Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Pele do rosto e pescoço

Melanoma no rosto e no pescoço: como reconhecer e tratar

O melanoma no rosto dá um aviso importante: a mudança. Uma pinta que cresce, escurece, fica irregular ou uma mancha nova que não para de aumentar merece exame. Ele é raro perto dos outros cânceres de pele, mas pode se espalhar, e por isso o tempo conta.

O melanoma nasce dos melanócitos, as células que produzem o pigmento que dá cor à pele. Segundo o INCA, ele é considerado o câncer de pele mais agressivo pela possibilidade de atingir outros tecidos e órgãos. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, quando o melanoma é detectado no início, as chances de cura são de mais de 90%.

Como é o melanoma no rosto?

O sinal mais importante é a mudança. Uma pinta que era estável e começa a crescer, escurecer ou mudar de formato merece atenção.

Sinais que levantam suspeita:

  • pinta com metades diferentes entre si;
  • bordas irregulares, borradas ou "rasgadas";
  • várias cores na mesma lesão, como marrom, preto, vermelho ou azulado;
  • mancha maior do que as outras ou que cresce;
  • sangramento, coceira ou ferida em cima da pinta;
  • pinta que parece diferente de todas as outras do corpo, o chamado "patinho feio".

Esses critérios formam a regra do ABCDE. Veja como aplicar cada letra no texto sobre a regra do ABCDE para pintas suspeitas.

Existe um tipo de melanoma mais comum no rosto?

Sim. No rosto de pessoas mais velhas, é comum um tipo chamado lentigo maligno. Ele começa como uma mancha plana, marrom, de bordas irregulares, que cresce devagar por anos. Costuma aparecer em bochechas, nariz e testa.

Muita gente confunde essa mancha com uma "mancha de sol" ou de idade. A diferença é que ela vai mudando: fica maior, com cores desiguais e contornos irregulares.

Enquanto está só na camada mais superficial da pele, é chamado de lentigo maligno. Quando começa a invadir mais fundo, passa a ser chamado de lentigo maligno melanoma.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quem tem mais risco de melanoma?

  • pessoas de pele clara, olhos claros e cabelo ruivo ou loiro;
  • quem teve queimaduras de sol com bolhas, principalmente na infância;
  • quem tem muitas pintas ou pintas grandes e irregulares;
  • quem tem parentes próximos com melanoma;
  • quem já teve um melanoma;
  • quem usa ou usou bronzeamento artificial;
  • pessoas com imunidade baixa.

O melanoma também pode aparecer em peles mais escuras. Nesses casos, é mais comum em palma das mãos, planta dos pés e unhas.

Como é feito o diagnóstico?

O médico examina a pele toda, não só a lesão que preocupa. A dermatoscopia, uma lente com luz, ajuda a ver detalhes do desenho da pinta.

Se a suspeita continua, a lesão é retirada para biópsia. Sempre que possível, retira-se a pinta inteira com uma pequena margem. Isso permite medir a espessura do tumor. Saiba como é a retirada de pinta no rosto para diagnóstico.

A espessura, chamada de índice de Breslow, é um dos dados mais importantes do laudo. De forma geral, quanto mais fino o melanoma, menor o risco de ter se espalhado.

Como é o tratamento do melanoma no rosto?

O tratamento principal é a cirurgia. Depois da biópsia, é feita uma nova retirada, chamada ampliação de margens. Ela remove uma faixa de pele saudável ao redor da cicatriz. O tamanho da margem depende da espessura do tumor.

No rosto, retirar essa margem pode deixar uma ferida que não fecha só com pontos. Nesses casos, usa-se reconstrução com retalhos (pele vizinha deslocada para cobrir a área) ou enxertos.

Em melanomas mais espessos, pode ser indicada a biópsia do linfonodo sentinela. É um exame cirúrgico que localiza e retira o primeiro gânglio que recebe a linfa da região. Na cabeça e no pescoço, a drenagem da linfa é mais complexa e pode seguir para a parótida ou para diferentes lados do pescoço.

Se houver gânglios comprometidos ou doença avançada, o tratamento pode incluir cirurgia do pescoço, imunoterapia (remédios que ajudam o sistema de defesa a combater o câncer), terapias-alvo ou radioterapia. Essas decisões são tomadas em equipe.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se notar no rosto, no couro cabeludo ou no pescoço:

  • uma pinta nova depois da vida adulta;
  • uma pinta que mudou de tamanho, forma ou cor;
  • uma mancha escura que cresce e fica irregular;
  • sangramento, coceira ou ferida em uma pinta;
  • uma lesão diferente de todas as outras.

O dermatologista é o especialista indicado para examinar as pintas e fazer o diagnóstico inicial. Quando o melanoma está no rosto ou no pescoço e exige margens amplas, reconstrução ou avaliação dos gânglios, o cirurgião de cabeça e pescoço costuma participar, junto com o oncologista. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O melanoma no rosto costuma ser uma pinta nova ou uma mancha que muda.
  • É o câncer de pele mais agressivo, mas tem chances altas de cura quando descoberto cedo.
  • Em pessoas mais velhas, pode começar como uma mancha plana que cresce devagar.
  • O tratamento principal é a cirurgia, às vezes com avaliação dos gânglios.
  • Quem tem muitas pintas ou histórico familiar deve examinar a pele com regularidade.

Perguntas frequentes

Melanoma no rosto dói ou coça?

Na fase inicial, quase sempre não dói. Pode coçar em alguns casos. Coceira, sangramento ou ferida em uma pinta são sinais de alerta, mas a ausência deles não descarta o problema.

Melanoma pode aparecer em quem não tem pinta?

Sim. Boa parte dos melanomas surge em pele sem pinta prévia, como uma mancha nova. Outros nascem de uma pinta que já existia e começou a mudar.

Melanoma pode ser sem cor?

Existe um tipo raro, chamado melanoma amelanótico, que tem pouca ou nenhuma cor escura. Ele parece uma bolinha rosada ou avermelhada. Por isso qualquer lesão nova que cresce merece avaliação, mesmo sem ser escura.

O que é linfonodo sentinela?

É o primeiro gânglio que recebe a linfa da região do tumor. Em alguns melanomas, ele é localizado com um exame especial e retirado para análise. O resultado ajuda a saber se a doença saiu da pele e orienta o tratamento.

Melanoma é hereditário?

Ter parentes próximos com melanoma aumenta o risco, e existem algumas famílias com alterações genéticas específicas. Mesmo assim, a maioria dos casos está ligada ao sol e ao tipo de pele. Quem tem histórico familiar deve fazer exame da pele com regularidade.

Fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA) — Câncer de pele melanoma
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia — Câncer da pele
  3. National Cancer Institute

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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