Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Glândulas salivares

Cálculo salivar (pedra na glândula): sintomas e tratamento

Cálculo salivar é uma "pedra na glândula": um depósito duro, principalmente de sais de cálcio, que bloqueia a saída da saliva. Por isso, a glândula enche e dói justamente quando a boca mais precisa de saliva, na hora de comer. Tem tratamento, e em muitos casos a pedra sai ou é retirada sem tirar a glândula.

O que é o cálculo salivar?

O nome médico é sialolitíase. É o mesmo princípio da pedra no rim, mas acontece na glândula da saliva.

A pedra pode surgir em qualquer glândula salivar, mas a grande maioria aparece na submandibular, que fica embaixo da mandíbula. Isso acontece porque:

  • a saliva dela é mais grossa;
  • o canal é longo e sobe em direção à boca, contra a gravidade;
  • a saliva tem mais cálcio.

A parótida, na frente da orelha, forma pedras com menos frequência. A sublingual raramente tem esse problema.

Quais são os sintomas de cálculo salivar?

O sintoma mais característico tem até nome: cólica salivar. Funciona assim:

  1. Você começa a comer, ou só sente o cheiro da comida.
  2. A glândula produz saliva, mas ela não consegue sair.
  3. A glândula incha e dói em poucos minutos.
  4. Depois de algumas horas, a saliva escoa aos poucos e o inchaço diminui.

Outros sinais possíveis:

  • sentir uma pedrinha dura embaixo da língua;
  • gosto ruim ou salgado na boca;
  • boca seca de um lado;
  • inchaço que fica cada vez mais frequente.

Quando a pedra fica muito tempo parada, bactérias podem infectar a glândula. Aí aparecem febre, vermelhidão, dor forte e pus dentro da boca. Esse quadro está explicado em glândula submandibular inchada.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Por que o cálculo salivar se forma?

Nem sempre se descobre uma causa clara. Os fatores que favorecem a formação da pedra são:

  • beber pouca água;
  • remédios que secam a boca, como alguns para pressão, alergia, depressão e ansiedade;
  • inflamações anteriores da glândula;
  • idade: é mais comum em adultos de meia-idade.

Não há relação comprovada com a quantidade de cálcio da alimentação nem com pedra no rim.

Como é feito o diagnóstico?

O médico começa pela história. A queixa de inchaço que acompanha as refeições já sugere muito o diagnóstico.

No exame, ele apalpa o assoalho da boca e a glândula por fora. Pedras perto da saída do canal muitas vezes são sentidas com o dedo.

Os exames mais usados são:

  • Ultrassom: mostra a maioria das pedras e o estado da glândula.
  • Tomografia: encontra pedras pequenas e mostra a posição exata, o que ajuda a planejar a retirada.
  • Radiografia da boca: às vezes mostra pedras no assoalho da boca.
  • Sialoendoscopia: uma câmera muito fina entra pelo canal. Serve para ver a pedra e, em muitos casos, já retirá-la.

Qual é o tratamento do cálculo salivar?

O tratamento depende do tamanho da pedra, de onde ela está e de quantas crises a pessoa já teve.

Situação O que costuma ser feito
Pedra pequena, crises leves Hidratação, massagem, compressa morna e estímulo da saliva
Crise com infecção Antibiótico indicado pelo médico, além das medidas acima
Pedra perto da saída do canal Retirada pela boca, com anestesia local
Pedra dentro do canal, sem acesso fácil Sialoendoscopia, quando disponível
Pedra funda, sem acesso pela boca, ou crises repetidas Retirada da glândula

Medidas caseiras orientadas

Nas crises leves, o médico pode orientar:

  • beber água ao longo do dia;
  • massagear a glândula de trás para frente, em direção à boca;
  • usar compressa morna sobre o inchaço;
  • chupar balas azedas sem açúcar para estimular a saliva.

Essas medidas ajudam pedras pequenas a sair e aliviam as crises. Se a dor piorar muito com o estímulo, pare e procure avaliação.

Retirada da pedra pela boca

Quando a pedra está no canal, perto do assoalho da boca, o cirurgião faz um pequeno corte por dentro da boca, com anestesia local, e retira a pedra. A glândula é preservada.

Sialoendoscopia

É um procedimento em que uma câmera de poucos milímetros entra pelo orifício natural do canal. Com pinças ou pequenos "cestinhos", é possível retirar algumas pedras. Pedras grandes podem precisar ser fragmentadas antes. Nem todo serviço tem o equipamento.

Retirada da glândula

Fica para pedras fundas, que não podem ser retiradas pela boca, crises que voltam apesar do tratamento ou glândulas já muito inflamadas. Na submandibular, a cirurgia é feita por um corte no pescoço, abaixo da mandíbula. Veja como é em submandibulectomia.

O cálculo salivar pode voltar?

Pode. Algumas pessoas formam novas pedras, na mesma glândula ou em outra. Beber água, cuidar da higiene da boca e rever com o médico remédios que secam a boca ajudam a reduzir esse risco.

Quando procurar um médico?

Procure atendimento no mesmo dia se houver:

  • febre com inchaço embaixo da mandíbula ou na frente da orelha;
  • pus saindo dentro da boca;
  • inchaço que não desincha, dor intensa ou dificuldade para engolir.

Marque consulta se:

  • a glândula incha sempre que você come;
  • você sente uma pedrinha embaixo da língua;
  • as crises estão ficando mais frequentes;
  • sobra um caroço duro mesmo sem estar comendo.

O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista indicado para investigar e tratar pedras que não saem com medidas simples. O otorrinolaringologista também atende esses casos. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • Cálculo salivar é uma pedra que entope o canal da saliva.
  • É mais comum na glândula submandibular, embaixo da mandíbula.
  • O sintoma típico é inchaço e dor na hora de comer.
  • Pedras pequenas podem sair com hidratação e massagem; outras são retiradas pela boca ou por câmera.
  • A retirada da glândula fica para casos de pedra funda ou crises repetidas.

Perguntas frequentes

Pedra na glândula salivar sai sozinha?

Pedras pequenas, perto da saída do canal, às vezes saem sozinhas com hidratação, massagem e estímulo da saliva. Pedras maiores ou mais fundas raramente saem sem ajuda e costumam precisar de algum procedimento.

O que causa o cálculo salivar?

A causa exata nem sempre é conhecida. Saliva mais grossa, pouca ingestão de água, remédios que secam a boca e inflamações anteriores favorecem a formação da pedra. Ela não tem relação comprovada com pedra no rim.

Cálculo salivar é perigoso?

Não é câncer e não vira câncer. O problema é que a pedra entope a glândula e favorece infecções repetidas. Com o tempo, a glândula pode ficar inflamada de forma crônica e perder a função.

Chupar limão ajuda a tirar pedra da glândula salivar?

O azedo estimula a produção de saliva e pode ajudar a empurrar pedras pequenas. Mas, se o canal estiver muito entupido, o estímulo pode aumentar o inchaço e a dor. O ideal é usar essa medida com orientação médica.

Dá para tirar a pedra sem cortar o pescoço?

Muitas vezes, sim. Pedras perto da saída do canal podem ser retiradas por dentro da boca. Em centros com equipamento, a sialoendoscopia usa uma câmera fina pelo próprio canal. A retirada da glândula pelo pescoço fica para casos selecionados.

Fontes

  1. Manual MSD — Versão para a família
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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