Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Garganta, laringe e voz

Vacina de HPV protege contra câncer de garganta?

Tudo indica que sim. A vacina de HPV bloqueia o HPV 16, o tipo do vírus mais ligado ao câncer de garganta, e quem é vacinado tem menos HPV na boca. O que falta é tempo: esse câncer costuma surgir décadas depois da infecção, e as primeiras gerações vacinadas ainda são jovens.

Como o HPV causa câncer de garganta?

O HPV é um vírus comum, transmitido pelo contato íntimo. Na garganta, ele chega principalmente pelo sexo oral. Na maioria das pessoas, o próprio corpo elimina o vírus em um ou dois anos.

Em poucas pessoas, a infecção persiste por muitos anos e pode levar ao câncer na orofaringe, a região das amígdalas e da base da língua. O Ministério da Saúde lista o HPV entre as causas de câncer de colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.

Veja os detalhes dessa relação em HPV e câncer de garganta.

A vacina HPV protege contra o câncer de garganta?

A resposta honesta tem duas partes.

O que já se sabe:

  • a vacina impede a infecção pelos tipos de HPV que mais causam câncer, incluindo o HPV 16;
  • o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI) informa que os tipos de HPV que causam câncer de orofaringe estão entre os que a vacina cobre;
  • estudos mostram menos infecção por HPV na boca em pessoas vacinadas;
  • o NCI relata que, à medida que mais mulheres foram vacinadas, a infecção oral por HPV diminuiu também em homens, um efeito de proteção coletiva.

O que ainda está sendo confirmado:

  • como o câncer de garganta por HPV surge muitos anos depois da infecção, as gerações vacinadas ainda são jovens demais para mostrar, com números fechados, a queda desse câncer.

Em outras palavras: a vacina bloqueia a causa, e a ciência espera que isso se traduza em menos tumores de garganta no futuro, como já acontece com o câncer de colo do útero.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quem pode tomar a vacina de HPV pelo SUS?

Segundo a página do Ministério da Saúde consultada em setembro de 2026, a vacina é oferecida no SUS para:

  • crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em uma dose só;
  • grupos com condições especiais, como pessoas com imunidade baixa (vivendo com HIV, transplantadas ou em tratamento de câncer), vítimas de violência sexual, pessoas que usam PrEP (remédio que previne o HIV) e pessoas com papilomatose respiratória recorrente. Esses grupos têm faixas de idade e número de doses próprios.

O calendário pode mudar. Antes de ir, confirme na unidade básica de saúde ou no site do Ministério da Saúde quais faixas e grupos estão sendo vacinados no momento.

Por que a vacina é indicada tão cedo?

Porque ela funciona antes do contato com o vírus. A proteção é maior quando a vacina é tomada antes do início da vida sexual, embora adultos também possam ter algum benefício.

Nessa idade, o sistema de defesa também responde muito bem à vacina. No calendário do SUS, a faixa de 9 a 14 anos recebe uma dose só.

O que a vacina de HPV não faz?

É importante saber os limites:

  • não trata infecção que já existe, nem lesões ou câncer já formados;
  • não protege contra todos os tipos de HPV;
  • não protege contra os tumores de garganta causados por cigarro e álcool;
  • não substitui o preservativo, que reduz o risco de HPV e de outras infecções, embora não elimine completamente a transmissão do HPV.

Por isso, prevenção inclui também não fumar, reduzir o álcool e observar sinais de alerta. O quadro completo está em câncer de cabeça e pescoço: fatores de risco e prevenção.

Quando procurar um médico?

Procure a unidade de saúde para:

  • vacinar crianças e adolescentes na faixa indicada;
  • saber se você faz parte de algum grupo especial com direito à vacina.

Procure avaliação médica, vacinado ou não, se tiver:

  • caroço no pescoço por mais de 2 a 3 semanas;
  • dor de garganta de um lado só que não passa;
  • dor ou dificuldade para engolir que persiste;
  • dor no ouvido sem causa no ouvido;
  • rouquidão por mais de 3 semanas.

A vacina é aplicada nas unidades de saúde, com orientação do pediatra, do médico de família ou do infectologista, conforme o caso. Os sintomas de garganta costumam ser avaliados primeiro pelo otorrinolaringologista, e o cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço investiga caroços no pescoço e lesões suspeitas. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O HPV 16, coberto pela vacina, é o tipo mais ligado ao câncer de garganta.
  • Vacinados têm menos infecção por HPV na boca; a queda do câncer ainda está sendo medida.
  • No SUS, crianças e adolescentes de 9 a 14 anos tomam uma dose; alguns grupos especiais também têm direito.
  • A vacina previne, mas não trata infecção ou câncer já existentes.
  • Sinais na garganta que não passam, como rouquidão por mais de 3 semanas, pedem avaliação, mesmo em vacinados.

Perguntas frequentes

Adulto pode tomar a vacina de HPV?

Pelo SUS, a vacina é oferecida a crianças e adolescentes e a alguns grupos específicos. Adultos fora desses grupos podem encontrar a vacina em clínicas privadas, dentro das faixas aprovadas. O benefício tende a ser menor em quem já teve contato com o vírus, e vale conversar com o médico.

Meninos também devem tomar a vacina de HPV?

Sim. O HPV causa câncer de garganta, ânus e pênis em homens, e os tumores de garganta ligados ao vírus são mais comuns em homens. Vacinar meninos também reduz a circulação do vírus na população.

A vacina de HPV trata quem já tem o vírus?

Não. A vacina é preventiva. Ela não elimina uma infecção que já existe e não trata lesões ou câncer já formados. Por isso a proteção é maior quando ela é tomada antes do início da vida sexual.

Quem tomou a vacina pode deixar de observar sinais na garganta?

Não. A vacina não protege contra todos os tipos de HPV nem contra os tumores causados por cigarro e álcool. Rouquidão por mais de 3 semanas, dor ao engolir que não passa ou caroço no pescoço por mais de 2 a 3 semanas continuam pedindo avaliação.

A vacina de HPV é segura?

As vacinas de HPV são usadas há muitos anos em vários países, com acompanhamento contínuo de segurança. Os efeitos mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação. Desmaio logo após a vacina pode acontecer em adolescentes, por isso se recomenda ficar sentado alguns minutos.

Fontes

  1. Ministério da Saúde — HPV
  2. National Cancer Institute — HPV vaccines
  3. National Cancer Institute — HPV and cancer

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

Precisa de uma avaliação?

Agende uma consulta com a Dra. Marina Leonardo, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo. Quando indicado, o ultrassom da tireoide é feito na própria consulta.

  • Sem encaminhamento
  • Ultrassom na consulta
  • Convênios e particular
  • Consolação, SP
Endereço
R. Bela Cintra, 217 – Cj 704
Consolação, São Paulo – SP · perto da Av. Paulista
Telefone
(11) 96743-0783
Registro
CRM-SP 212154 · RQE 124374
Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Como chegar
Ver no Google Maps e avaliações