# Tireoidectomia transoral: a cirurgia de tireoide pela boca

> A tireoidectomia transoral retira a tireoide por pequenos cortes feitos por dentro do lábio inferior, com câmera e instrumentos finos. Ela evita o corte na frente do pescoço, mas não é indicada para todos. Serve para casos selecionados, como nódulos e glândulas de tamanho moderado, e tem riscos próprios, como dormência temporária no queixo.

Autoria: Dra. Maria Marina Leonardo — médica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Atualizado em 28 de setembro de 2026.
URL: https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tireoidectomia-transoral/

Na tireoidectomia transoral, a tireoide é retirada pela boca: o cirurgião entra pela parte de dentro do lábio de baixo e chega ao pescoço por baixo da pele. O resultado é a ausência de cicatriz visível na frente do pescoço. Em troca, a técnica tem exigências, riscos e limites próprios, e não serve para todos.

A técnica desperta interesse de quem se preocupa com a cicatriz. Vale entender como ela funciona antes de decidir.

## Como funciona a tireoidectomia transoral?

A técnica mais conhecida usa o **vestíbulo oral**, o espaço entre o lábio inferior e a gengiva. Em linhas gerais:

1. A cirurgia é feita com **anestesia geral**.
2. O cirurgião faz **três pequenos cortes** por dentro do lábio inferior.
3. Por eles, cria um **túnel sob a pele** do queixo e do pescoço até a tireoide.
4. O espaço é mantido aberto com **gás carbônico**, como em outras cirurgias por vídeo.
5. Uma **câmera** mostra a região em um monitor, e **instrumentos longos e finos** retiram a glândula.
6. A tireoide sai pelo corte central, e os cortes da boca são fechados com pontos.

Os princípios são os mesmos da cirurgia tradicional: identificar e preservar os nervos da voz e as paratireoides.

## Para quem a tireoidectomia transoral pode ser indicada?

A técnica é considerada em **casos selecionados**. Em geral, pessoas que:

- têm **nódulo benigno ou indeterminado** que precisa ser operado;
- têm, em alguns casos, **câncer pequeno e de baixo risco**, sem sinais de espalhamento;
- têm uma **tireoide de tamanho moderado**, que caiba pelo acesso;
- **nunca operaram o pescoço** antes;
- não têm infecção ou problema importante na boca;
- têm **forte desejo de evitar o corte no pescoço**, por exemplo por tendência a queloide.

Cada centro tem seus critérios, que dependem da experiência da equipe.

## Quando a cirurgia pela boca não é indicada?

A técnica tem limites claros. Em geral, ela **não é a escolha** quando há:

- **bócio grande** ou que desce para o peito (mergulhante);
- **câncer maior**, que invade estruturas vizinhas;
- **linfonodos (ínguas) comprometidos** que exijam esvaziamento cervical amplo;
- **cirurgia ou radioterapia anterior** no pescoço;
- condições de saúde que contraindiquem uma cirurgia mais longa.

Nessas situações, a cirurgia tradicional costuma ser mais adequada. Sobre a técnica convencional, veja [tireoidectomia: o que é a cirurgia de tireoide](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tireoidectomia-o-que-e/).

## Quais são os riscos próprios da técnica?

A tireoidectomia transoral tem os mesmos riscos da cirurgia tradicional, como alteração da voz, cálcio baixo e sangramento. Além deles, existem riscos específicos do acesso:

- **Dormência no queixo e no lábio inferior**, por irritação de um nervo da sensibilidade (nervo mentual). Costuma ser temporária, mas pode demorar a passar.
- **Infecção** na região dos cortes da boca, pouco comum.
- **Hematomas e inchaço** no queixo e na parte alta do pescoço.
- **Complicações ligadas ao gás**, raras.
- **Conversão** para a cirurgia com corte no pescoço, quando necessário.

A cirurgia também costuma **durar mais** que a tradicional, e a curva de aprendizado da equipe é longa.

## Quais são as vantagens e os limites, lado a lado?

| Aspecto | Tireoidectomia transoral | Cirurgia tradicional |
|---|---|---|
| Corte visível no pescoço | Não | Sim, pequeno, numa dobra da pele |
| Indicação | Casos selecionados | Praticamente todos os casos |
| Duração | Geralmente mais longa | Geralmente mais curta |
| Riscos próprios | Dormência no queixo, infecção na boca | Cicatriz no pescoço |
| Disponibilidade | Poucos centros | Ampla |

Nenhuma técnica é superior para todos. A escolha depende do caso, das prioridades do paciente e da experiência da equipe.

Existem outras técnicas que levam o corte para longe do pescoço, como os acessos pela axila ou atrás da orelha, com ou sem robô. Veja [cirurgia de tireoide por vídeo e robótica](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tireoidectomia-por-video-robotica/).

## Como é a recuperação da cirurgia transoral?

A recuperação geral é parecida com a da cirurgia tradicional. Diferenças comuns:

- inchaço e sensibilidade no **queixo** e no **lábio** nos primeiros dias;
- necessidade de **higiene bucal** cuidadosa, com orientações da equipe;
- dieta **macia** no início;
- em algumas equipes, uso de **faixa ou curativo compressivo** no queixo por pouco tempo.

A dormência no queixo, quando ocorre, tende a diminuir ao longo de semanas ou meses.

O tempo de internação e de volta ao trabalho costuma ser semelhante ao da cirurgia tradicional, mas varia conforme o caso e a orientação do cirurgião. Os cuidados com a voz, o cálcio e os sinais de sangramento são os mesmos.

## Quando procurar um médico?

Procure um cirurgião de cabeça e pescoço para discutir a técnica se você tem indicação de cirurgia e se preocupa com a cicatriz. Pergunte sobre a experiência da equipe, os critérios de indicação e a chance de conversão.

Se estiver em dúvida entre técnicas, uma [segunda opinião antes da cirurgia](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/segunda-opiniao-cirurgia-tireoide/) pode ajudar.

Após a cirurgia, procure atendimento imediato se houver inchaço rápido no pescoço, falta de ar, febre, pus na boca ou formigamento forte nas mãos. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

## Em resumo

- A tireoidectomia transoral retira a tireoide por cortes por dentro do lábio inferior.
- Evita o corte na frente do pescoço, mas é indicada só para casos selecionados.
- Bócio grande, câncer extenso e cirurgia prévia no pescoço costumam contraindicar.
- Tem riscos próprios, como dormência no queixo, além dos riscos habituais.
- A decisão depende do caso e da experiência da equipe.

## Perguntas frequentes

### A cirurgia pela boca deixa marca?

Os cortes ficam por dentro do lábio inferior, na parte que encosta na gengiva, e não aparecem no rosto. Pode haver pequenos pontos de apoio perto do queixo em algumas variações da técnica. A frente do pescoço fica sem corte.

### Dói mais do que a cirurgia tradicional?

A dor costuma ser comparável, mas diferente. Muitas pessoas relatam desconforto no lábio, no queixo e na parte de cima do pescoço, por onde os instrumentos passam. A dor é controlada com analgésicos prescritos.

### Posso comer normalmente depois da cirurgia transoral?

Nos primeiros dias, a dieta costuma ser mais leve e macia, e a higiene da boca recebe atenção especial, com orientações específicas da equipe. Com a cicatrização, a alimentação volta ao normal.

### O plano de saúde cobre a tireoidectomia transoral?

A cobertura depende do contrato e dos materiais usados, e pode haver diferenças em relação à técnica tradicional. Antes de decidir, confirme com o plano e com a equipe o que está incluído.

### Se a cirurgia pela boca não der certo, o que acontece?

Se o cirurgião encontrar dificuldade ou achados inesperados, pode converter para a cirurgia tradicional, com corte no pescoço. Essa possibilidade deve ser discutida e aceita antes da operação.

## Fontes

- [American Thyroid Association (ATA)](https://www.thyroid.org)
- [Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)](https://www.sbccp.org.br)

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Agendamento: WhatsApp https://wa.me/551142108008?text=Ol%C3%A1!%20Vim%20pelo%20site%20da%20Dra.%20Marina%20Leonardo%20e%20gostaria%20de%20agendar%20uma%20consulta. · Telefone (11) 96743-0783 · R. Bela Cintra, 217 – Cj 704 – Consolação, São Paulo – SP. Conteúdo informativo; não substitui a consulta médica.
