Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Cirurgia de tireoide

Tireoidectomia transoral: a cirurgia de tireoide pela boca

Na tireoidectomia transoral, a tireoide é retirada pela boca: o cirurgião entra pela parte de dentro do lábio de baixo e chega ao pescoço por baixo da pele. O resultado é a ausência de cicatriz visível na frente do pescoço. Em troca, a técnica tem exigências, riscos e limites próprios, e não serve para todos.

A técnica desperta interesse de quem se preocupa com a cicatriz. Vale entender como ela funciona antes de decidir.

Como funciona a tireoidectomia transoral?

A técnica mais conhecida usa o vestíbulo oral, o espaço entre o lábio inferior e a gengiva. Em linhas gerais:

  1. A cirurgia é feita com anestesia geral.
  2. O cirurgião faz três pequenos cortes por dentro do lábio inferior.
  3. Por eles, cria um túnel sob a pele do queixo e do pescoço até a tireoide.
  4. O espaço é mantido aberto com gás carbônico, como em outras cirurgias por vídeo.
  5. Uma câmera mostra a região em um monitor, e instrumentos longos e finos retiram a glândula.
  6. A tireoide sai pelo corte central, e os cortes da boca são fechados com pontos.

Os princípios são os mesmos da cirurgia tradicional: identificar e preservar os nervos da voz e as paratireoides.

Para quem a tireoidectomia transoral pode ser indicada?

A técnica é considerada em casos selecionados. Em geral, pessoas que:

  • têm nódulo benigno ou indeterminado que precisa ser operado;
  • têm, em alguns casos, câncer pequeno e de baixo risco, sem sinais de espalhamento;
  • têm uma tireoide de tamanho moderado, que caiba pelo acesso;
  • nunca operaram o pescoço antes;
  • não têm infecção ou problema importante na boca;
  • têm forte desejo de evitar o corte no pescoço, por exemplo por tendência a queloide.

Cada centro tem seus critérios, que dependem da experiência da equipe.

Quer tirar essa dúvida com uma especialista?

Agende uma avaliação com cirurgiã de cabeça e pescoço. Quando indicado, o ultrassom é feito na consulta.

Quando a cirurgia pela boca não é indicada?

A técnica tem limites claros. Em geral, ela não é a escolha quando há:

  • bócio grande ou que desce para o peito (mergulhante);
  • câncer maior, que invade estruturas vizinhas;
  • linfonodos (ínguas) comprometidos que exijam esvaziamento cervical amplo;
  • cirurgia ou radioterapia anterior no pescoço;
  • condições de saúde que contraindiquem uma cirurgia mais longa.

Nessas situações, a cirurgia tradicional costuma ser mais adequada. Sobre a técnica convencional, veja tireoidectomia: o que é a cirurgia de tireoide.

Quais são os riscos próprios da técnica?

A tireoidectomia transoral tem os mesmos riscos da cirurgia tradicional, como alteração da voz, cálcio baixo e sangramento. Além deles, existem riscos específicos do acesso:

  • Dormência no queixo e no lábio inferior, por irritação de um nervo da sensibilidade (nervo mentual). Costuma ser temporária, mas pode demorar a passar.
  • Infecção na região dos cortes da boca, pouco comum.
  • Hematomas e inchaço no queixo e na parte alta do pescoço.
  • Complicações ligadas ao gás, raras.
  • Conversão para a cirurgia com corte no pescoço, quando necessário.

A cirurgia também costuma durar mais que a tradicional, e a curva de aprendizado da equipe é longa.

Quais são as vantagens e os limites, lado a lado?

Aspecto Tireoidectomia transoral Cirurgia tradicional
Corte visível no pescoço Não Sim, pequeno, numa dobra da pele
Indicação Casos selecionados Praticamente todos os casos
Duração Geralmente mais longa Geralmente mais curta
Riscos próprios Dormência no queixo, infecção na boca Cicatriz no pescoço
Disponibilidade Poucos centros Ampla

Nenhuma técnica é superior para todos. A escolha depende do caso, das prioridades do paciente e da experiência da equipe.

Existem outras técnicas que levam o corte para longe do pescoço, como os acessos pela axila ou atrás da orelha, com ou sem robô. Veja cirurgia de tireoide por vídeo e robótica.

Como é a recuperação da cirurgia transoral?

A recuperação geral é parecida com a da cirurgia tradicional. Diferenças comuns:

  • inchaço e sensibilidade no queixo e no lábio nos primeiros dias;
  • necessidade de higiene bucal cuidadosa, com orientações da equipe;
  • dieta macia no início;
  • em algumas equipes, uso de faixa ou curativo compressivo no queixo por pouco tempo.

A dormência no queixo, quando ocorre, tende a diminuir ao longo de semanas ou meses.

O tempo de internação e de volta ao trabalho costuma ser semelhante ao da cirurgia tradicional, mas varia conforme o caso e a orientação do cirurgião. Os cuidados com a voz, o cálcio e os sinais de sangramento são os mesmos.

Quando procurar um médico?

Procure um cirurgião de cabeça e pescoço para discutir a técnica se você tem indicação de cirurgia e se preocupa com a cicatriz. Pergunte sobre a experiência da equipe, os critérios de indicação e a chance de conversão.

Se estiver em dúvida entre técnicas, uma segunda opinião antes da cirurgia pode ajudar.

Após a cirurgia, procure atendimento imediato se houver inchaço rápido no pescoço, falta de ar, febre, pus na boca ou formigamento forte nas mãos. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A tireoidectomia transoral retira a tireoide por cortes por dentro do lábio inferior.
  • Evita o corte na frente do pescoço, mas é indicada só para casos selecionados.
  • Bócio grande, câncer extenso e cirurgia prévia no pescoço costumam contraindicar.
  • Tem riscos próprios, como dormência no queixo, além dos riscos habituais.
  • A decisão depende do caso e da experiência da equipe.

Perguntas frequentes

A cirurgia pela boca deixa marca?

Os cortes ficam por dentro do lábio inferior, na parte que encosta na gengiva, e não aparecem no rosto. Pode haver pequenos pontos de apoio perto do queixo em algumas variações da técnica. A frente do pescoço fica sem corte.

Dói mais do que a cirurgia tradicional?

A dor costuma ser comparável, mas diferente. Muitas pessoas relatam desconforto no lábio, no queixo e na parte de cima do pescoço, por onde os instrumentos passam. A dor é controlada com analgésicos prescritos.

Posso comer normalmente depois da cirurgia transoral?

Nos primeiros dias, a dieta costuma ser mais leve e macia, e a higiene da boca recebe atenção especial, com orientações específicas da equipe. Com a cicatrização, a alimentação volta ao normal.

O plano de saúde cobre a tireoidectomia transoral?

A cobertura depende do contrato e dos materiais usados, e pode haver diferenças em relação à técnica tradicional. Antes de decidir, confirme com o plano e com a equipe o que está incluído.

Se a cirurgia pela boca não der certo, o que acontece?

Se o cirurgião encontrar dificuldade ou achados inesperados, pode converter para a cirurgia tradicional, com corte no pescoço. Essa possibilidade deve ser discutida e aceita antes da operação.

Fontes

  1. American Thyroid Association (ATA)
  2. Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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