Paratireoide
Hiperparatireoidismo primário: sintomas e tratamento
No hiperparatireoidismo primário, o defeito está na própria paratireoide: uma ou mais glândulas liberam paratormônio (PTH) sem freio, e o cálcio do sangue sobe. Na maioria das vezes, a causa é um tumor benigno em uma só glândula. Quando dá sinais, eles aparecem nos rins, nos ossos e na disposição do dia a dia.
O que é o hiperparatireoidismo primário?
As paratireoides são quatro glândulas pequenas atrás da tireoide. Elas produzem o paratormônio, ou PTH, que controla o cálcio.
Em condições normais, quando o cálcio sobe, as glândulas "desligam" e o PTH cai. No hiperparatireoidismo primário, esse freio falha. A glândula doente continua produzindo PTH mesmo com o cálcio já alto.
O resultado típico no exame de sangue é:
- cálcio alto;
- PTH alto ou no limite de cima do normal, quando deveria estar baixo.
Quais são as causas?
Existem três causas principais:
- Adenoma de paratireoide: um tumor benigno em uma só glândula. É de longe a causa mais comum, responsável pela grande maioria dos casos.
- Hiperplasia: aumento de várias glândulas ao mesmo tempo. É mais frequente em formas hereditárias.
- Carcinoma de paratireoide: câncer da glândula. É muito raro.
Na maior parte das vezes, não se sabe por que o adenoma surgiu. Radiação no pescoço no passado e o uso prolongado de lítio (um remédio usado em saúde mental) estão entre os fatores associados.
A doença é mais comum em mulheres, principalmente depois da menopausa, mas pode aparecer em qualquer idade.
Quer tirar essa dúvida com uma especialista?
Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.Quais são os sintomas do hiperparatireoidismo primário?
Hoje, a maioria dos diagnósticos acontece antes de qualquer sintoma, porque o cálcio entra em muitos exames de rotina. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são:
- Nos rins: pedra nos rins, às vezes repetidas vezes; cálcio depositado nos rins; perda de função renal.
- Nos ossos: osteoporose, fraturas com pouco trauma, dor nos ossos.
- No corpo em geral: cansaço, fraqueza muscular, sede e vontade de urinar com frequência.
- No intestino: intestino preso, enjoo, falta de apetite.
- No humor e na mente: desânimo, irritação, dificuldade de concentração ou de memória.
Esses sintomas são inespecíficos, ou seja, podem ter muitas outras causas. Por isso o diagnóstico depende do exame de sangue. A relação com os rins e os ossos é explicada em pedra nos rins e osteoporose: a ligação com a paratireoide.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito por exames de sangue, repetidos para confirmar:
- cálcio (às vezes o cálcio iônico, que mede a parte livre do cálcio);
- PTH;
- vitamina D, fósforo e função dos rins.
O médico também costuma pedir o cálcio na urina de 24 horas. Ele ajuda a afastar a hipercalcemia hipocalciúrica familiar, uma condição genética benigna que imita o hiperparatireoidismo e não precisa de cirurgia.
Depois de confirmado o diagnóstico, entram os exames que avaliam o impacto da doença: densitometria óssea (exame que mede a força dos ossos) e ultrassom ou tomografia dos rins.
Os exames de localização, como ultrassom do pescoço e cintilografia, vêm por último. Eles não confirmam a doença. Servem para planejar a cirurgia.
Quando o hiperparatireoidismo primário precisa de cirurgia?
A cirurgia é o tratamento que resolve a causa, porque retira a glândula doente. Ela é indicada para quem tem sintomas. Para quem não tem sintomas, as diretrizes internacionais recomendam operar quando há pelo menos um destes critérios:
- cálcio bem acima do limite normal;
- osteoporose na densitometria ou fratura de vértebra;
- pedra nos rins, cálcio depositado nos rins ou muito cálcio na urina;
- perda de função dos rins;
- idade abaixo de 50 anos.
Mesmo fora desses critérios, algumas pessoas escolhem operar depois de pesar, com a equipe, os benefícios e os riscos. A decisão é sempre individual.
A cirurgia se chama paratireoidectomia. Na maioria das vezes, retira-se apenas uma glândula, por um corte pequeno no pescoço.
E quem não opera, como faz?
Algumas pessoas não têm indicação de cirurgia ou têm risco cirúrgico alto. Nesses casos, o caminho é o acompanhamento:
- exames de cálcio e função dos rins em intervalos regulares;
- densitometria óssea periódica;
- boa hidratação;
- dieta com quantidade normal de cálcio, sem cortar nem exagerar;
- correção da vitamina D, quando estiver baixa.
Existem remédios que baixam o cálcio no sangue e remédios que protegem os ossos. Eles controlam os efeitos, mas não curam a doença. A escolha cabe ao endocrinologista.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se você tiver:
- cálcio alto em algum exame, mesmo se sentindo bem;
- PTH alto com cálcio alto ou no limite;
- pedra nos rins de repetição;
- osteoporose ou fratura com pouco trauma;
- sede, cansaço e intestino preso sem outra explicação.
O endocrinologista investiga e confirma o diagnóstico. O cirurgião de cabeça e pescoço avalia a indicação e realiza a cirurgia. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.
Em resumo
- No hiperparatireoidismo primário, a paratireoide produz PTH em excesso e o cálcio sobe.
- A causa mais comum é um adenoma, um tumor benigno em uma só glândula.
- Muitas pessoas não têm sintomas; outras têm pedra nos rins, osteoporose e cansaço.
- O diagnóstico é feito com exames de sangue, não com exames de imagem.
- A cirurgia resolve a causa na maioria dos casos e segue critérios bem definidos.
Perguntas frequentes
Hiperparatireoidismo primário é câncer?
Quase nunca. Na grande maioria das vezes, a causa é um tumor benigno em uma das glândulas, chamado adenoma. O câncer de paratireoide existe, mas é muito raro.
Hiperparatireoidismo primário tem cura?
Na maioria dos casos, a cirurgia resolve o problema, porque a retirada da glândula doente costuma normalizar o cálcio e o PTH. Depois disso, o acompanhamento com exames de sangue ajuda a confirmar que o problema não voltou.
Posso tomar cálcio e vitamina D se tenho hiperparatireoidismo primário?
Não interrompa nem comece suplementos por conta própria. Em muitos casos, o médico corrige a falta de vitamina D com cuidado e ajusta o cálcio da dieta. A orientação depende dos seus exames.
Hiperparatireoidismo primário é hereditário?
Na maioria das pessoas, não. Em uma parte pequena dos casos existe uma causa genética, principalmente quando a doença aparece em jovens, atinge várias glândulas ou há outros casos na família.
Quem tem hiperparatireoidismo primário sem sintomas precisa operar?
Nem sempre. A cirurgia é indicada quando existem critérios como cálcio bem alto, osteoporose, pedra nos rins ou idade abaixo de 50 anos. Quem não opera faz acompanhamento regular com exames.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
- Manual MSD — versão para a família
Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.