# Reconstrução após cirurgia de cabeça e pescoço: como funciona

> A reconstrução de cabeça e pescoço repara as áreas retiradas em cirurgias de câncer ou tumores da boca, garganta, rosto e mandíbula. Ela usa pontos simples, enxertos, retalhos vizinhos ou tecidos de outra parte do corpo levados por microcirurgia. O objetivo é recuperar funções como falar, engolir e mastigar, além da aparência.

Autoria: Dra. Maria Marina Leonardo — médica, cirurgiã de cabeça e pescoço em São Paulo (CRM-SP 212154 · RQE 124374). Atualizado em 28 de setembro de 2026.
URL: https://marinaleonardo.com.br/conteudos/reconstrucao-cabeca-pescoco/

Depois que um tumor da boca, da garganta, do rosto ou da mandíbula é retirado, a reconstrução de cabeça e pescoço preenche o espaço que ficou. O foco principal é a função, sem deixar de lado a aparência. Na maioria das vezes, ela é feita na mesma cirurgia, com tecidos da própria pessoa.

## Por que a reconstrução de cabeça e pescoço é necessária?

Tratar um tumor da cabeça e do pescoço muitas vezes exige retirar uma parte dos tecidos ao redor, com margem de segurança. Essa região concentra funções essenciais em pouco espaço: a língua, os dentes, a mandíbula, a laringe e a pele do rosto.

Sem reconstrução, a falta desses tecidos poderia atrapalhar:

- a fala;
- a deglutição (o ato de engolir);
- a mastigação;
- a respiração;
- a proteção de estruturas como a artéria carótida;
- a aparência do rosto e do pescoço.

Por isso, a reconstrução faz parte do planejamento desde a primeira consulta, e não é um "extra" no fim.

## Quais são os tipos de reconstrução?

Os cirurgiões costumam pensar em uma escada, do mais simples ao mais complexo. Escolhe-se a opção que resolve cada caso com segurança.

| Opção | Como funciona | Exemplo de uso |
|---|---|---|
| Fechamento direto | Aproxima as bordas com pontos | Feridas pequenas |
| Cicatrização natural | A ferida fecha sozinha, com curativos | Algumas áreas da boca e da pele |
| Enxerto | Pele fina retirada de outra área e colocada sobre a ferida | Pele do rosto e couro cabeludo |
| Retalho local | Tecido vizinho deslocado, mantendo sua circulação | Nariz, bochecha, lábio |
| Retalho regional | Tecido de uma região próxima, como o peito, girado até o pescoço | Pescoço, boca, casos de maior risco |
| Retalho microcirúrgico | Tecido de outra parte do corpo, com seus vasos religados no pescoço | Língua, mandíbula, garganta |

## Como funciona a reconstrução com microcirurgia?

Na reconstrução microcirúrgica, também chamada de **retalho livre**, o cirurgião retira um bloco de tecido de outra região do corpo junto com a artéria e a veia que o alimentam. Depois, costura esses vasos a vasos do pescoço, com ajuda de microscópio.

As áreas doadoras mais usadas são:

- **antebraço:** pele fina e maleável, útil para a língua e a boca;
- **coxa:** pele e gordura em maior quantidade, útil para defeitos maiores;
- **fíbula (osso fino da perna):** usada para reconstruir a mandíbula, inclusive com possibilidade de implantes dentários no futuro;
- outras áreas, como costas e quadril, em casos específicos.

A retirada de parte da mandíbula por tumores está explicada em [tumores da mandíbula e da maxila](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/tumor-de-mandibula/).

### E no rosto?

No rosto, como após a retirada de câncer de pele, muitas vezes bastam retalhos locais ou enxertos. Veja em [cirurgia de câncer de pele no rosto e reconstrução](https://marinaleonardo.com.br/conteudos/cirurgia-cancer-de-pele-reconstrucao/).

## Como é a recuperação?

A recuperação depende do tamanho da cirurgia. Em reconstruções maiores, alguns pontos são comuns:

- **internação** de vários dias, às vezes com passagem pela UTI no início;
- **monitoramento do retalho** nas primeiras horas e dias, para confirmar que a circulação está boa;
- **traqueostomia temporária** (um tubo no pescoço para respirar), em algumas cirurgias de boca e garganta, retirada depois;
- **sonda para alimentação** por um período, até a pessoa engolir com segurança;
- cuidados com a área doadora, como curativo na perna ou no braço.

O retorno às atividades é gradual, ao longo de semanas a meses. Em muitos casos, ainda haverá radioterapia depois.

## Quais são os riscos?

Toda reconstrução tem riscos, e a equipe os discute antes. Os mais importantes são:

- **falha do retalho**, quando a circulação não se mantém. É incomum em equipes experientes, e pode exigir nova cirurgia;
- **infecção** ou acúmulo de líquido;
- **fístula**, um vazamento de saliva pela ferida, em cirurgias de boca e garganta;
- alterações na **área doadora**, como cicatriz, fraqueza ou dormência;
- necessidade de **ajustes cirúrgicos** posteriores.

## Qual o papel da reabilitação?

A cirurgia é só uma parte. A reabilitação ajuda a recuperar a função no dia a dia e envolve:

- **fonoaudiólogo:** treina fala e deglutição;
- **dentista e protesista:** cuidam dos dentes, das próteses e dos implantes, e fazem próteses especiais para a maxila;
- **fisioterapeuta:** trabalha ombro, pescoço e a área doadora;
- **nutricionista:** garante alimentação adequada em cada fase;
- **psicólogo:** apoia a adaptação às mudanças.

Mais detalhes no guia sobre [reconstrução de cabeça e pescoço](https://marinaleonardo.com.br/tratamentos/reconstrucao-de-cabeca-e-pescoco/).

## Quando procurar um médico?

Procure avaliação se você:

- tem indicação de cirurgia de câncer de boca, garganta, rosto ou mandíbula e quer entender como será a reconstrução;
- já operou e sente dificuldade persistente para engolir, falar ou mastigar;
- tem vermelhidão, inchaço, febre ou saída de secreção na ferida ou na área doadora;
- percebe mudança de cor ou temperatura no retalho nos primeiros dias, o que exige contato imediato com a equipe.

O cirurgião de cabeça e pescoço coordena o tratamento, muitas vezes junto com o cirurgião plástico. Cada caso é avaliado individualmente, e este texto não substitui a consulta.

## Em resumo

- A reconstrução de cabeça e pescoço repara áreas retiradas no tratamento de tumores.
- As opções vão de pontos simples a tecidos levados por microcirurgia.
- O objetivo é recuperar fala, deglutição, mastigação, respiração e aparência.
- Na maioria das vezes, é feita na mesma cirurgia da retirada do tumor.
- Fonoaudiologia, odontologia e fisioterapia são parte essencial da recuperação.

## Perguntas frequentes

### A reconstrução é feita na mesma cirurgia da retirada do tumor?

Na maioria das vezes, sim. Planejar a reconstrução junto com a retirada permite reparar a área no mesmo tempo cirúrgico. Em algumas situações, parte da reabilitação, como implantes dentários, é feita depois.

### De onde vem o tecido usado na reconstrução?

Pode vir de uma área vizinha ou de outra parte do corpo, como o antebraço, a coxa, as costas ou a perna. A escolha depende do tipo de tecido que falta: pele, músculo, gordura ou osso.

### A área de onde se tira o tecido fica com sequelas?

Fica uma cicatriz e, às vezes, alguma alteração temporária de força ou sensibilidade. As áreas doadoras são escolhidas justamente por fazerem pouca falta. A equipe explica o que esperar de cada uma.

### Quem faz a reconstrução?

Pode ser o próprio cirurgião de cabeça e pescoço com formação em microcirurgia ou um cirurgião plástico que trabalha junto com ele. O importante é que a equipe tenha experiência nesse tipo de reconstrução.

### Radioterapia atrapalha a reconstrução?

A radioterapia deixa os tecidos mais endurecidos e com menos circulação. Por isso a reconstrução é planejada considerando se haverá radioterapia, e tecidos trazidos de outra região costumam tolerá-la bem.

## Fontes

- [Instituto Nacional de Câncer (INCA)](https://www.gov.br/inca/pt-br)
- [Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)](https://www.sbccp.org.br)
- [National Cancer Institute (NCI)](https://www.cancer.gov)

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