Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Pele do rosto e pescoço

Ceratose actínica: a lesão de sol que pode virar câncer

A ceratose actínica muitas vezes é percebida antes com o dedo do que com os olhos: um ponto áspero na testa, no nariz ou na careca que não sai com hidratante. É um aviso de que a pele acumulou sol demais. Não é câncer, mas algumas evoluem, e por isso o tratamento é recomendado.

"Actínica" quer dizer causada pela luz do sol. A lesão é um sinal de que aquela pele acumulou muito dano solar ao longo dos anos. Muitas vezes, quem tem uma ceratose tem várias.

Como é a ceratose actínica?

Ela costuma aparecer como:

  • manchinha áspera, que se sente mais com o dedo do que se vê;
  • área avermelhada, rosada ou cor de pele, com escamas finas;
  • casquinha que sai e volta a se formar no mesmo lugar;
  • lesão pequena, geralmente de poucos milímetros, às vezes maior.

Os locais mais comuns são testa, nariz, bochechas, orelhas, couro cabeludo com calvície, dorso das mãos e antebraços.

No lábio de baixo, o mesmo tipo de dano recebe o nome de queilite actínica. O lábio fica ressecado, esbranquiçado e com o contorno apagado.

Quando a pele ao redor também está muito danificada pelo sol, com várias lesões juntas, os médicos falam em "campo de cancerização". É uma área inteira com risco aumentado.

Por que a ceratose actínica pode virar câncer?

A radiação ultravioleta altera as células das camadas de cima da pele. Na ceratose actínica, essas células já estão alteradas, mas ainda não invadiram as camadas mais profundas.

Com o tempo, uma parte dessas lesões pode avançar e se tornar um carcinoma espinocelular, o segundo tipo mais comum de câncer de pele. Não dá para saber, só olhando, qual vai evoluir. Veja o que é o carcinoma espinocelular.

Sinais de que uma ceratose pode ter mudado:

  • ficou mais grossa ou endurecida;
  • começou a doer;
  • passou a sangrar ou abriu uma ferida;
  • cresceu rápido.

Nesses casos, o médico costuma indicar biópsia.

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Quem tem mais chance de ter ceratose actínica?

  • pessoas de pele clara, que se queimam fácil;
  • quem passou muito tempo ao sol no trabalho ou no lazer;
  • pessoas mais velhas, pelo acúmulo de sol ao longo da vida;
  • homens calvos, pela exposição do couro cabeludo;
  • quem tem imunidade baixa, como pessoas transplantadas;
  • quem já teve câncer de pele.

Como é o tratamento da ceratose actínica?

O tratamento é feito, na maioria das vezes, pelo dermatologista. A escolha depende do número de lesões, do local e das características de cada pessoa.

Tratamento Como funciona Indicação mais comum
Crioterapia Congela a lesão com nitrogênio líquido; forma uma casca que cai em alguns dias Poucas lesões isoladas
Cremes de uso tópico Aplicados em casa por algumas semanas, tratam a lesão e a pele ao redor Várias lesões ou campo de cancerização
Terapia fotodinâmica Um creme deixa as células alteradas sensíveis à luz, que depois é aplicada Áreas extensas, como testa e couro cabeludo
Curetagem ou retirada cirúrgica Raspa ou retira a lesão, que vai para análise Lesões grossas ou com suspeita de carcinoma
Peelings e laser Removem camadas superficiais da pele Casos selecionados

Alguns tratamentos deixam a pele vermelha, descamando e sensível por alguns dias ou semanas. Essa reação costuma ser esperada, e o médico orienta como lidar com ela.

Os cremes devem ser usados somente com prescrição. Não use produtos por conta própria.

Depois do tratamento, o acompanhamento continua. Novas lesões podem surgir na mesma região, porque a pele guarda o dano de sol de muitos anos. Nas revisões, o médico examina a pele tratada e as áreas vizinhas, e decide se é preciso repetir ou trocar o tratamento. Quem tem muitas ceratoses costuma precisar de consultas mais frequentes do que quem teve apenas uma lesão isolada.

Como prevenir novas lesões?

O tratamento cuida das lesões que existem. A prevenção reduz o surgimento de novas:

  • protetor solar todos os dias no rosto, nas orelhas, no pescoço e no couro cabeludo exposto;
  • chapéu de aba larga e roupas com proteção;
  • evitar o sol forte no meio do dia;
  • revisão periódica da pele com o dermatologista.

Veja um guia prático de proteção solar no rosto e no pescoço.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se notar:

  • manchinhas ásperas que não saem em áreas de sol;
  • casca que volta sempre no mesmo lugar;
  • lábio de baixo sempre ressecado, esbranquiçado ou com fissuras;
  • lesão áspera que ficou mais grossa, dolorida ou começou a sangrar;
  • ferida no rosto que não sara em cerca de 4 semanas.

O dermatologista é o especialista indicado para diagnosticar e tratar a ceratose actínica. Se uma lesão evoluir para carcinoma e exigir cirurgia maior no rosto ou avaliação do pescoço, o cirurgião de cabeça e pescoço pode ser envolvido. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A ceratose actínica é uma lesão áspera causada pelo sol, comum no rosto e nas orelhas.
  • Não é câncer, mas uma parte pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • Lesão que engrossa, dói ou sangra merece biópsia.
  • Há várias opções de tratamento, conduzidas pelo dermatologista.
  • Proteção solar diária ajuda a evitar novas lesões.

Perguntas frequentes

Ceratose actínica é câncer?

Não. Ela é uma lesão pré-cancerosa, ou seja, um dano de sol que pode, em uma parte dos casos, evoluir para câncer. A maioria não evolui, mas não há como prever qual vai mudar. Por isso o tratamento é recomendado.

Ceratose actínica some sozinha?

Algumas podem regredir, principalmente com proteção solar rigorosa. Outras persistem ou aparecem novas ao redor. Como não é possível saber o caminho de cada uma, o dermatologista costuma indicar tratamento e revisão periódica.

Qual a diferença entre ceratose actínica e ceratose seborreica?

A ceratose actínica é áspera, pequena e causada pelo sol, com potencial de evoluir para câncer. A ceratose seborreica é uma lesão benigna, geralmente marrom, com aspecto de 'grudada' na pele, que não vira câncer. O médico diferencia as duas no exame.

Quem tem ceratose actínica precisa de biópsia?

Nem sempre. Muitas vezes o diagnóstico é feito pelo exame da pele. A biópsia é indicada quando a lesão está endurecida, dolorida, sangrando, cresce rápido ou não responde ao tratamento, porque esses sinais podem indicar que já virou carcinoma.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele não melanoma
  3. Manual MSD — Versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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