Glândulas salivares
Submandibulectomia: quando retirar a glândula submandibular
Na submandibulectomia, a glândula de saliva que fica embaixo da mandíbula é retirada por um corte escondido numa dobra do pescoço. A cirurgia entra em cena quando medidas mais simples não resolvem, como pedras fundas e crises de infecção repetidas, ou quando há um nódulo. Depois dela, a boca continua sendo umedecida pelas outras glândulas.
O que é a glândula submandibular?
É uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, que fica logo abaixo da mandíbula, dos dois lados. Ela produz boa parte da saliva quando a boca está em repouso.
O canal dela passa pelo assoalho da boca e se abre embaixo da língua, bem na frente, ao lado do "freio" da língua. Por ser longo e ter saliva mais grossa, é a glândula que mais forma pedras.
Quando a submandibulectomia é indicada?
As principais indicações são:
- pedras dentro da glândula ou no fundo do canal, que não podem ser retiradas pela boca;
- pedras que voltam, mesmo depois de tratamento;
- infecções repetidas que deixam a glândula endurecida e sem função;
- nódulos na glândula, benignos ou suspeitos;
- câncer de glândula salivar ou de outras regiões, quando a glândula precisa ser retirada junto com os linfonodos do pescoço.
Na submandibular, uma proporção maior dos nódulos é maligna do que na parótida. Por isso, nódulos nessa glândula costumam ser retirados para análise completa.
Antes de indicar a cirurgia, o médico avalia se existe uma opção mais simples. Muitas pedras podem ser retiradas pela boca ou por sialoendoscopia, uma câmera fina que entra pelo canal. Veja essas opções em cálculo salivar: sintomas e tratamento.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Como é feita a submandibulectomia?
- Anestesia geral: você dorme durante toda a cirurgia.
- Corte no pescoço: feito cerca de dois dedos abaixo da borda da mandíbula, numa dobra natural da pele.
- Proteção dos nervos: o cirurgião identifica e afasta os nervos que passam perto da glândula.
- Retirada da glândula: a glândula é solta das estruturas ao redor e o canal é amarrado.
- Dreno e fechamento: um tubinho fino pode ser deixado nos primeiros dias. A pele é fechada com pontos delicados.
A internação costuma ser curta, mas varia conforme o caso. Em casos selecionados, existem técnicas que retiram a glândula por dentro da boca, mas elas não servem para todos.
Quais nervos passam perto da glândula?
Três nervos importantes ficam próximos da glândula submandibular:
| Nervo | O que faz | O que pode acontecer se for afetado |
|---|---|---|
| Ramo marginal do nervo facial | Movimenta o canto da boca e o lábio de baixo | Sorriso levemente torto; na maioria das vezes, temporário |
| Nervo lingual | Dá sensibilidade e parte do paladar à língua | Dormência em um lado da língua; incomum |
| Nervo hipoglosso | Movimenta a língua | Fraqueza da língua; raro |
O cirurgião conhece bem esse caminho e trabalha para preservar os três. Quando há algum efeito, o mais comum é a fraqueza temporária do canto da boca.
Quais são os outros riscos?
Os riscos gerais de qualquer cirurgia, como reação à anestesia, também existem. Eles são avaliados na consulta pré-operatória, com exames conforme a idade e a saúde de cada pessoa. Além deles, os mais específicos são:
- Acúmulo de sangue ou líquido: pode causar inchaço nos primeiros dias e, às vezes, precisa ser drenado.
- Infecção da ferida: pouco comum.
- Dormência na pele ao redor da cicatriz: costuma diminuir com o tempo.
- Pedra que ficou no canal: raramente, um fragmento no canal causa inchaço no assoalho da boca depois.
Como é a recuperação?
- Primeiros dias: dor leve a moderada, controlada com os remédios prescritos, e inchaço na região.
- Alimentação: comidas macias ajudam nos primeiros dias, mas a maioria come normalmente logo.
- Atividades: volta gradual ao trabalho leve nas primeiras semanas, conforme o caso; esforço físico só depois da liberação.
- Pontos: retirados na consulta de revisão, se não forem absorvíveis.
- Resultado da análise: discutido na consulta de revisão.
Sobre a saliva: as outras glândulas, inclusive a submandibular do outro lado, continuam funcionando. Na maior parte das pessoas, não há diferença perceptível.
Nos primeiros dias, é comum sentir a pele embaixo da mandíbula endurecida e um pouco inchada. Isso faz parte da cicatrização e costuma regredir ao longo de semanas. Proteger a cicatriz do sol nos primeiros meses ajuda a deixá-la mais clara.
Como se preparar para a cirurgia?
Antes da submandibulectomia, o médico costuma pedir exames de sangue, avaliação do coração conforme a idade e consulta com o anestesista. Algumas orientações ajudam:
- leve a lista de todos os remédios que você usa, principalmente os que afinam o sangue;
- conte sobre alergias, cirurgias anteriores e problemas com anestesia;
- se fuma, converse sobre parar, porque o cigarro atrapalha a cicatrização;
- se houver uma crise de infecção ativa, a cirurgia costuma ser feita depois que ela é tratada.
Anotar as dúvidas antes da consulta ajuda a não esquecer nada. O texto perguntas para fazer ao cirurgião traz sugestões.
Quando procurar um médico?
Procure o cirurgião de cabeça e pescoço se você tiver:
- inchaço embaixo da mandíbula que aparece sempre na hora de comer;
- infecções repetidas na glândula;
- caroço firme embaixo da mandíbula que não some. O texto glândula submandibular inchada ajuda a entender as causas.
Depois da cirurgia, procure atendimento se tiver febre, inchaço que cresce rápido, dificuldade para engolir ou respirar, secreção na ferida ou fraqueza na língua. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- Submandibulectomia é a retirada da glândula submandibular, embaixo da mandíbula.
- É indicada para pedras fundas ou que voltam, infecções repetidas e nódulos.
- O corte fica numa dobra do pescoço, abaixo da mandíbula.
- O efeito mais comum nos nervos é a fraqueza temporária do canto da boca.
- As outras glândulas continuam produzindo saliva normalmente.
Perguntas frequentes
Vou ficar com a boca seca sem a glândula submandibular?
Na maioria das pessoas, não. As outras glândulas salivares, inclusive a submandibular do outro lado, continuam funcionando. Algumas pessoas notam a boca um pouco mais seca no começo, mas isso costuma passar despercebido no dia a dia.
Onde fica a cicatriz da submandibulectomia?
O corte costuma ser feito cerca de dois dedos abaixo da borda da mandíbula, seguindo uma dobra natural do pescoço. Com o tempo, a cicatriz tende a ficar clara e discreta, mas isso varia de pessoa para pessoa.
A submandibulectomia pode deixar a boca torta?
Um ramo do nervo facial que movimenta o canto da boca passa perto da glândula. Às vezes ele fica enfraquecido após a cirurgia, e o sorriso fica levemente torto. Na maioria dos casos, isso é temporário.
Existe opção para tirar pedra sem retirar a glândula?
Sim, em muitos casos. Pedras perto da saída do canal podem ser retiradas pela boca, e algumas podem ser tratadas por sialoendoscopia, com uma câmera fina pelo canal. A retirada da glândula fica para pedras fundas ou crises repetidas.
Quanto tempo dura a recuperação da submandibulectomia?
A volta às atividades leves costuma levar algumas semanas, e o prazo varia conforme o caso. O inchaço e a sensação de repuxamento diminuem aos poucos. Exercícios pesados costumam ser liberados em algumas semanas.
Fontes
- American Cancer Society — Surgery for Salivary Gland Cancer
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
- Manual MSD — Versão para a família
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.