não dá para saber com antecedência qual vai evoluir. Por isso o dermatologista costuma tratar essas lesões e acompanhar a pele.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
- Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.