Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Câncer de tireoide

Câncer de tireoide na gravidez: o que muda

Descobrir um câncer de tireoide na gravidez assusta, mas na maior parte das vezes o tumor é do tipo papilífero, de crescimento lento. Isso costuma dar tempo para acompanhar com ultrassom e deixar a cirurgia para depois do parto. Quando é preciso operar antes, o segundo trimestre é o período preferido.

O câncer de tireoide na gravidez é comum?

Não é comum, mas também não é raro entre os cânceres que aparecem na gestação. Isso acontece porque o câncer de tireoide é mais frequente em mulheres jovens, justamente na idade em que muitas engravidam.

Às vezes, o nódulo é percebido pela primeira vez durante o pré-natal. Em outras, a mulher já sabia do nódulo e ele passa a ser investigado na gestação. Veja também nódulo na tireoide na gravidez.

Como investigar um nódulo durante a gravidez?

A boa notícia é que os principais exames são seguros:

  • Ultrassom da tireoide: não usa radiação e pode ser feito em qualquer fase.
  • PAAF (punção com agulha fina): é segura na gestação e é o exame que define se o nódulo é suspeito.
  • Exames de sangue: TSH e hormônios da tireoide são acompanhados de perto, porque a gravidez muda os valores.

O que não é feito na gestação é a cintilografia com iodo radioativo ou qualquer exame que use iodo radioativo.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Nem sempre. Para o carcinoma papilífero, os estudos mostram que esperar até depois do parto, em geral, não piora o resultado quando o tumor está estável.

O caminho costuma ser:

  1. Tumor pequeno e estável: acompanhamento com ultrassom ao longo da gestação e cirurgia depois do parto.
  2. Tumor que cresce de forma importante ou gânglios afetados, na primeira metade da gestação: a cirurgia pode ser indicada no segundo trimestre, que é o período mais seguro para a mãe e para o bebê.
  3. Tumor diagnosticado no fim da gestação: em geral, a cirurgia fica para depois do parto.

Tipos mais agressivos, como o medular e o anaplásico, são raros e exigem decisão individual e mais rápida. A cirurgia na gestação é feita pelo cirurgião de cabeça e pescoço, junto com o obstetra e o anestesista.

A gravidez piora o câncer de tireoide?

Para o câncer diferenciado, como o papilífero, a gravidez não parece piorar o prognóstico de forma importante na maioria dos casos.

Alguns tumores podem crescer um pouco durante a gestação, por influência dos hormônios. Por isso, o ultrassom de controle é feito ao longo dos trimestres. A equipe acompanha e decide se algo precisa mudar.

E a iodoterapia?

A iodoterapia não pode ser feita durante a gravidez nem na amamentação. O iodo radioativo pode prejudicar a tireoide do bebê.

Se ela for indicada, é programada para depois do parto e depois do fim da amamentação. Em quem precisa amamentar, a equipe conversa sobre o momento certo de interromper. Entenda os cuidados de isolamento da iodoterapia.

Como planejar uma gravidez depois do câncer de tireoide?

Muitas mulheres engravidam depois do tratamento. Alguns cuidados ajudam:

  • Aguardar após a iodoterapia: a equipe orienta o prazo. Em geral, recomenda-se esperar alguns meses, geralmente de 6 meses a 1 ano, antes de engravidar.
  • Ajustar a levotiroxina: a necessidade de hormônio costuma aumentar logo no início da gestação. Avise o endocrinologista assim que souber da gravidez.
  • Exames no pré-natal: o TSH é checado com mais frequência, principalmente no primeiro trimestre.
  • Ultrassom do pescoço: pode ser feito durante a gestação, se indicado.

A levotiroxina é segura na gravidez e na amamentação. Manter a dose correta é importante para a saúde da mãe e do bebê.

Como é a cirurgia de tireoide durante a gestação?

Quando indicada, a cirurgia no segundo trimestre segue os mesmos princípios da cirurgia fora da gravidez. Alguns cuidados extras fazem parte do planejamento:

  • Anestesia: o anestesista escolhe medicamentos seguros para a gestação.
  • Monitorização do bebê: o obstetra acompanha os batimentos antes e depois da cirurgia.
  • Posição na mesa: ajustada para não comprimir os grandes vasos da barriga.
  • Hormônio depois: se a tireoide inteira for retirada, a levotiroxina começa logo, porque o bebê depende do hormônio da mãe.

A internação costuma ser curta, e a recuperação é parecida com a de outras pacientes. A equipe orienta sinais que pedem retorno, como cálcio baixo, que pode causar formigamento nas mãos e na boca.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação se estiver grávida e:

  • notar um caroço na frente do pescoço;
  • tiver um nódulo que cresceu desde o início da gestação;
  • tiver rouquidão persistente ou dificuldade para engolir;
  • já tratou câncer de tireoide e descobriu a gravidez, para ajustar o hormônio.

O endocrinologista acompanha os hormônios e o nódulo. O cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço avalia se e quando operar, em conjunto com o obstetra. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • O câncer de tireoide na gravidez costuma ser papilífero e de crescimento lento.
  • Ultrassom e punção são seguros durante a gestação.
  • Muitas vezes, a cirurgia pode esperar o parto; se necessário, é feita no segundo trimestre.
  • A iodoterapia não é feita na gestação nem na amamentação.
  • Depois do tratamento, a gravidez é possível com planejamento e ajuste do hormônio.

Perguntas frequentes

A punção da tireoide é segura na gravidez?

Sim. A PAAF, a punção com agulha fina, pode ser feita com segurança em qualquer fase da gestação. Ela não usa radiação e costuma ser feita com anestesia local ou até sem anestesia.

O câncer de tireoide passa para o bebê?

Não. O câncer de tireoide da mãe não é transmitido para o bebê durante a gestação. A preocupação na gravidez é com o tratamento adequado da mãe e com os níveis de hormônio, que são importantes para o desenvolvimento do bebê.

Posso amamentar tomando levotiroxina?

Sim. A levotiroxina repõe um hormônio que o corpo já produziria e é compatível com a amamentação. O que impede amamentar é a iodoterapia, que exige interromper o aleitamento antes do tratamento.

Engravidar depois do câncer de tireoide aumenta o risco de ele voltar?

Em quem teve boa resposta ao tratamento, a gestação não costuma aumentar o risco de retorno. Quem tem doença ainda presente pode precisar de acompanhamento mais próximo durante a gravidez.

Fontes

  1. American Thyroid Association — Radioactive Iodine
  2. American Thyroid Association — Thyroid Cancer (Papillary and Follicular)
  3. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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