Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Paratireoide

Hiperparatireoidismo primário: sintomas e tratamento

No hiperparatireoidismo primário, o defeito está na própria paratireoide: uma ou mais glândulas liberam paratormônio (PTH) sem freio, e o cálcio do sangue sobe. Na maioria das vezes, a causa é um tumor benigno em uma só glândula. Quando dá sinais, eles aparecem nos rins, nos ossos e na disposição do dia a dia.

O que é o hiperparatireoidismo primário?

As paratireoides são quatro glândulas pequenas atrás da tireoide. Elas produzem o paratormônio, ou PTH, que controla o cálcio.

Em condições normais, quando o cálcio sobe, as glândulas "desligam" e o PTH cai. No hiperparatireoidismo primário, esse freio falha. A glândula doente continua produzindo PTH mesmo com o cálcio já alto.

O resultado típico no exame de sangue é:

  • cálcio alto;
  • PTH alto ou no limite de cima do normal, quando deveria estar baixo.

Quais são as causas?

Existem três causas principais:

  • Adenoma de paratireoide: um tumor benigno em uma só glândula. É de longe a causa mais comum, responsável pela grande maioria dos casos.
  • Hiperplasia: aumento de várias glândulas ao mesmo tempo. É mais frequente em formas hereditárias.
  • Carcinoma de paratireoide: câncer da glândula. É muito raro.

Na maior parte das vezes, não se sabe por que o adenoma surgiu. Radiação no pescoço no passado e o uso prolongado de lítio (um remédio usado em saúde mental) estão entre os fatores associados.

A doença é mais comum em mulheres, principalmente depois da menopausa, mas pode aparecer em qualquer idade.

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Quais são os sintomas do hiperparatireoidismo primário?

Hoje, a maioria dos diagnósticos acontece antes de qualquer sintoma, porque o cálcio entra em muitos exames de rotina. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são:

  • Nos rins: pedra nos rins, às vezes repetidas vezes; cálcio depositado nos rins; perda de função renal.
  • Nos ossos: osteoporose, fraturas com pouco trauma, dor nos ossos.
  • No corpo em geral: cansaço, fraqueza muscular, sede e vontade de urinar com frequência.
  • No intestino: intestino preso, enjoo, falta de apetite.
  • No humor e na mente: desânimo, irritação, dificuldade de concentração ou de memória.

Esses sintomas são inespecíficos, ou seja, podem ter muitas outras causas. Por isso o diagnóstico depende do exame de sangue. A relação com os rins e os ossos é explicada em pedra nos rins e osteoporose: a ligação com a paratireoide.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por exames de sangue, repetidos para confirmar:

  • cálcio (às vezes o cálcio iônico, que mede a parte livre do cálcio);
  • PTH;
  • vitamina D, fósforo e função dos rins.

O médico também costuma pedir o cálcio na urina de 24 horas. Ele ajuda a afastar a hipercalcemia hipocalciúrica familiar, uma condição genética benigna que imita o hiperparatireoidismo e não precisa de cirurgia.

Depois de confirmado o diagnóstico, entram os exames que avaliam o impacto da doença: densitometria óssea (exame que mede a força dos ossos) e ultrassom ou tomografia dos rins.

Os exames de localização, como ultrassom do pescoço e cintilografia, vêm por último. Eles não confirmam a doença. Servem para planejar a cirurgia.

Quando o hiperparatireoidismo primário precisa de cirurgia?

A cirurgia é o tratamento que resolve a causa, porque retira a glândula doente. Ela é indicada para quem tem sintomas. Para quem não tem sintomas, as diretrizes internacionais recomendam operar quando há pelo menos um destes critérios:

  • cálcio bem acima do limite normal;
  • osteoporose na densitometria ou fratura de vértebra;
  • pedra nos rins, cálcio depositado nos rins ou muito cálcio na urina;
  • perda de função dos rins;
  • idade abaixo de 50 anos.

Mesmo fora desses critérios, algumas pessoas escolhem operar depois de pesar, com a equipe, os benefícios e os riscos. A decisão é sempre individual.

A cirurgia se chama paratireoidectomia. Na maioria das vezes, retira-se apenas uma glândula, por um corte pequeno no pescoço.

E quem não opera, como faz?

Algumas pessoas não têm indicação de cirurgia ou têm risco cirúrgico alto. Nesses casos, o caminho é o acompanhamento:

  • exames de cálcio e função dos rins em intervalos regulares;
  • densitometria óssea periódica;
  • boa hidratação;
  • dieta com quantidade normal de cálcio, sem cortar nem exagerar;
  • correção da vitamina D, quando estiver baixa.

Existem remédios que baixam o cálcio no sangue e remédios que protegem os ossos. Eles controlam os efeitos, mas não curam a doença. A escolha cabe ao endocrinologista.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você tiver:

  • cálcio alto em algum exame, mesmo se sentindo bem;
  • PTH alto com cálcio alto ou no limite;
  • pedra nos rins de repetição;
  • osteoporose ou fratura com pouco trauma;
  • sede, cansaço e intestino preso sem outra explicação.

O endocrinologista investiga e confirma o diagnóstico. O cirurgião de cabeça e pescoço avalia a indicação e realiza a cirurgia. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • No hiperparatireoidismo primário, a paratireoide produz PTH em excesso e o cálcio sobe.
  • A causa mais comum é um adenoma, um tumor benigno em uma só glândula.
  • Muitas pessoas não têm sintomas; outras têm pedra nos rins, osteoporose e cansaço.
  • O diagnóstico é feito com exames de sangue, não com exames de imagem.
  • A cirurgia resolve a causa na maioria dos casos e segue critérios bem definidos.

Perguntas frequentes

Hiperparatireoidismo primário é câncer?

Quase nunca. Na grande maioria das vezes, a causa é um tumor benigno em uma das glândulas, chamado adenoma. O câncer de paratireoide existe, mas é muito raro.

Hiperparatireoidismo primário tem cura?

Na maioria dos casos, a cirurgia resolve o problema, porque a retirada da glândula doente costuma normalizar o cálcio e o PTH. Depois disso, o acompanhamento com exames de sangue ajuda a confirmar que o problema não voltou.

Posso tomar cálcio e vitamina D se tenho hiperparatireoidismo primário?

Não interrompa nem comece suplementos por conta própria. Em muitos casos, o médico corrige a falta de vitamina D com cuidado e ajusta o cálcio da dieta. A orientação depende dos seus exames.

Hiperparatireoidismo primário é hereditário?

Na maioria das pessoas, não. Em uma parte pequena dos casos existe uma causa genética, principalmente quando a doença aparece em jovens, atinge várias glândulas ou há outros casos na família.

Quem tem hiperparatireoidismo primário sem sintomas precisa operar?

Nem sempre. A cirurgia é indicada quando existem critérios como cálcio bem alto, osteoporose, pedra nos rins ou idade abaixo de 50 anos. Quem não opera faz acompanhamento regular com exames.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. Manual MSD — versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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