Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Paratireoide

Paratireoidectomia: como é a cirurgia da paratireoide

A paratireoidectomia é a operação que remove a paratireoide que está produzindo hormônio demais. No caso mais comum, um tumor benigno em uma só glândula, o cirurgião retira apenas essa glândula e as outras continuam funcionando. Em muitos serviços, uma medida do PTH durante a própria cirurgia ajuda a confirmar que a glândula certa saiu.

Para que serve a paratireoidectomia?

A cirurgia trata o hiperparatireoidismo, quando as paratireoides produzem o hormônio PTH em excesso e o cálcio sobe. Ao retirar a glândula doente, o PTH e o cálcio tendem a voltar ao normal.

Ela é indicada principalmente em três situações:

  • hiperparatireoidismo primário, quando há sintomas ou critérios definidos pelas diretrizes;
  • hiperparatireoidismo secundário grave, em pessoas com doença dos rins que não respondem aos remédios;
  • hiperparatireoidismo terciário, comum depois do transplante de rim.

Os critérios do tipo primário estão explicados em hiperparatireoidismo primário: sintomas e tratamento.

Quais são os tipos de paratireoidectomia?

A técnica depende de quantas glândulas estão doentes e de onde elas estão.

Cirurgia direcionada (minimamente invasiva)

Usada quando os exames mostram com clareza uma só glândula aumentada, geralmente um adenoma de paratireoide. O corte é pequeno e o cirurgião vai direto ao ponto. É a situação mais comum no tipo primário.

Exploração das quatro glândulas

Usada quando os exames não localizam a glândula, quando mostram resultados conflitantes ou quando se suspeita de mais de uma glândula doente. O cirurgião examina as quatro e retira as alteradas.

Paratireoidectomia subtotal ou total com autoimplante

Usada principalmente na doença dos rins, quando todas as glândulas estão aumentadas. Retira-se a maior parte do tecido e deixa-se um pequeno pedaço funcionando, no pescoço ou implantado em um músculo.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Como são os exames antes da cirurgia?

Antes de operar, o diagnóstico já está confirmado por exames de sangue. Os exames de imagem servem para localizar a glândula doente e planejar o caminho.

Os mais usados são o ultrassom do pescoço e a cintilografia com sestamibi. Em alguns casos, entram tomografia especial ou PET. Detalhes em exames para localizar a paratireoide.

Além disso, costumam ser pedidos exames pré-operatórios de rotina e, às vezes, avaliação das cordas vocais.

Como é a cirurgia, passo a passo?

De forma simplificada:

  1. Anestesia: geralmente geral. Em casos selecionados, anestesia local com sedação.
  2. Corte: um corte horizontal pequeno na parte baixa do pescoço, de preferência em uma dobra natural da pele.
  3. Localização: o cirurgião afasta os músculos e encontra a glândula, com cuidado para preservar o nervo da voz.
  4. Retirada: a glândula doente é removida e enviada para análise.
  5. Confirmação: em muitos serviços, mede-se o PTH durante a cirurgia. Se ele cai bastante poucos minutos após a retirada, é sinal de que a glândula certa foi removida.
  6. Fechamento: a pele é fechada com pontos delicados ou cola cirúrgica.

A duração varia. Casos com uma glândula costumam levar cerca de uma hora. Explorações completas e casos renais podem demorar mais.

Quais são os riscos?

Complicações sérias são incomuns na paratireoidectomia. Ainda assim, todo procedimento tem riscos. Os principais são:

  • Cálcio baixo: as glândulas que ficaram estavam "dormindo" e podem levar um tempo para voltar. Causa formigamento na boca e nos dedos. Costuma ser passageiro e se trata com cálcio.
  • Rouquidão: leve e temporária é comum. Lesão permanente do nervo da voz é rara.
  • Sangramento no pescoço: raro, mas exige avaliação imediata se houver inchaço rápido.
  • Persistência da doença: quando a glândula doente não é encontrada ou há outras glândulas alteradas.
  • Infecção da ferida: incomum.

Como é a recuperação?

A maioria das pessoas recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte. Nos primeiros dias, é comum:

  • dor leve no pescoço e ao engolir, controlada com analgésicos simples;
  • sensação de pescoço "duro";
  • um pouco de rouquidão.

O cálcio é conferido nos primeiros dias. Em quem tinha ossos muito enfraquecidos, a reposição de cálcio pode ser necessária por algumas semanas. A situação lembra a do cálcio baixo após a cirurgia de tireoide.

Atividades leves costumam ser retomadas em poucos dias. Exercícios intensos, em algumas semanas. A cicatriz tende a clarear com o tempo, e cuidados como protetor solar ajudam.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você tiver:

  • diagnóstico de hiperparatireoidismo e dúvida sobre operar ou não;
  • exames que não localizaram a glândula e quer entender as opções;
  • cálcio que continua alto depois de uma cirurgia anterior.

Depois da cirurgia, procure a equipe ou um pronto-socorro se houver:

  • inchaço rápido no pescoço ou falta de ar;
  • formigamento forte, cãibras ou espasmos nas mãos;
  • febre ou vermelhidão com secreção no corte.

O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista que realiza a paratireoidectomia, em parceria com o endocrinologista. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A paratireoidectomia retira a paratireoide doente e trata o hiperparatireoidismo.
  • Na maioria das vezes, retira-se uma só glândula, por um corte pequeno.
  • A medida do PTH durante a cirurgia ajuda a confirmar o resultado.
  • O risco mais comum é o cálcio baixo passageiro.
  • A internação costuma ser curta, e a volta às atividades é orientada pela equipe.

Perguntas frequentes

A paratireoidectomia é feita com anestesia geral?

Na maioria dos casos, sim. Em situações selecionadas, algumas equipes usam anestesia local com sedação. A escolha depende do tipo de cirurgia e das condições de saúde da pessoa.

Vou precisar tomar remédio para sempre depois da cirurgia?

Geralmente não. As glândulas que ficaram assumem a função. Algumas pessoas precisam de cálcio e vitamina D por um período, principalmente se os ossos estavam muito fracos.

A voz pode mudar depois da paratireoidectomia?

Uma rouquidão leve nos primeiros dias é comum, por causa do tubo da anestesia. Lesão do nervo da voz é rara, mas é um dos riscos discutidos antes da cirurgia.

Quando posso voltar a trabalhar depois da paratireoidectomia?

Muitas pessoas voltam a atividades leves e a trabalhos de escritório em cerca de uma semana. Esforço físico intenso costuma ser liberado depois de algumas semanas, conforme a orientação da equipe.

A doença pode voltar depois da cirurgia?

É incomum, mas pode acontecer, principalmente quando mais de uma glândula está doente ou há causa genética. Por isso o cálcio é conferido nos meses e anos seguintes.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  3. Manual MSD — versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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