Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Paratireoide

Exame de paratireoide: cintilografia sestamibi e ultrassom

O exame de paratireoide que confirma o problema é o de sangue, com cálcio e PTH. O ultrassom e a cintilografia com sestamibi entram depois, como um mapa para o cirurgião achar a glândula alterada. Se esse mapa vier em branco, o diagnóstico continua valendo, e ainda existem outros exames e caminhos.

Qual exame de paratireoide faz o diagnóstico?

Essa é a confusão mais comum. Muita gente acredita que a cintilografia "diagnostica" a paratireoide, mas não é assim.

O diagnóstico do hiperparatireoidismo é feito com exames de sangue:

  • cálcio (às vezes cálcio iônico);
  • PTH;
  • vitamina D, fósforo e função dos rins;
  • cálcio na urina de 24 horas, em muitos casos.

Só depois que esses exames confirmam a doença, e que a cirurgia é discutida, os exames de imagem fazem sentido. Eles funcionam como um mapa para o cirurgião.

Para que servem os exames de imagem da paratireoide?

Eles ajudam a responder três perguntas:

  1. Onde está a glândula alterada?
  2. É uma só glândula ou mais de uma?
  3. Ela está na posição habitual ou fora do lugar, como no peito?

Com essas respostas, o cirurgião escolhe entre uma cirurgia direcionada, com corte pequeno, ou a exploração das quatro glândulas. Na maioria das vezes, o achado é um adenoma de paratireoide.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Como é o ultrassom do pescoço?

O ultrassom é, em geral, o primeiro exame de imagem. É o mesmo tipo de exame usado para a tireoide:

  • não usa radiação;
  • não precisa de preparo;
  • dura poucos minutos;
  • o médico passa um gel e um aparelho sobre o pescoço.

Ele mostra bem as paratireoides aumentadas que estão perto da tireoide. Também avalia a própria tireoide, o que é útil porque nódulos de tireoide são comuns e podem mudar o plano da cirurgia.

A limitação é que o ultrassom não enxerga bem glândulas escondidas atrás de ossos, do esôfago ou dentro do peito. O resultado também depende bastante da experiência de quem faz o exame.

Como é a cintilografia com sestamibi?

A cintilografia é um exame de medicina nuclear. O sestamibi é uma substância marcada com um material radioativo em dose baixa. Ela é captada pela tireoide e pelas paratireoides, mas sai mais devagar da paratireoide doente.

O exame costuma ser feito assim:

  1. Uma injeção na veia do braço.
  2. Primeiras imagens, alguns minutos depois.
  3. Um intervalo de espera, em geral de uma a duas horas.
  4. Novas imagens tardias. A área que continua "acesa" sugere a glândula alterada.

Muitos serviços associam uma tomografia às imagens, técnica chamada SPECT-CT. Isso mostra a localização em três dimensões e ajuda o planejamento.

Antes do exame, avise a equipe se estiver grávida ou amamentando. Leve os exames de sangue e o ultrassom anteriores, que ajudam o médico a interpretar as imagens. Depois do exame, a pessoa pode seguir a rotina normalmente, e o material radioativo é eliminado pelo corpo em pouco tempo.

A cintilografia é boa para achar glândulas fora do lugar, inclusive no peito. Mas pode não mostrar adenomas muito pequenos ou casos em que várias glândulas estão aumentadas. Ela é diferente da cintilografia de tireoide, que avalia o funcionamento da tireoide.

E quando o ultrassom e a cintilografia não mostram nada?

Isso acontece com alguma frequência e não muda o diagnóstico. Nesses casos, existem outras opções:

  • Tomografia em quatro fases (4D-CT): tomografia do pescoço com contraste, com imagens em momentos diferentes. Mostra detalhes da circulação da glândula.
  • PET com colina: exame de medicina nuclear mais recente e disponível em alguns centros, útil em casos difíceis.
  • Ressonância magnética: usada em situações específicas.

Outra alternativa é operar mesmo sem localização, com exploração das quatro glândulas. Cirurgiões experientes costumam encontrar a glândula alterada na maioria desses casos.

Para quem já operou e a doença persistiu, a investigação costuma ser mais completa antes de uma nova cirurgia.

Qual a diferença entre esses exames?

Exame Radiação Pontos fortes Limitações
Ultrassom do pescoço Não Simples, rápido, avalia a tireoide junto Não enxerga bem o peito e áreas escondidas
Cintilografia com sestamibi Baixa Encontra glândulas fora do lugar Pode falhar em adenomas pequenos ou em várias glândulas
Tomografia em quatro fases Sim Detalhe anatômico alto Mais radiação e uso de contraste
PET com colina Baixa Útil em casos difíceis Disponibilidade limitada

A escolha e a ordem dos exames variam conforme o caso e o serviço. Com o mapa em mãos, a equipe planeja a paratireoidectomia.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você tiver:

  • cálcio alto com PTH alto ou no limite;
  • exames de imagem com resultados diferentes entre si;
  • hiperparatireoidismo confirmado e exames de imagem normais;
  • cálcio alto depois de uma cirurgia de paratireoide anterior.

O endocrinologista conduz o diagnóstico, e o cirurgião de cabeça e pescoço define, com base nos exames, o plano cirúrgico. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O exame de paratireoide que confirma a doença é o de sangue.
  • Ultrassom e cintilografia com sestamibi localizam a glândula para a cirurgia.
  • Exame de imagem normal não descarta hiperparatireoidismo.
  • Tomografia em quatro fases e PET com colina ajudam nos casos difíceis.
  • A cirurgia pode ser feita mesmo quando a glândula não aparece nos exames.

Perguntas frequentes

A cintilografia de paratireoide tem radiação?

Sim, usa uma pequena quantidade de material radioativo, considerada segura para a maioria das pessoas. Grávidas e mulheres que amamentam devem avisar a equipe antes, porque o exame pode precisar ser adiado ou adaptado.

Precisa de jejum para a cintilografia com sestamibi?

Em geral, não é necessário jejum. Mas cada serviço tem suas orientações, e alguns pedem cuidados específicos. Confirme com o local antes do exame.

A cintilografia de paratireoide é a mesma da tireoide?

Não. As duas usam técnicas de medicina nuclear, mas com substâncias e objetivos diferentes. A cintilografia de tireoide avalia como a tireoide funciona; a de paratireoide procura uma glândula paratireoide hiperativa.

Quanto tempo demora a cintilografia de paratireoide?

O exame costuma ter duas etapas de imagens, com um intervalo de cerca de uma a duas horas entre elas. Somando a espera, é bom reservar algumas horas do dia.

O ultrassom pode confundir paratireoide com linfonodo?

Pode. Linfonodos e nódulos da tireoide às vezes se parecem com uma paratireoide aumentada. Por isso os exames costumam ser combinados e interpretados junto com a avaliação clínica.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  3. American College of Radiology (ACR)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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