# Tumor do corpo carotídeo (paraganglioma): o que é

> O tumor do corpo carotídeo é um paraganglioma, um tumor raro e geralmente benigno que nasce em uma estrutura pequena ao lado da artéria carótida, no pescoço. Cresce devagar e costuma aparecer como um caroço indolor abaixo do ângulo da mandíbula. O diagnóstico é feito por imagem, e o tratamento envolve uma equipe multidisciplinar.

Autoria: Dra. Maria Marina Leonardo — médica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Atualizado em 28 de setembro de 2026.
URL: https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tumor-do-corpo-carotideo/

O tumor do corpo carotídeo nasce em uma estrutura minúscula que mede o oxigênio do sangue, bem onde a artéria carótida se divide. É um tipo de paraganglioma, na maioria das vezes benigno, que cresce devagar como um caroço indolor abaixo do ângulo da mandíbula. Os exames de imagem costumam bastar para o diagnóstico, sem biópsia de rotina.

## O que é o corpo carotídeo?

A artéria carótida leva sangue do coração para a cabeça. No meio do pescoço, ela se divide em dois ramos. Nesse ponto de divisão fica o corpo carotídeo, uma estrutura do tamanho de um grão de arroz.

A função dele é medir o oxigênio do sangue. Quando o oxigênio cai, ele avisa o cérebro para aumentar a respiração. Ele faz parte de um grupo de estruturas chamadas paragânglios.

Quando essas células crescem de forma anormal, formam um **paraganglioma**. No pescoço, o local mais comum é justamente o corpo carotídeo.

## Quais são os sintomas do tumor do corpo carotídeo?

Muitas vezes, o sinal percebido é apenas um **caroço na lateral do pescoço**, abaixo do ângulo da mandíbula. Algumas características chamam atenção:

- cresce devagar, ao longo de anos;
- costuma ser indolor;
- move-se de um lado para o outro, mas quase não se move para cima e para baixo;
- às vezes pulsa, por estar colado à artéria.

Tumores grandes podem comprimir nervos próximos e causar:

- rouquidão;
- dificuldade para engolir;
- desvio da língua;
- queda da pálpebra de um lado.

Uma parte das pessoas descobre o tumor por acaso, em um exame de imagem feito por outro motivo. Um caroço indolor no pescoço tem muitas outras causas, a maioria mais comum. Veja em [caroço no pescoço que não dói](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/caroco-no-pescoco-que-nao-doi/).

## Por que ele aparece?

As causas conhecidas se dividem em três grupos:

- **Genéticas:** alterações em alguns genes, principalmente os da família SDH, aumentam o risco. Nesses casos, é mais comum ter tumores nos dois lados ou em outros lugares.
- **Falta crônica de oxigênio:** mais casos em quem vive em grandes altitudes ou tem doenças que baixam o oxigênio por anos.
- **Sem causa identificada:** boa parte dos casos.

Por causa do componente genético, as diretrizes atuais recomendam oferecer **teste genético** a todas as pessoas com paraganglioma. Se houver alteração, os familiares podem ser avaliados.

## Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente por imagem:

- **ultrassom com doppler**, que mostra um tumor com muitos vasos entre os ramos da carótida;
- **angiotomografia** ou **angiorressonância**, que mostram o tamanho e a relação com a artéria;
- em alguns casos, **exames de medicina nuclear** para procurar outros paragangliomas.

Os exames também ajudam a diferenciar de outro tumor raro da mesma região, o [schwannoma do pescoço](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/schwannoma-no-pescoco/), que nasce de um nervo.

Diferente da maioria dos caroços do pescoço, **não se faz biópsia por agulha de rotina**. O tumor tem muitos vasos e fica colado à carótida, o que traz risco de sangramento.

O médico também pode pedir **exames de sangue ou urina** para medir substâncias parecidas com a adrenalina. Paragangliomas do pescoço raramente as produzem, mas é importante saber antes de qualquer tratamento.

## Quais são as opções de tratamento?

O tratamento é individual e costuma ser decidido por uma equipe que inclui cirurgião de cabeça e pescoço, cirurgião vascular, radiologista intervencionista e radioterapeuta. As opções são:

### Cirurgia

É o tratamento mais usado em pessoas com boa saúde e tumores que podem ser retirados com segurança. Tumores menores costumam ter cirurgia mais simples. Nos maiores, que envolvem a carótida, a operação é mais complexa.

Em casos selecionados, pouco antes da cirurgia, pode ser feita uma **embolização**: um procedimento por cateter que fecha parte dos vasos do tumor, para reduzir o sangramento. Nem todo caso precisa.

### Radioterapia

É uma alternativa para pessoas mais velhas, com risco cirúrgico alto ou tumores muito extensos. O objetivo é parar o crescimento, e o tumor costuma continuar visível nos exames.

### Observação

Em pessoas mais velhas, com tumores pequenos e sem sintomas, acompanhar com exames periódicos pode ser uma opção razoável, já que o crescimento costuma ser lento.

## Quais são os riscos da cirurgia?

É importante conversar sobre eles com franqueza. Os principais riscos são:

- **lesão de nervos próximos**, que pode causar rouquidão, dificuldade para engolir ou alteração na língua, temporária ou permanente;
- **sangramento**;
- **lesão da artéria carótida**, que pode exigir reparo;
- **AVC**, raro, mas possível em cirurgias maiores.

O risco aumenta com o tamanho do tumor. Por isso, quando a cirurgia é indicada, costuma-se preferir não adiar demais em pessoas jovens.

## Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você tiver:

- caroço na lateral do pescoço, abaixo do ângulo da mandíbula, que não some;
- caroço que pulsa ou cresce lentamente ao longo de meses;
- rouquidão, dificuldade para engolir ou desvio da língua junto com o caroço;
- familiar com diagnóstico de paraganglioma ou feocromocitoma (tumor parecido, na glândula suprarrenal).

O cirurgião de cabeça e pescoço é o especialista indicado para a avaliação inicial e para coordenar a equipe. Veja mais no guia sobre [tumores do pescoço](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/tumores-raros-do-pescoco/). Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

## Em resumo

- O tumor do corpo carotídeo é um paraganglioma raro, geralmente benigno.
- Ele nasce ao lado da carótida e cresce devagar.
- O diagnóstico é feito por imagem, sem biópsia de rotina.
- O teste genético deve ser oferecido a todas as pessoas com paraganglioma.
- Cirurgia, radioterapia ou observação são escolhidas por uma equipe multidisciplinar.

## Perguntas frequentes

### Tumor do corpo carotídeo é câncer?

Na grande maioria das vezes, é benigno. Uma minoria pode se espalhar para linfonodos ou outros órgãos. Como não há como prever isso só pela aparência, o acompanhamento a longo prazo é recomendado.

### Por que não se faz biópsia no tumor do corpo carotídeo?

Porque é um tumor com muitos vasos sanguíneos, colado à artéria carótida. A biópsia traz risco de sangramento e costuma acrescentar pouco. Os exames de imagem geralmente bastam para o diagnóstico.

### O tumor do corpo carotídeo é hereditário?

Em uma parte dos casos, sim. Por isso, as diretrizes atuais recomendam oferecer teste genético a todas as pessoas com paraganglioma, e avaliar os familiares quando uma alteração é encontrada.

### Morar em cidade alta aumenta o risco?

Estudos mostram mais casos em pessoas que vivem em grandes altitudes, onde há menos oxigênio no ar. Doenças que baixam o oxigênio do sangue por muito tempo também estão associadas.

## Fontes

- [National Cancer Institute (NCI)](https://www.cancer.gov)
- [Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)](https://www.sbccp.org.br)
- [Manual MSD — versão para a família](https://www.msdmanuals.com/pt)

---
Agendamento: WhatsApp https://wa.me/551142108008?text=Ol%C3%A1!%20Vim%20pelo%20site%20da%20Dra.%20Marina%20Leonardo%20e%20gostaria%20de%20agendar%20uma%20consulta. · Telefone (11) 96743-0783 · R. Bela Cintra, 217 – Cj 704 – Consolação, São Paulo – SP. Conteúdo informativo; não substitui a consulta médica.
