# Parotidectomia: tumores da parótida, cirurgia e recuperação

> Parotidectomia é a cirurgia que retira um tumor da parótida, a maior glândula salivar, localizada na frente da orelha. A maioria desses tumores é benigna, como o adenoma pleomórfico. A cirurgia preserva o nervo facial, que move o rosto, sempre que possível. A internação é curta e a recuperação leva algumas semanas.

Autoria: Dra. Maria Marina Leonardo — médica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Atualizado em 28 de setembro de 2026.
URL: https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/tumores-da-parotida/

A parotidectomia é indicada para a maioria dos caroços que surgem na parótida, a glândula de saliva que fica na frente e logo abaixo da orelha. Mesmo quando o tumor é benigno, ele tende a crescer com os anos, e retirá-lo menor costuma ser mais simples. O maior cuidado da operação é com o nervo facial, que atravessa a glândula e movimenta o rosto.

Um caroço na frente da orelha ou no ângulo da mandíbula costuma crescer devagar e não doer. Por isso muita gente convive com ele por anos antes de procurar ajuda. Entender o que ele pode ser e como é o tratamento ajuda a decidir com segurança.

## O que é a parótida e quais tumores podem aparecer nela?

Temos três pares de glândulas salivares maiores: parótidas, submandibulares e sublinguais. A parótida é a maior delas. Fica sobre o ângulo da mandíbula e produz saliva que chega à boca por um canal na bochecha. Veja [glândulas salivares: onde ficam](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/glandulas-salivares/).

O nervo facial atravessa a parótida e se divide em ramos que movem a testa, as pálpebras, o nariz, os lábios e o canto da boca. Ele separa a glândula em uma parte superficial, maior, e uma parte profunda.

### Tipos de tumor

| Tumor | Como se comporta |
|---|---|
| Adenoma pleomórfico | Benigno e o mais comum. Cresce devagar, mas pode voltar se não for retirado por completo e, após muitos anos, tem pequeno risco de se tornar maligno |
| Tumor de Warthin | Benigno e o segundo mais comum. Mais frequente em fumantes e em pessoas acima dos 50 anos; pode aparecer nos dois lados. O risco de malignização é muito baixo |
| Outros tumores benignos | Menos comuns, como o oncocitoma |
| Tumores malignos | Menos frequentes. Incluem vários tipos de carcinoma de glândula salivar, com comportamentos diferentes |
| Metástases | Câncer de pele do rosto, da orelha ou do couro cabeludo pode atingir as ínguas que ficam dentro da parótida |

Saiba mais sobre os dois benignos mais comuns em [adenoma pleomórfico](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/adenoma-pleomorfico/) e [tumor de Warthin](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tumor-de-warthin/). Sobre os malignos, leia [câncer de glândula salivar](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/cancer-glandula-salivar/).

### O que causa esses tumores?

Na maioria das vezes, não há uma causa identificável. Alguns fatores estão ligados a mais risco: radiação na cabeça e no pescoço, tabagismo, no caso do tumor de Warthin, e exposição solar intensa, no caso das metástases de câncer de pele. Veja também o guia de [câncer de pele do rosto e pescoço](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/cancer-de-pele-da-face/).

## Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?

### Sinais mais comuns

- caroço na frente da orelha, embaixo do lóbulo ou no ângulo da mandíbula;
- crescimento lento, ao longo de meses ou anos;
- em geral, indolor e sem outras queixas.

Um caroço atrás ou embaixo da orelha também pode ser uma íngua ou outra lesão. Veja [caroço atrás da orelha](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/caroco-atras-da-orelha/) e [nódulo na parótida: é câncer?](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/nodulo-na-parotida/).

### Sinais de alerta

Alguns sinais aumentam a suspeita de tumor maligno e pedem avaliação rápida:

- crescimento rápido em poucas semanas;
- dor persistente no local;
- fraqueza de parte do rosto, como dificuldade para fechar o olho ou assimetria do sorriso;
- caroço endurecido e preso aos tecidos;
- ferida na pele sobre o caroço;
- ínguas no pescoço.

### Exames

1. **Consulta:** o médico examina o caroço, a boca, a pele do rosto e o pescoço, e testa os movimentos da face.
2. **Ultrassom:** mostra se o caroço está dentro da glândula e ajuda a guiar a punção.
3. **Punção com agulha fina ou biópsia com agulha grossa:** retira células ou um fragmento do tumor para análise. O laudo da punção de glândulas salivares usa o sistema de Milão, uma classificação padronizada que indica o risco de o tumor ser maligno.
4. **Ressonância magnética:** é o exame de imagem mais usado para ver o tamanho, a relação com a parte profunda e sinais de agressividade.
5. **Tomografia ou PET-CT:** em casos selecionados, principalmente quando há suspeita de câncer.

Evita-se fazer biópsia com corte na parótida antes da cirurgia, porque isso pode espalhar células do tumor.

Nem todo inchaço da parótida é tumor. Infecções, pedras no canal e inflamações também aumentam a glândula. Veja [parótida inchada: causas](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/parotida-inchada/) e o guia de [doenças das glândulas salivares](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/doencas-das-glandulas-salivares/).

## Quais são as opções de tratamento para tumores da parótida?

A cirurgia é o tratamento principal para a maioria dos tumores da parótida, benignos ou malignos.

### Por que operar um tumor benigno?

O adenoma pleomórfico continua crescendo com o tempo. Quanto maior, mais trabalhosa fica a cirurgia e mais o tumor se aproxima dos ramos do nervo facial. Além disso, existe um pequeno risco de transformação maligna após muitos anos. Por isso, a retirada costuma ser recomendada ainda com o tumor menor.

### Quando é possível acompanhar?

No tumor de Warthin, o risco de malignização é muito baixo. Em pessoas mais velhas, com outras doenças ou risco cirúrgico alto, e quando o diagnóstico está bem estabelecido, acompanhar com exames pode ser uma opção razoável.

### Tipos de parotidectomia

| Tipo | O que é retirado | Quando costuma ser usada |
|---|---|---|
| Parotidectomia superficial ou parcial | O tumor com a parte da glândula acima do nervo facial | Tumores benignos na parte superficial |
| Dissecção extracapsular | O tumor com uma margem pequena de tecido ao redor | Tumores benignos pequenos, bem delimitados, em casos selecionados |
| Parotidectomia total | Toda a glândula, preservando o nervo facial | Tumores da parte profunda ou malignos |
| Parotidectomia ampliada | Glândula e estruturas vizinhas atingidas, às vezes com ramos do nervo | Tumores malignos que invadem essas estruturas |

### Tratamentos complementares

Em tumores malignos, pode ser necessário retirar também os linfonodos do pescoço. Veja o guia de [esvaziamento cervical](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/esvaziamento-cervical/). Radioterapia após a cirurgia é indicada em parte dos tumores malignos, conforme o tipo, o grau e as margens.

## Como é a parotidectomia, passo a passo?

Veja mais detalhes em [parotidectomia: como é a cirurgia da parótida](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/parotidectomia/).

1. **Anestesia geral:** você dorme durante toda a cirurgia.
2. **Corte:** começa na frente da orelha, contorna o lóbulo e desce para uma dobra do pescoço. Em alguns casos, pode ser usado um corte parecido com o de cirurgias de rejuvenescimento facial, que fica mais escondido atrás da orelha.
3. **Localização do nervo facial:** o cirurgião encontra o tronco principal do nervo logo na saída do crânio e segue seus ramos. Em muitos serviços, um aparelho monitora o nervo durante a cirurgia.
4. **Retirada do tumor:** o tumor é removido com uma margem de tecido saudável, sem romper sua cápsula, o que reduz a chance de ele voltar.
5. **Dreno:** um tubo fino costuma ficar por 1 a 2 dias.
6. **Fechamento:** pontos delicados na pele.

A duração varia conforme o caso, com o tamanho e a posição do tumor: em geral, fica entre 2 e 3 horas. A internação costuma ser de 1 a 2 dias, também conforme o caso.

## Quais são os riscos e como é a recuperação?

### Riscos

- **fraqueza temporária do rosto**, principalmente no canto da boca, que costuma se recuperar em semanas a meses;
- **paralisia facial permanente**, rara em tumores benignos, mais possível em tumores grandes, malignos ou em reoperações;
- **dormência no lóbulo da orelha** e ao redor do corte, comum e que tende a diminuir;
- **síndrome de Frey**, suor e vermelhidão na bochecha ao comer, que pode aparecer meses depois;
- **acúmulo de saliva ou líquido** sob a pele, em geral tratado com punção e curativo compressivo;
- **pequena depressão** no contorno do rosto, onde ficava a glândula;
- **sangramento, infecção ou retorno do tumor**, pouco frequentes.

### Recuperação

Nos primeiros dias, é comum ter inchaço, sensação de repuxar e dormência. A dor costuma ser leve a moderada, controlada com analgésicos simples. A alimentação é liberada logo, e alimentos macios ajudam nos primeiros dias.

A maioria das pessoas volta ao trabalho em cerca de 1 a 2 semanas e aos exercícios após liberação médica. Se houver fraqueza para fechar o olho, é importante usar colírio lubrificante e proteger o olho, conforme orientação. Exercícios faciais, com fisioterapeuta ou fonoaudiólogo, podem ajudar na recuperação dos movimentos. Leia [recuperação da cirurgia da parótida e o nervo facial](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/recuperacao-parotidectomia/).

### Acompanhamento

O resultado da análise do tumor sai em alguns dias a poucas semanas e define os próximos passos. No adenoma pleomórfico, o acompanhamento costuma durar anos, porque o tumor pode voltar muito tempo depois. Em tumores malignos, as consultas incluem exames de imagem regulares.

## Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

- um caroço na frente ou embaixo da orelha que persiste por mais de 2 a 3 semanas;
- crescimento rápido de um caroço já conhecido;
- dor persistente na região da parótida;
- fraqueza em parte do rosto, dificuldade para fechar o olho ou assimetria do sorriso;
- ínguas no pescoço junto com o caroço;
- um caroço na parótida em quem já tratou câncer de pele no rosto ou no couro cabeludo.

O cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço é o especialista que avalia e trata os tumores da parótida. O otorrinolaringologista também atende queixas das glândulas salivares e pode encaminhar para cirurgia. Cada caso é avaliado de forma individual, e este texto não substitui a consulta.

## Em resumo

- A maioria dos tumores da parótida é benigna; o adenoma pleomórfico é o mais comum.
- Ultrassom, punção e ressonância fazem o diagnóstico antes da cirurgia.
- A parotidectomia é o tratamento principal e preserva o nervo facial sempre que possível.
- Fraqueza do rosto após a cirurgia costuma ser temporária; a permanente é rara.
- Crescimento rápido, dor ou fraqueza facial pedem avaliação rápida.

## Perguntas frequentes

### Todo caroço na parótida é tumor?

Não. A parótida também pode inchar por infecção, pedra no canal da saliva, doenças inflamatórias ou ínguas dentro da glândula. Um caroço que persiste por mais de 2 a 3 semanas, porém, deve ser avaliado com exame de imagem.

### Tumor benigno da parótida pode virar câncer?

O adenoma pleomórfico tem um pequeno risco de se transformar em câncer quando fica muitos anos sem tratamento. Esse é um dos motivos pelos quais a cirurgia costuma ser recomendada. No tumor de Warthin, o risco de malignização é muito baixo.

### O rosto pode ficar torto depois da parotidectomia?

Fraqueza temporária em parte do rosto pode acontecer, principalmente no canto da boca, e costuma se recuperar em semanas a meses. Paralisia permanente é rara na cirurgia de tumores benignos. O risco maior está em tumores grandes, malignos ou em reoperações.

### Por que suo na bochecha quando como depois da cirurgia?

Isso se chama síndrome de Frey. Ela acontece porque pequenas fibras de nervo que estimulavam a saliva passam a estimular as glândulas de suor da pele. Pode surgir meses depois e, quando incomoda, há tratamentos que aliviam.

### A orelha fica dormente depois da parotidectomia?

É comum ficar com dormência no lóbulo da orelha e na pele ao redor do corte. Isso acontece porque um nervo da sensibilidade passa pela região. A dormência costuma diminuir ao longo de meses, mas pode permanecer em parte.

### Posso fazer biópsia com corte na parótida para saber o que é?

Em geral, evita-se abrir a glândula só para biópsia, porque isso pode espalhar células do tumor e dificultar a cirurgia depois. O diagnóstico costuma ser feito com punção por agulha guiada por ultrassom e com ressonância.

### Vou ficar com a boca seca sem uma das parótidas?

Na maioria dos casos, não. As outras glândulas salivares continuam produzindo saliva suficiente. A boca seca importante é mais comum quando há radioterapia na região.

## Fontes

- [Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)](https://www.sbccp.org.br)
- [Instituto Nacional de Câncer (INCA)](https://www.gov.br/inca/pt-br)
- [National Cancer Institute (NCI) — Salivary Gland Cancer](https://www.cancer.gov)
- [American Cancer Society — Salivary Gland Cancer](https://www.cancer.org)

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Agendamento: WhatsApp https://wa.me/551142108008?text=Ol%C3%A1!%20Vim%20pelo%20site%20da%20Dra.%20Marina%20Leonardo%20e%20gostaria%20de%20agendar%20uma%20consulta. · Telefone (11) 96743-0783 · R. Bela Cintra, 217 – Cj 704 – Consolação, São Paulo – SP. Conteúdo informativo; não substitui a consulta médica.
