Câncer de tireoide
Carcinoma medular de tireoide: o que é e como tratar
Diferente dos tipos mais comuns, o carcinoma medular de tireoide nasce das células C, que produzem um hormônio chamado calcitonina. Ele é raro e, em parte das famílias, passa de pais para filhos. Como não capta iodo, a cirurgia é a peça central do tratamento.
O que é o carcinoma medular de tireoide?
A tireoide tem dois tipos principais de células. As foliculares produzem o hormônio da tireoide e dão origem aos tipos mais comuns de câncer, como o papilífero.
As células C, também chamadas parafoliculares, são poucas e ficam espalhadas pela glândula. Elas produzem a calcitonina, um hormônio ligado ao cálcio. É delas que nasce o carcinoma medular.
Por ter origem diferente, ele se comporta de outro jeito. Não capta iodo, pode ir para os gânglios do pescoço com certa frequência e tem marcadores próprios no sangue.
O carcinoma medular de tireoide é hereditário?
Em parte dos casos, sim. Segundo a American Thyroid Association, cerca de 1 em cada 4 é hereditário, causado por alterações no gene RET.
A forma hereditária pode aparecer sozinha ou dentro de síndromes chamadas NEM 2 (neoplasia endócrina múltipla tipo 2). Nelas, a pessoa também pode ter:
- feocromocitoma: um tumor da glândula suprarrenal que produz adrenalina em excesso;
- hiperparatireoidismo: excesso de funcionamento das paratireoides, que eleva o cálcio no sangue.
Por isso, toda pessoa com carcinoma medular costuma ser orientada a fazer o teste genético do RET. Entenda mais sobre câncer de tireoide hereditário.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Quais são os sintomas?
Muitas vezes, o primeiro sinal é um nódulo na tireoide ou uma íngua no pescoço. Outros sintomas possíveis:
- rouquidão que não passa;
- dificuldade para engolir;
- em casos avançados, diarreia e vermelhidão no rosto, causadas por substâncias que o tumor produz.
Em famílias com a forma hereditária conhecida, o tumor pode ser descoberto antes de qualquer sintoma, por exames de rotina.
Como é feito o diagnóstico?
O caminho costuma incluir:
- Ultrassom do pescoço: avalia o nódulo e os gânglios.
- PAAF (punção com agulha fina): pode sugerir o tipo medular. O laboratório pode medir a calcitonina no líquido da punção para reforçar a suspeita.
- Calcitonina e CEA no sangue: são os marcadores do tumor. Quanto mais altos, maior a chance de doença além da tireoide.
- Teste genético do RET: define se o caso é hereditário.
- Exames antes da cirurgia: investigar feocromocitoma e cálcio alto. Um feocromocitoma não tratado torna a anestesia arriscada, então ele é tratado primeiro.
Quando os marcadores estão muito altos, exames de imagem como tomografia ajudam a procurar doença em outros locais.
Como tratar o carcinoma medular de tireoide?
A cirurgia é o pilar do tratamento, realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço:
- Tireoidectomia total: retirada da glândula inteira.
- Esvaziamento cervical central: retirada dos gânglios da região central do pescoço, perto da traqueia, na maioria dos casos.
- Esvaziamento lateral: retirada dos gânglios da lateral do pescoço, quando estão afetados ou os marcadores sugerem isso. Veja como é o esvaziamento cervical.
Depois da cirurgia, a pessoa passa a tomar levotiroxina, o hormônio da tireoide em comprimido. O endocrinologista ajusta a dose.
A iodoterapia não é usada, porque as células C não captam iodo. Em doença avançada ou que progride, existem remédios de terapia-alvo, conduzidos pelo oncologista clínico. A radioterapia externa pode ser usada em situações específicas.
E a cirurgia preventiva em quem tem o gene alterado?
Esse é um dos grandes avanços no carcinoma medular. Parentes que herdaram a alteração no RET podem retirar a tireoide antes de o câncer aparecer ou quando ele ainda é mínimo.
A idade indicada para a cirurgia depende de qual alteração do gene a pessoa tem. Em algumas, é indicada ainda na infância. A decisão envolve endocrinologista, geneticista e cirurgião de cabeça e pescoço.
Como é o acompanhamento depois?
A calcitonina e o CEA são medidos periodicamente. Se ficam indetectáveis após a cirurgia, é um sinal bastante favorável.
Quando continuam alterados, a equipe observa a velocidade com que sobem. Um aumento lento costuma indicar doença de evolução lenta. Ultrassom e outros exames de imagem completam o seguimento.
O prognóstico depende muito da fase em que o tumor foi descoberto. Quando está restrito à tireoide e é retirado por completo, a evolução costuma ser favorável.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se:
- tem um nódulo na tireoide e parentes com carcinoma medular ou síndrome NEM 2;
- recebeu calcitonina alta em algum exame;
- tem um nódulo junto com ínguas no pescoço;
- está na família de alguém com alteração no gene RET e ainda não foi testado.
O cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço conduz a cirurgia. O endocrinologista coordena os exames hormonais e o seguimento, e o geneticista orienta a família. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- O carcinoma medular nasce das células C, que produzem calcitonina.
- Cerca de 1 em cada 4 casos é hereditário, ligado ao gene RET.
- Calcitonina e CEA são os marcadores usados no diagnóstico e no acompanhamento.
- O tratamento principal é a cirurgia; a iodoterapia não funciona nesse tipo.
- Parentes com o gene alterado podem fazer cirurgia preventiva.
Perguntas frequentes
Calcitonina alta sempre significa carcinoma medular?
Não. A calcitonina pode subir por outros motivos, como insuficiência dos rins, alguns remédios para estômago e aumento benigno das células C. Um valor alterado pede avaliação do contexto e, às vezes, exames repetidos.
Meus filhos precisam fazer exame se eu tenho carcinoma medular?
Se o teste genético mostrar alteração no gene RET, sim: parentes de primeiro grau devem ser orientados a fazer o teste. Quem herdou a alteração pode se beneficiar de cirurgia preventiva no momento certo. O aconselhamento genético ajuda a organizar isso.
Por que a iodoterapia não funciona no carcinoma medular?
Porque as células C, de onde vem esse tumor, não captam iodo. A iodoterapia só age em células que absorvem iodo, como as dos carcinomas papilífero e folicular. Por isso, no medular, a cirurgia tem papel central.
O carcinoma medular pode causar diarreia?
Pode, em casos mais avançados. O tumor às vezes produz substâncias que aceleram o intestino ou causam vermelhidão no rosto. São sintomas raros, e a diarreia tem causas muito mais comuns.
Quem tem carcinoma medular precisa tomar hormônio da tireoide?
Sim, depois da retirada total da glândula. A levotiroxina repõe o hormônio que a tireoide produzia. Diferente dos outros tipos, no medular a dose visa só manter o hormônio normal, sem a intenção de frear o tumor.
Fontes
- American Thyroid Association — Medullary Thyroid Cancer
- American Cancer Society — What Is Thyroid Cancer?
- American Cancer Society — Thyroid Cancer Risk Factors
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.