Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Nódulos e exames da tireoide

Ablação por radiofrequência na tireoide: como funciona

A ablação por radiofrequência na tireoide trata nódulos benignos sem retirá-los: uma agulha especial, guiada por ultrassom, aquece o nódulo por dentro. É uma alternativa à cirurgia para quem tem um nódulo comprovadamente benigno que causa sintomas ou incômodo estético. O resultado aparece aos poucos, conforme o nódulo encolhe.

O que é a ablação por radiofrequência na tireoide?

Radiofrequência é um tipo de energia elétrica que, ao passar pelo tecido, gera calor. Na ablação, esse calor é concentrado na ponta de uma agulha especial, chamada eletrodo.

O médico posiciona o eletrodo dentro do nódulo, guiado pelo ultrassom. O calor destrói as células do nódulo por dentro. Com o tempo, o corpo "absorve" esse tecido e o nódulo encolhe.

O restante da tireoide não é tratado. Por isso, na maioria dos casos, a glândula continua produzindo hormônio normalmente.

Para quem a radiofrequência é indicada?

A indicação é um nódulo benigno confirmado que causa problemas. Para confirmar a benignidade, os consensos costumam pedir duas punções com resultado benigno, ou uma punção benigna quando o ultrassom mostra baixo risco.

Além de benigno, o nódulo precisa estar causando algo. As situações mais comuns são:

  • sensação de aperto, dificuldade para engolir ou tosse;
  • volume visível, que incomoda esteticamente;
  • em casos selecionados, nódulo que produz hormônio em excesso.

Ela também entra na conversa quando a pessoa com esse tipo de nódulo prefere evitar a cirurgia ou tem risco cirúrgico mais alto.

Situações em que ela costuma não ser a primeira opção:

  • nódulo com punção suspeita, indeterminada ou maligna, na maioria dos casos;
  • bócio com muitos nódulos grandes, dos dois lados;
  • bócio que desce para dentro do tórax;
  • nódulo em que o benefício esperado é pequeno.

Nódulos com muito líquido costumam ser tratados primeiro com alcoolização. Entenda a diferença em alcoolização de cisto na tireoide.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Como é o procedimento, passo a passo?

  1. Avaliação prévia: ultrassom, punções, exames de sangue e, às vezes, exame das cordas vocais.
  2. Posição: você deita de barriga para cima, com o pescoço levemente esticado.
  3. Anestesia local: aplicada na pele e ao redor da tireoide. Algumas equipes associam uma sedação leve.
  4. Proteção das estruturas vizinhas: em alguns casos, injeta-se um líquido para afastar o nódulo de nervos e vasos. Essa técnica é chamada hidrodissecção.
  5. Aplicação do calor: o eletrodo é movido pelas diferentes partes do nódulo, sempre acompanhado pelo ultrassom.
  6. Fim: compressa fria e observação por algum tempo.

A duração varia conforme o tamanho do nódulo. Em geral, a pessoa volta para casa no mesmo dia.

Como é a recuperação?

A maioria das pessoas retoma as atividades leves em um ou dois dias. Nos primeiros dias, é comum:

  • dolorimento no pescoço, às vezes irradiando para a orelha ou o maxilar;
  • leve inchaço no local;
  • um pequeno roxo na pele.

O nódulo não encolhe de imediato. Às vezes, ele até parece um pouco maior nos primeiros dias, pelo inchaço. A redução acontece aos poucos e costuma ser mais visível nos meses seguintes. Alguns nódulos precisam de uma segunda sessão.

O acompanhamento é feito com ultrassom e exames de sangue.

Quais são os riscos?

As complicações sérias são pouco comuns quando o procedimento é feito por equipe treinada. As possíveis são:

  • dor e inchaço, geralmente passageiros;
  • hematoma (acúmulo de sangue) no pescoço;
  • alteração da voz, em geral temporária, por efeito do calor perto do nervo da voz;
  • queimadura na pele, rara;
  • ruptura do nódulo, rara, com inchaço semanas depois;
  • alteração na função da tireoide, pouco comum.

Esses riscos são discutidos na consulta, junto com as alternativas.

Radiofrequência ou cirurgia?

Não há uma resposta que sirva para todos. A tabela resume as diferenças principais:

Aspecto Radiofrequência Cirurgia
Corte no pescoço Não Sim
Anestesia Local, às vezes com sedação Geral
Parte da tireoide preservada Quase toda Metade ou nenhuma
Resultado no nódulo Redução gradual, sem retirada Retirada completa
Análise do nódulo inteiro Não Sim
Indicada para suspeita de câncer Em geral, não Sim

A escolha depende do tamanho do nódulo, dos sintomas, do resultado da punção e da preferência de cada pessoa. Veja todas as opções no guia de tratamentos minimamente invasivos da tireoide.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você:

  • tem um nódulo benigno que incomoda ao engolir ou é visível;
  • tem um nódulo benigno que cresceu e passou a incomodar;
  • recebeu indicação de cirurgia para nódulo benigno e quer conhecer alternativas;
  • teve inchaço crescente, falta de ar ou febre depois de uma ablação.

O cirurgião de cabeça e pescoço e outros especialistas treinados em procedimentos guiados por ultrassom avaliam quem pode se beneficiar da técnica. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A radiofrequência usa calor, por uma agulha guiada por ultrassom, para encolher nódulos.
  • É indicada principalmente para nódulos benignos que causam sintomas ou incômodo.
  • Não há corte, e a tireoide costuma continuar funcionando normalmente.
  • O nódulo diminui aos poucos, ao longo de meses, e pode precisar de nova sessão.
  • Não é o tratamento padrão para nódulos suspeitos ou câncer.

Perguntas frequentes

O nódulo some depois da radiofrequência?

Em geral, ele diminui bastante, mas não desaparece por completo. A redução acontece aos poucos, ao longo de meses. O objetivo é aliviar os sintomas e o incômodo estético.

Vou precisar tomar hormônio depois?

Na maioria dos casos, não. Como só o nódulo é tratado e o resto da tireoide é preservado, a glândula costuma continuar funcionando normalmente. Os exames de sangue são repetidos no acompanhamento.

A radiofrequência trata câncer de tireoide?

Ela não é o tratamento padrão para câncer de tireoide. Em situações muito selecionadas, como alguns microcarcinomas de baixo risco ou recidivas em pessoas que não podem ser operadas, pode ser discutida em centros com experiência. A cirurgia continua sendo a base do tratamento.

Posso fazer radiofrequência em nódulo que produz hormônio?

Em casos selecionados, sim, principalmente em nódulos isolados, de tamanho pequeno a médio. Mas o iodo radioativo e a cirurgia costumam ser as opções mais usadas nessa situação. A escolha é feita caso a caso.

Fica marca no pescoço?

O procedimento é feito por uma agulha, sem corte. Em geral, fica apenas um pequeno ponto de entrada que costuma ficar pouco visível com o tempo.

Fontes

  1. American Thyroid Association (ATA) — Thyroid nodules
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

Precisa de uma avaliação?

Agende uma consulta com a Dra. Marina Leonardo, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo. Quando indicado, o ultrassom da tireoide é feito na própria consulta.

  • Sem encaminhamento
  • Ultrassom na consulta
  • Convênios e particular
  • Consolação, SP
Endereço
R. Bela Cintra, 217 – Cj 704
Consolação, São Paulo – SP · perto da Av. Paulista
Telefone
(11) 96743-0783
Registro
CRM-SP 212154 · RQE 124374
Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Como chegar
Ver no Google Maps e avaliações