Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Parotidite: o que é, sintomas e tratamento

Parotidite é quando a parótida, a maior glândula de saliva, fica inflamada e o rosto incha na frente da orelha. Na maioria das vezes, a culpa é de um vírus, como o da caxumba, ou de bactérias da própria boca. Os dois quadros doem e incham, mas o tratamento e o médico certo mudam de um para o outro.

O que causa a parotidite?

A parótida pode inflamar por vários motivos:

  • Vírus: a caxumba é o exemplo clássico. Outros vírus também podem inflamar a glândula.
  • Bactéria: acontece quando germes da boca sobem pelo canal da glândula.
  • Pedra ou estreitamento do canal: a saliva fica parada e a glândula incha.
  • Doenças autoimunes: como a síndrome de Sjögren, em que a defesa do corpo ataca as glândulas.
  • Parotidite recorrente da infância: crises repetidas em crianças, cuja causa ainda não é totalmente conhecida.

Os dois tipos mais comuns, caxumba e bacteriana, merecem uma explicação separada.

Qual a diferença entre caxumba e parotidite bacteriana?

Caxumba (viral) Parotidite bacteriana
Causa Vírus da caxumba Bactérias da própria boca
Quem pega mais Crianças e adultos não vacinados Idosos, pessoas desidratadas, após cirurgias
Lados Muitas vezes os dois lados Geralmente um lado só
Pus na boca Não Pode sair pus pelo canal, dentro da bochecha
Contágio Sim, pela saliva e gotículas Em geral, não
Tratamento Repouso, hidratação e alívio dos sintomas Antibiótico, hidratação e estímulo da saliva

Caxumba

A caxumba é uma infecção por vírus que passa de pessoa para pessoa. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão acontece por gotículas da respiração ou pelo contato com a saliva de quem está infectado.

Os sinais são inchaço das parótidas, febre, dor de cabeça, cansaço e dor para mastigar. Em algumas pessoas, a glândula nem chega a inchar de forma visível.

Não existe remédio que mate o vírus. O tratamento é repouso, bastante líquido, alimentos macios e remédios para dor e febre indicados pelo médico. A vacina tríplice viral, oferecida no SUS, é a forma de prevenção.

Parotidite bacteriana

Aqui, bactérias que já vivem na boca sobem pelo canal da parótida. Isso acontece quando a saliva escorre pouco, como na desidratação, em idosos, em quem tem a boca muito seca ou depois de cirurgias grandes.

O quadro costuma ser um lado do rosto inchado, vermelho, quente e muito dolorido. Ao apertar a glândula, pode sair pus dentro da boca. Febre é comum.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Como é feito o diagnóstico da parotidite?

Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito na consulta. O médico apalpa a glândula, examina a boca e observa o que sai pelo canal.

Exames entram quando há dúvida:

  • Ultrassom: mostra se há abscesso (bolsa de pus), pedra ou nódulo.
  • Exames de sangue: ajudam a ver a intensidade da infecção.
  • Cultura da secreção: identifica a bactéria em casos que não respondem ao tratamento.
  • Tomografia: usada em casos mais graves ou com suspeita de abscesso profundo.

Qual é o tratamento da parotidite?

Depende da causa. Na caxumba, o foco é aliviar os sintomas enquanto o corpo elimina o vírus.

Na parotidite bacteriana, o tratamento costuma incluir:

  • antibiótico escolhido pelo médico;
  • muita água, para a saliva voltar a escorrer;
  • balas azedas sem açúcar ou limão, que estimulam a saliva;
  • compressas mornas e massagem suave da glândula, conforme a orientação do médico;
  • boa higiene da boca.

Se forma um abscesso, pode ser preciso drenar o pus com agulha ou com um pequeno corte. Essa parte é feita pelo cirurgião.

Quando a parotidite é caso de cirurgião?

Sendo direto: a maior parte das parotidites não precisa de cirurgião.

  • Caxumba: quem cuida é o pediatra, no caso de crianças, ou o clínico geral, no caso de adultos.
  • Primeira crise de parotidite bacteriana: o clínico ou o pronto-socorro costuma resolver.

O cirurgião de cabeça e pescoço, ou o otorrinolaringologista, entra quando:

  • há abscesso que precisa ser drenado;
  • as crises se repetem;
  • existe suspeita de pedra ou estreitamento no canal;
  • sobra um caroço depois que a inflamação passa;
  • o inchaço não responde ao tratamento.

Em casos de crises repetidas, pode ser útil a sialoendoscopia, exame com uma câmera fina que entra pelo canal da glândula. Se a sua dúvida é sobre um inchaço sem febre e que não dói, veja o texto sobre parótida inchada e suas causas. Pedras no canal são explicadas em cálculo salivar.

Dá para prevenir a parotidite?

Em boa parte dos casos, sim:

  • mantenha a vacinação contra caxumba em dia;
  • beba água ao longo do dia, principalmente idosos;
  • cuide da higiene da boca e dos dentes;
  • converse com o médico se algum remédio deixa sua boca muito seca.

Quem tem boca seca frequente tem mais risco de infecção nas glândulas. Entenda essa relação em boca seca e glândulas salivares.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento se você tiver:

  • inchaço na frente da orelha com febre;
  • pus ou gosto ruim saindo dentro da boca;
  • dor forte que não passa com analgésico comum;
  • dificuldade para abrir a boca, engolir ou respirar;
  • inchaço nos testículos, dor de barriga forte ou dor de cabeça forte com nuca dura durante uma caxumba;
  • crises de inchaço que voltam;
  • caroço que continua depois que a inflamação passou.

Para caxumba e para a primeira crise de infecção, procure o pediatra ou o clínico. Para crises repetidas, abscesso ou caroço que fica, procure o cirurgião de cabeça e pescoço. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • Parotidite é a inflamação da parótida, a glândula salivar na frente da orelha.
  • A caxumba é viral, contagiosa e prevenida com vacina.
  • A parotidite bacteriana aparece quando a saliva escorre pouco e é tratada com antibiótico e hidratação.
  • Pediatra e clínico cuidam da maioria dos casos.
  • Abscesso, crises repetidas e caroço que fica são avaliados pelo cirurgião de cabeça e pescoço.

Perguntas frequentes

Parotidite é a mesma coisa que caxumba?

Não exatamente. Parotidite é o nome de qualquer inflamação da parótida. A caxumba é uma das causas, provocada por um vírus. A parótida também pode inflamar por bactéria, por pedra no canal ou por doenças autoimunes.

Parotidite bacteriana é contagiosa?

Em geral, não. Ela acontece quando bactérias da própria boca sobem pelo canal da glândula, quase sempre porque a saliva está escorrendo pouco. Já a caxumba é contagiosa e passa pela saliva e por gotículas da respiração.

Adulto pode ter caxumba?

Pode, principalmente quem não foi vacinado ou não completou as doses. No adulto, a caxumba tende a ter mais complicações, como inflamação dos testículos nos homens. A vacina tríplice viral protege e está disponível no SUS.

Quanto tempo dura uma parotidite?

Na caxumba, o inchaço costuma regredir em cerca de uma semana a dez dias. Na infecção por bactéria, os sintomas começam a ceder em poucos dias de tratamento. Se não houver resposta, o médico reavalia para descartar abscesso ou outra causa.

Criança com parotidite que volta várias vezes é normal?

Existe uma condição chamada parotidite recorrente da infância, em que a criança tem crises repetidas de inchaço da parótida. Na maioria das crianças, as crises diminuem ou somem por volta da adolescência, mas o quadro precisa ser acompanhada para confirmar o diagnóstico e afastar outras causas.

Fontes

  1. Ministério da Saúde — Caxumba
  2. Manual MSD — Versão para a família
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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