Dra. Marina LeonardoTireoide · Pescoço

Cirurgia de tireoide

Cirurgia na doença de Graves e no hipertireoidismo: quando operar

A cirurgia na doença de Graves não é o primeiro passo para todo mundo, mas é uma saída eficaz em situações bem definidas. Ela entra em cena quando os remédios falham ou causam efeitos sérios, quando a glândula é grande, quando os olhos estão muito afetados ou quando há planos de gravidez. O ponto-chave é operar com os hormônios já controlados.

A escolha entre os tratamentos é feita em conjunto pelo endocrinologista, pelo cirurgião e pelo paciente.

O que é hipertireoidismo e o que é doença de Graves?

Hipertireoidismo é quando a tireoide produz hormônio demais. O corpo fica "acelerado": coração disparado, tremor, calor, suor, ansiedade, insônia, intestino solto e perda de peso.

As causas mais comuns são:

  • Doença de Graves: uma doença autoimune, em que o próprio sistema de defesa estimula a tireoide a trabalhar demais. Pode afetar também os olhos, deixando-os saltados, irritados ou com visão dupla.
  • Bócio multinodular tóxico: vários nódulos que produzem hormônio por conta própria.
  • Nódulo tóxico ("quente"): um só nódulo que produz hormônio em excesso.

Sobre bócio e nódulos que produzem hormônio, veja bócio tóxico.

Quais são as opções de tratamento?

O hipertireoidismo tem três caminhos principais:

Tratamento Como funciona Pontos a considerar
Remédios antitireoidianos Freiam a produção de hormônio Uso por meses a anos; a doença pode voltar ao parar; efeitos colaterais possíveis
Iodo radioativo Destrói aos poucos o tecido da tireoide Não é feito na gravidez; pode agravar a doença nos olhos em alguns casos
Cirurgia Retira a tireoide Costuma controlar o hipertireoidismo de forma rápida e duradoura; tem os riscos de uma cirurgia

Não existe um tratamento certo para todos. A escolha depende da causa, da gravidade, da idade, dos planos de gravidez, da doença nos olhos e da preferência de cada pessoa.

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Quando a cirurgia na doença de Graves é indicada?

As diretrizes costumam considerar a cirurgia principalmente quando há:

  • Bócio grande, que aperta a traqueia ou o esôfago ou incomoda pela aparência.
  • Doença nos olhos moderada a grave, em que o iodo radioativo poderia agravar o quadro.
  • Nódulo suspeito ou com câncer na mesma tireoide.
  • Desejo de engravidar em breve, já que a cirurgia resolve rápido e evita o iodo radioativo.
  • Efeitos colaterais sérios dos remédios ou falha em controlar a doença.
  • Doença que volta depois de tentar parar os remédios.
  • Preferência do paciente, após entender as opções.

Na doença de Graves, a cirurgia de escolha costuma ser a tireoidectomia total. Retirar só parte da glândula aumenta a chance de o hipertireoidismo voltar. Já no nódulo tóxico isolado, muitas vezes basta retirar o lado do nódulo. Veja tireoidectomia total ou parcial.

Como é o preparo antes da cirurgia?

O preparo é o ponto que mais diferencia essa cirurgia. O objetivo é chegar à operação com a tireoide controlada:

  • Remédios antitireoidianos por semanas, para normalizar os hormônios.
  • Remédios para o coração acelerado, em alguns casos, para controlar palpitação e tremor.
  • Solução com iodo por alguns dias antes, em muitos casos de Graves, conforme orientação médica. Ela pode ajudar a diminuir o sangramento da glândula durante a cirurgia.
  • Cálcio e vitamina D checados e, se preciso, repostos, para reduzir o risco de cálcio baixo depois.

Operar com o hipertireoidismo descontrolado aumenta o risco de uma descompensação grave, chamada crise tireotóxica (ou tempestade tireoidiana). Por isso, esse preparo é levado a sério. O preparo geral está em como se preparar para a cirurgia de tireoide.

A cirurgia é diferente em quem tem Graves?

Na doença de Graves, a tireoide costuma ser maior e mais irrigada por sangue. Isso pode tornar a cirurgia um pouco mais trabalhosa.

Os riscos são os mesmos de qualquer tireoidectomia, como alteração da voz, cálcio baixo e sangramento. O cálcio baixo passageiro tende a ser um pouco mais frequente nesses pacientes, por isso o controle nos primeiros dias é cuidadoso.

Como fica a vida depois da cirurgia?

Depois da retirada total da tireoide:

  • os sintomas de hipertireoidismo costumam melhorar em dias a semanas;
  • os remédios que freavam a tireoide são suspensos, conforme orientação;
  • começa a reposição diária do hormônio da tireoide, com dose ajustada por exames;
  • algumas pessoas recuperam parte do peso perdido durante o hipertireoidismo.

A doença nos olhos segue com acompanhamento próprio, muitas vezes com oftalmologista. Veja como é viver sem tireoide.

Quando procurar um médico?

Procure o endocrinologista se tiver sinais de hipertireoidismo: coração acelerado, tremor, perda de peso sem motivo, calor excessivo ou olhos saltados. Ele confirma o diagnóstico e discute os tratamentos.

Procure o cirurgião de cabeça e pescoço quando a cirurgia estiver entre as opções, especialmente se houver bócio grande, nódulo suspeito ou doença nos olhos. Procure atendimento imediato se houver febre alta, coração muito acelerado, confusão ou falta de ar. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

Em resumo

  • A cirurgia é uma das três formas de tratar o hipertireoidismo, com remédios e iodo radioativo.
  • Na doença de Graves, a cirurgia costuma ser indicada em bócio grande, doença nos olhos importante, nódulo suspeito ou gravidez planejada.
  • A retirada total da tireoide é a escolha habitual na doença de Graves.
  • Antes de operar, a tireoide precisa estar controlada com remédios.
  • Depois, o hormônio da tireoide é reposto todos os dias.

Perguntas frequentes

Depois da cirurgia de Graves, o hipertireoidismo volta?

Quando a tireoide é retirada por inteiro, o hipertireoidismo praticamente não volta, porque não há mais glândula para produzir hormônio em excesso. Por isso, a retirada total costuma ser a escolha na doença de Graves.

A cirurgia cura a doença nos olhos da doença de Graves?

A cirurgia controla o hipertireoidismo, mas a doença nos olhos tem evolução própria e pode continuar precisando de tratamento com oftalmologista. Em alguns casos, a cirurgia é preferida ao iodo radioativo justamente para não agravar os olhos.

Posso operar a tireoide ainda com hipertireoidismo descontrolado?

Em geral, não é recomendado. Operar com o hormônio muito alto aumenta o risco de uma descompensação grave durante ou após a cirurgia. Por isso, a tireoide é controlada antes com remédios.

Quem opera a tireoide por hipertireoidismo precisa tomar remédio depois?

Depois da retirada total, sim: a pessoa passa a tomar diariamente o hormônio da tireoide em comprimido, com a dose ajustada por exames. Os remédios que freavam a tireoide deixam de ser necessários.

Nódulo quente precisa de cirurgia?

O nódulo quente, que produz hormônio em excesso, pode ser tratado com iodo radioativo, cirurgia ou, em casos selecionados, outras técnicas. Quando a cirurgia é escolhida, muitas vezes basta retirar o lado do nódulo.

Fontes

  1. American Thyroid Association (ATA)
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
  3. Manual MSD — versão para a família

Conteúdo informativo, escrito em linguagem simples. Não substitui a consulta: cada caso precisa de avaliação individual. Atualizado em 28 de setembro de 2026.

Dra. Marina LeonardoMédica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Formação na Santa Casa de São Paulo, Fellowship em Cirurgia Avançada e membro da SBCCP. Conheça a médica

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