# Glândulas salivares: doenças, sintomas e tratamento

> As glândulas salivares produzem a saliva e ficam perto do ouvido, embaixo da mandíbula e sob a língua. As doenças mais comuns são inflamações, infecções, pedras nos canais e tumores, na maioria benignos. O tratamento vai de hidratação e remédios até cirurgia, conforme a causa e os exames.

Autoria: Dra. Maria Marina Leonardo — médica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Atualizado em 28 de setembro de 2026.
URL: https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/doencas-das-glandulas-salivares/

As glândulas salivares são as fábricas de saliva da boca. Quando algo não vai bem nelas, o sinal mais comum é um inchaço perto do ouvido ou embaixo da mandíbula, às vezes com dor na hora de comer. Na maioria das vezes, a causa é benigna e tratável, como uma inflamação ou uma pedrinha no canal, mas todo inchaço que não some merece avaliação.

## O que são as glândulas salivares e onde ficam?

Temos três pares de glândulas salivares maiores:

- **Parótidas:** as maiores, na frente e logo abaixo de cada orelha.
- **Submandibulares:** embaixo da mandíbula, um pouco para trás do queixo.
- **Sublinguais:** no assoalho da boca, sob a língua.

Além delas, existem centenas de glândulas salivares menores espalhadas pelos lábios, bochechas, céu da boca e garganta. Todas levam a saliva até a boca por pequenos canais, chamados ductos.

A saliva ajuda a mastigar, engolir, sentir o gosto e proteger os dentes. Por isso, quando uma glândula adoece, o incômodo costuma aparecer justamente nas refeições. Veja a anatomia em detalhes em [glândulas salivares: onde ficam e o que pode dar errado](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/glandulas-salivares/).

## Quais são as doenças mais comuns das glândulas salivares?

A tabela abaixo resume os problemas mais frequentes:

| Doença | Sinal típico | Tratamento mais comum |
|---|---|---|
| Parotidite (inflamação da parótida) | Inchaço doloroso perto da orelha, às vezes com febre | Hidratação, compressas, antibiótico se for bactéria |
| Cálculo salivar (pedra) | Inchaço que aparece ao comer e diminui depois | Massagem, estímulo da saliva, retirada da pedra |
| Tumor benigno | Caroço firme, que não dói e cresce devagar | Cirurgia na maioria dos casos |
| Tumor maligno | Caroço endurecido, dor, fraqueza no rosto | Cirurgia, às vezes com radioterapia |
| Rânula | Bolha azulada no assoalho da boca | Cirurgia, em geral com retirada da glândula sublingual |

### Inflamações e infecções

A parotidite é a inflamação da parótida. A forma viral mais conhecida é a caxumba, hoje menos frequente graças à vacina. Também existem infecções por bactérias, mais comuns em pessoas desidratadas, idosos ou após cirurgias. Os sinais incluem inchaço, dor, vermelhidão e, às vezes, pus saindo dentro da boca. Entenda mais em [parotidite: sintomas e tratamento](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/parotidite/).

### Cálculo salivar (pedra na glândula)

O cálculo salivar é uma pedrinha que se forma dentro do canal e bloqueia a saída da saliva. A maioria aparece na submandibular, porque a saliva dela é mais grossa e o canal sobe contra a gravidade. O sinal típico é o inchaço que surge durante a refeição e diminui horas depois. Saiba reconhecer em [cálculo salivar: sintomas e tratamento](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/calculo-salivar/).

### Tumores

Os tumores das glândulas salivares são menos comuns. Na parótida, a maioria é benigna, como o [adenoma pleomórfico](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/adenoma-pleomorfico/) e o tumor de Warthin. Existe uma regra geral: quanto menor a glândula, maior a chance de um tumor ser maligno. Por isso, um nódulo na submandibular ou nas glândulas menores é investigado com atenção redobrada. Para a parótida, há um guia próprio sobre [tumores da parótida e parotidectomia](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/tumores-da-parotida/).

### Outras condições

- **Rânula:** um cisto de saliva no assoalho da boca, ligado à glândula sublingual. Veja [rânula e glândula sublingual inchada](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/glandula-sublingual-ranula/).
- **Boca seca:** pode ter relação com remédios, radioterapia ou doenças autoimunes, como a síndrome de Sjögren. Leia [boca seca e glândulas salivares](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/boca-seca-glandulas/).

## Quais são as causas?

Cada doença tem suas causas, mas alguns fatores aparecem com frequência:

- pouca ingestão de água e desidratação;
- saliva mais grossa ou parada dentro do canal;
- infecções por vírus ou bactérias;
- remédios que reduzem a produção de saliva;
- doenças autoimunes;
- radioterapia prévia na cabeça ou no pescoço.

No caso dos tumores, a causa geralmente não é conhecida. O cigarro está associado ao tumor de Warthin. A exposição prévia à radiação aparece como fator de risco para alguns tumores salivares.

## Quais sintomas merecem atenção?

Os sintomas mais comuns das doenças das glândulas salivares são:

- inchaço na frente da orelha, embaixo da mandíbula ou sob a língua;
- dor ou inchaço que piora ao comer;
- gosto ruim ou pus saindo dentro da boca;
- boca seca que não passa;
- caroço firme, que não dói e vai crescendo devagar.

Alguns sinais pedem avaliação mais rápida. Entre eles estão caroço endurecido e preso aos tecidos, dor contínua, dormência no rosto e fraqueza de um lado da face, como dificuldade para fechar o olho ou canto da boca caído.

## Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela conversa e pelo exame físico. O médico apalpa as glândulas por fora e por dentro da boca e observa como a saliva sai pelos canais.

Os exames mais usados são:

- **Ultrassom:** mostra pedras, inflamação e nódulos, sem radiação.
- **Tomografia ou ressonância magnética:** mostram o tamanho e a posição de tumores e ajudam a planejar a cirurgia.
- **PAAF (punção com uma agulha bem fina):** retira células de um nódulo para análise ao microscópio.
- **Sialendoscopia:** uma câmera muito fina entra pelo canal da glândula. Em alguns casos, serve também para tratar.

Se o exame encontrou um [nódulo na parótida](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/nodulo-na-parotida/), esses testes ajudam a separar o que é benigno do que precisa de cirurgia mais ampla.

## Como é o tratamento das glândulas salivares?

### Tratamentos sem cirurgia

Muitas inflamações e pedras pequenas se resolvem com medidas simples:

- beber bastante água ao longo do dia;
- aplicar compressas mornas;
- massagear a glândula em direção à boca;
- usar balas azedas ou limão para estimular a saliva, quando o médico orientar;
- antibióticos, quando há infecção por bactéria;
- analgésicos e anti-inflamatórios indicados pelo médico.

Pedras perto da saída do canal muitas vezes podem ser retiradas por dentro da boca, com anestesia local.

### Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia costuma ser considerada quando:

- existe um tumor, mesmo benigno;
- as crises de infecção ou de pedra se repetem;
- a pedra é grande ou está dentro da glândula;
- há suspeita de câncer.

### Como é a cirurgia, passo a passo?

As duas cirurgias mais comuns são a [parotidectomia](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/parotidectomia/) (retirada de parte ou de toda a parótida) e a [submandibulectomia](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/submandibulectomia/) (retirada da glândula submandibular). Em linhas gerais:

1. A cirurgia é feita com anestesia geral.
2. O corte fica em dobras naturais: na frente da orelha e no pescoço, no caso da parótida; ou abaixo da mandíbula, no caso da submandibular.
3. O cirurgião identifica e protege os nervos da região. Na parótida, o foco é o nervo facial, que movimenta o rosto.
4. A glândula ou o tumor é retirado e enviado para análise.
5. Às vezes fica um dreno, um tubinho fino que retira o excesso de líquido por 1 a 2 dias.

### Quais são os riscos?

Toda cirurgia tem riscos, e eles devem ser conversados antes. Os principais são:

- **Fraqueza no rosto:** o nervo facial pode ficar irritado após a parotidectomia. Na maioria das vezes, a fraqueza é temporária e se recupera em semanas a meses.
- **Fraqueza no canto da boca:** pode acontecer após a submandibulectomia, também em geral passageira. Alterações na sensibilidade ou no movimento da língua são incomuns.
- **Dormência na orelha:** comum após a cirurgia da parótida; tende a diminuir com o tempo.
- **Síndrome de Frey:** suor e vermelhidão na bochecha ao comer. Pode surgir meses depois e tem tratamento.
- **Sangramento, infecção ou acúmulo de líquido** no local.

## Como é a recuperação e o acompanhamento?

A internação costuma ser curta, muitas vezes de 1 dia. A dor em geral é controlada com analgésicos comuns. A maioria das pessoas volta às atividades leves em cerca de 1 a 2 semanas.

Nos primeiros dias, alguns cuidados ajudam:

- manter o curativo limpo e seco, conforme a orientação da equipe;
- dormir com a cabeça um pouco mais alta para reduzir o inchaço;
- preferir alimentos macios se mastigar incomodar;
- evitar esforço físico intenso até a liberação médica;
- proteger a cicatriz do sol por alguns meses.

Um pequeno inchaço e a sensação de pele adormecida perto do corte são comuns nas primeiras semanas. Febre, vermelhidão que aumenta ou inchaço que cresce rápido devem ser comunicados à equipe.

O acompanhamento inclui revisão da cicatriz, do movimento do rosto e do resultado da biópsia. Se o tumor for maligno, a equipe passa a incluir oncologia clínica e radioterapia. Nos casos de boca seca, a odontologia ajuda a proteger os dentes. Entenda os detalhes em [recuperação da cirurgia da parótida](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/recuperacao-parotidectomia/).

## Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você notar:

- inchaço ou caroço que não some em 2 a 3 semanas;
- caroço firme perto da orelha ou embaixo da mandíbula;
- inchaço que volta sempre que você come;
- febre, pus na boca ou dor forte na glândula;
- fraqueza em um lado do rosto;
- boca seca que atrapalha comer ou falar.

O especialista indicado para investigar e operar as glândulas salivares é o cirurgião ou a cirurgiã de cabeça e pescoço. Em infecções simples, o clínico ou o otorrinolaringologista também podem começar a avaliação. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

## Em resumo

- As glândulas salivares ficam perto do ouvido, embaixo da mandíbula e sob a língua.
- As doenças mais comuns são inflamações, pedras e tumores, na maioria benignos.
- Inchaço ao comer sugere pedra; caroço firme que cresce precisa de exames.
- Muitos casos se resolvem sem cirurgia, mas tumores costumam ser operados.
- Inchaço que não some merece avaliação com especialista.

## Perguntas frequentes

### Glândula salivar inchada pode ser câncer?

Pode, mas é menos comum. A maioria dos inchaços vem de inflamação, infecção ou pedra no canal. Um caroço firme, que não dói e cresce devagar, precisa de exames para esclarecer a causa.

### Pedra na glândula salivar sai sozinha?

Pedras pequenas às vezes saem sozinhas, com hidratação, massagem e estímulo da saliva. Pedras maiores ou presas dentro da glândula costumam precisar de retirada pela boca, por sialendoscopia ou, em alguns casos, de cirurgia.

### Adulto pode ter caxumba?

Pode, principalmente quem não foi vacinado ou não recebeu todas as doses. No adulto, a caxumba tende a ser mais incômoda e pode trazer complicações, como inflamação nos testículos. A vacina tríplice viral faz parte do calendário do SUS.

### Dá para viver sem uma glândula salivar?

Sim. As outras glândulas continuam produzindo saliva. A maioria das pessoas não percebe diferença importante depois de retirar uma parótida ou uma submandibular.

### Tumor na parótida sempre precisa ser operado?

Na maioria dos casos, a retirada é recomendada, mesmo quando o tumor é benigno, porque ele tende a crescer com o tempo e alguns podem se transformar. Em pessoas com risco cirúrgico alto e tumores com perfil benigno, a observação pode ser discutida.

### Qual exame mostra pedra na glândula salivar?

O ultrassom costuma ser o primeiro exame e mostra a maioria das pedras. A tomografia pode ajudar em caso de dúvida ou para planejar a retirada.

### A cirurgia da glândula salivar deixa marca aparente?

Toda cirurgia deixa cicatriz, mas o corte é planejado em dobras naturais da pele, na frente da orelha ou abaixo da mandíbula. Com os meses, ela tende a clarear e ficar menos visível, o que varia de pessoa para pessoa.

## Fontes

- [Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)](https://www.sbccp.org.br)
- [Manual MSD — versão para a família](https://www.msdmanuals.com/pt)
- [Instituto Nacional de Câncer (INCA)](https://www.gov.br/inca/pt-br)

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